Escola Politécnica da USP

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Nova estrutura curricular

Depois de 12 anos da última grande reforma curricular na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP), a Comissão de Graduação da instituição começou a repensar as diretrizes gerais que nortearão as novas estruturas curriculares.

 

O primeiro passo nesse sentido, segundo o professor Paul Jean Jeszensky, presidente da Comissão de Graduação da Escola e coordenador da nova Estrutura Curricular (EC-3), foi a criação de um fórum de discussão na internet onde qualquer cidadão pode manifestar suas ideias sobre o assunto.

Com a ferramenta, nomeada “Consulta Pública - Fórum EC-3”, um importante canal de consulta pública foi aberto para que, além dos docentes e alunos da universidade, a sociedade civil e toda a comunidade acadêmica nacional possam se envolver nesses processos de decisão.

“Chegou a hora de parar e repensar todas as mudanças que a escola necessita para a próxima década”, afirma o docente. “É uma obrigação da comunidade politécnica, de tempos em tempos, promover essa ampla reflexão, com base nas expectativas que toda a coletividade tem por mudanças. Estamos conduzindo esse processo da forma mais democrática possível, por meio de reuniões públicas com profissionais e alunos da Poli e também com alguns convidados externos”, complementa.

A última grande reforma curricular na Poli, denominada EC-2, ocorreu em 1999. Segundo Jeszensky, as mudanças estão sendo repensadas tanto do ponto de vista das “diretrizes” como das “estruturas curriculares”. O curso de engenharia deve continuar em cinco anos, por exemplo, ou deve dedicar mais tempo às atividades integrais? Deve-se abrir mão do estágio desde o início do curso? O mercado necessita de um engenheiro mais ou menos generalista?

“Essas são grandes questões a serem respondidas do ponto de vista das diretrizes. As estruturas curriculares, por outro lado, se referem a questões como as disciplinas, projetos e todo o conteúdo das aulas. Um dos maiores interesses da Poli, nesse contexto, é a maior internacionalização de seus cursos”, explica o docente.

Para o diretor da Escola Politécnica, José Roberto Cardoso, as mudanças se justificam, entre outros fatores, pelo fato de a Escola praticar uma estrutura curricular concebida sob diretrizes que datam da década de 1980, quando a forte “política da especialização” se tornou paradigma das estruturas curriculares de várias faculdades brasileiras, a ponto de o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea) registrar mais de 300 habilitações.

“Tal prática se tornou danosa para os estudantes deste século, pois nossos engenheiros precisam estar habilitados a trabalhar em equipes multiprofissionais, abertos para um mundo em que a prática da inovação é a palavra de ordem”.

Segundo ele, outra questão vital que demanda uma formação de engenheiros mais generalistas são as novas características do mercado, uma vez que, para ele, “a longa permanência em um mesmo emprego é coisa do passado”.

“Hoje é comum o engenheiro mudar de atividade mais de cinco vezes ao longo de sua carreira, de modo que não basta mais uma formação sólida nas disciplinas tecnológicas. O enfoque deve ser temático, pois todos os cursos devem ser focados para os grandes desafios da humanidade neste século: a energia, a sustentabilidade, a água e a saúde”, apontou Cardoso.

Na previsão de Paul Jeszensky, coordenador da EC-3, as primeiras mudanças deverão ocorrer no início de 2012, após as sucessivas reuniões internas que estão ocorrendo em 2010 e que devem se estender no ano que vem, com base em sugestões do fórum online de consulta pública.

“Temos recebido, diariamente, dezenas de contribuições de alunos e professores, inclusive de outras entidades como Unicamp e ITA, que em poucas palavras conseguem apontar grandes desafios a serem superados pela escola nos próximos anos. Essas sugestões têm servido de pontapé inicial para as nossas discussões internas. É muito importante, nesse momento, que toda a comunidade acadêmica do País se manifeste”, disse Jeszensky.