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Estruturas à prova de incêndio

Escola Politécnica celebra acordo com a Escola de Engenharia da USP de São Carlos e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para a construção de um forno horizontal de pesquisa de resistência de estruturas ao fogo.

O Brasil possui uma legislação que estabelece que as estruturas de aço, concreto e outros materiais, utilizados na construção civil, devam atender às normas de resistência e segurança em situação de incêndio. No entanto, a maioria dessas normas foi criada com base nos resultados de ensaios internacionais, com materiais que nem sempre têm o mesmo desempenho dos que são usados aqui.

Para reverter essa situação, a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP) celebrou um acordo com a Escola de Engenharia da USP de São Carlos e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para a construção de um forno horizontal de pesquisa de resistência de estruturas ao fogo. Primeiro do gênero no País, o forno deverá entrar em operação no campus da USP de São Carlos em 2010 e será utilizado para testar a resistência ao fogo de elementos horizontais, como lajes e vigas.

Com isso, os fabricantes nacionais de materiais para construção poderão obter resultados mais precisos sobre a segurança e resistência a incêndio dos produtos que comercializam. De quebra, aumentarão a competitividade deles frente aos importados. “Os materiais para construção nacionais acabam perdendo mercado para os importados porque não têm condições de serem testados nos EUA ou na Europa, onde existem fornos que possibilitam realizar ensaios mais precisos e econômicos”, afirma um dos pesquisadores principais do projeto, o professor Valdir Pignatta e Silva do Departamento de Engenharia de Estruturas e Geotécnica (PEF) da Poli, lembrando que em países como os EUA são testados todos os tipos de materiais de uma construção, incluindo até cabos para passagem de fios elétricos.

 

Testes – O forno que será construído em São Carlos (SP) terá três metros de largura por quatro de comprimento e 1,5 metro de altura. “Uma dimensão suficiente para que possamos realizar testes em estruturas completas de laje e vigas juntas” exemplifica. Ele conta que os fornos existentes no Brasil têm limitações de dimensões, que não comportam essas estruturas. Por isso, neles são testados apenas elementos menores, como portas corta-fogo, por exemplo.

A temperatura do forno será controlada por um computador, que operará dentro de determinados padrões, podendo atingir o limite máximo de resistência ao fogo das estruturas. O professor explica que as estruturas metálicas suportam o fogo por meio de um revestimento aplicado sobre elas – geralmente uma pintura intumescente ou uma argamassa projetada. Já a resistência de vigas e lajes de concreto está associada à dimensão da estrutura e à posição das armaduras de aço, que devem ser projetadas adequadamente por um engenheiro estruturista. “O tempo que cada estrutura resiste ao calor é uma das respostas que se busca nesse tipo de teste.”
 
 

Poli é referência em engenharia de segurança contra incêndio

 

Apesar de existir há mais de 20 anos, a legislação referente à segurança em situação de incêndio não é seguida à risca no País porque muitos dos responsáveis por executar e fiscalizá-la não têm condições técnicas para realizar esses procedimentos, avalia o professor Valdir Pignatta e Silva, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP). Docente do Departamento de Engenharia de Estruturas e Geotécnica (PEF), Silva é um dos principais especialistas dessa área no Brasil.

“O engenheiro que projeta uma estrutura para ser usada em um prédio deve prever a ocorrência de incêndio, mas a maioria deles não sabe fazer os cálculos necessários”, afirma. O problema, segundo ele, está no ensino. No Brasil e em outros países da América Latina a disciplina de engenharia de segurança contra incêndio não é ministrada nos cursos de graduação de engenharia e arquitetura – o que não ocorre nos países desenvolvidos.

Pioneira na América Latina, a Escola Politécnica começou a oferecer essa disciplina em 1999, no curso de pós-graduação do Programa de Engenharia Civil – Estruturas. Antes disso, a instituição já havia iniciado as primeiras pesquisas na área, com estruturas metálicas e de concreto. Agora, o objetivo dos pesquisadores é realizar estudos sobre estruturas de madeira, cujas normas técnicas devem entrar em vigor em breve no Brasil. 

Legislação brasileira surgiu após incêndios de grandes proporções em SP 

A primeira regulamentação sobre segurança contra incêndio surgiu no Brasil em meados de 1975, após a ocorrência dos incêndios dos edifícios Joelma e Andraus, em São Paulo. A partir de então a legislação vem sendo constantemente modernizada, exigindo, entre outras medidas, que sejam adotadas nos projetos de edifícios altos a compartimentação horizontal e vertical. Para tanto, são utilizados dispositivos, como portas corta-fogo, no interior dos edifícios, e peitoris e marquises nas fachadas. Com isso, em uma eventual situação de incêndio, é possível impedir que o fogo, iniciado em um determinado andar, se alastre para os demais.

Na década de 90 o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo outorgou uma instrução técnica exigindo que fossem avaliadas a resistência e a segurança de projetos de estruturas contra incêndios. Como não havia referências sobre o assunto, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) recebeu a incumbência de criar a primeira normatização nacional para projetos de estruturas metálicas. E em 2004 estendeu o projeto para as estruturas de concreto.

Atualmente, alguns estados brasileiros, como São Paulo, possuem leis específicas sobre a segurança de estruturas em situações de incêndio que se assemelham muito às da própria ABNT. Já para os estados que não têm leis próprias há o Código de Defesa do Consumidor, que por sua vez também se baseia nas normas estabelecidas pela ABNT.