Escola Politécnica da USP

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Chamado do coração

Aparelho celular desenvolvido por pesquisadores da Poli/USP monitora os batimentos cardíacos e pode identificar alterações do funcionamento do órgão, como arritmia ou infarto.

Além de tirar fotos, baixar vídeos e músicas ou ter acesso rápido à internet, os telefones celulares podem incorporar outras funções mais nobres, como ajudar a salvar vidas. Pesquisadores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP) estão desenvolvendo um aparelho que monitora os batimentos cardíacos e pode identificar alterações no funcionamento do órgão, como arritmia ou infarto.

Elaborado em parceria com duas micro empresas das áreas de hardware e software, além de uma clínica médica, o aparelho adaptado será capaz de realizar um eletrocardiograma – o exame que possibilita analisar a atividade cardíaca. Por meio de eletrodos acoplados à parte traseira dele, o equipamento poderá captar e registrar os sinais elétricos emitidos pelo coração, convertê-los em sinais sonoros e enviá-los para uma central médica através das mesmas ondas eletromagnéticas utilizadas na telefonia celular para a transmissão de voz e dados.

Na clínica ou hospital os sinais recebidos serão decodificados e transformados em um eletrocardiograma. Isso possibilitará às equipes médicas analisar à distância o estado de saúde de um paciente e, no caso de alguma alteração, orientá-lo por telefone ou iniciar os procedimentos de emergência.

“O aparelho poderá ser usado tanto para monitorar a atividade cardíaca de pacientes com cardiopatias como para realizar exames de rotina”, conta o diretor do Laboratório de Engenharia Biomédica (LEB) da Poli/USP e coordenador do projeto, o professor José Carlos de Moraes. Para isso, bastará apenas o paciente ou uma pessoa próxima a ele aproximar o equipamento do tórax, de preferência, sem a interferência de roupas, para captar a eletricidade cardíaca e transmiti-la pela linha telefônica a uma central médica.

Atualmente, os pesquisadores estão finalizando os primeiros protótipos do equipamento, cujo desenvolvimento conta com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Em seguida, iniciarão os testes clínicos com 100 pacientes, de diversas regiões do País, quando serão analisadas a funcionalidade e o desempenho do aparelho para eventuais aprimoramentos. A expectativa é que o dispositivo, que será fabricado e comercializado pelas micro empresas participantes do projeto, esteja disponível no início de 2010.

  

Laboratório da Poli é um dos únicos no País acreditados pelo Inmetro

O Laboratório de Engenharia Biomédica (LEB) da Poli já desenvolveu diversos outros equipamentos médicos em convênios com empresas do setor. Mas, além de auxiliá-las a criar soluções, também realiza ensaios de normalização, certificação e qualidade industrial.

O LEB é um dos seis laboratórios do gênero existentes em todo o Brasil acreditados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro).

A partir de 2010, também passará a certificar a segurança e o desempenho de órteses, próteses, implantes, cadeiras de rodas e instrumentos odontológicos. A certificação é exigida das empresas para obterem o registro e a autorização para comercialização de equipamentos, concedidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).