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Seu nome é obstinação

Uma das melhores alunas do curso, a estudante Graziele Santos veio do ensino público e consegui muito mais do que passar no vestibular da Poli.

A estudante Graziele Santos é uma prova de que por meio da determinação e do conhecimento é possível superar barreiras não só econômicas e sociais. Filha de um técnico de segurança aposentado e de uma dona-de-casa, Graziele estudou a vida inteira em escolas públicas.

Durante o curso técnico em eletrônica, que fez em um colégio técnico mantido por uma empresa, em São Paulo, Graziele descobriu sua vocação por engenharia. Mas, se não conseguisse ingressar em uma universidade pública, não teria condições de fazer o curso em uma faculdade particular.

Para prestar o concorrido vestibular da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP), Graziele precisou fazer um cursinho pré-vestibular particular para dominar o conteúdo de disciplinas com as quais não teve muito contato durante o curso técnico. Como também não tinha condições de pagá-lo, prestou uma prova e obteve 70% de desconto no valor integral das mensalidades, mas que ainda era insuficiente para seus pais conseguirem arcar. A solução, encontrada pela mãe da estudante, foi solicitar à direção do cursinho que aumentassem o número de parcelas para que ela pudesse estudar.

Aprovada no vestibular da Poli em 2002, no primeiro dia de aula do curso Graziele soube da possibilidade dos alunos ingressantes participarem de um programa de diploma duplo na França. O que despertou seu interesse imediato. “Quando prestei o vestibular eu não sabia dessa oportunidade, e quando eu soube fiquei muito motivada. A minha colocação no vestibular não foi uma das melhores, mas eu ví que tinha chance e me dediquei o máximo para conquistá-la”, conta.

Em dois anos, Graziele concluiu os primeiros módulos do curso de francês oferecido gratuitamente pela Poli aos alunos ingressantes na graduação, que são selecionados com base em seus desempenhos acadêmicos. E em 2004 fez sua primeira viagem de avião, tendo como destino a tão almejada França, para estudar na prestigiosa École Nationale Supérieure des Mines de Saint-Étienne.

Prevista para durar dois anos, a estada de Graziele na França foi prorrogada por mais seis meses em função de um estágio que a estudante conseguiu na filial francesa de uma empresa americana. Durante o trabalho, a estudante desenvolveu como projeto de formatura um circuito, denominado Sigma-Delta, para otimizar o desenvolvimento de conversores. O sistema será utilizado pela empresa para a fabricação de semicondutores.

Cidadã do mundo – Da França, Graziele rumou para a Inglaterra, onde também morou por 11 meses e obteve um estágio em outra empresa do setor elétrico. Em função disso, teve que trancar por um ano o curso de graduação na Poli. Mas não se arrepende em nada da decisão. “Depois de dois anos e meio morando na França e, apesar de ter um bom nível de francês, eu percebi que precisava estudar inglês porque, caso contrário, não conseguiria atuar na minha área. Com isso, eu conheci praticamente toda a Europa e tive uma experiência única e extraordinária que aproveitei cada minuto”, avalia.

De volta ao Brasil, Graziele foi contratada por uma empresa brasileira de engenharia que desenvolve tecnologias de radares e controles para fins civis, militares e espaciais. Depois de colar grau no final de agosto de 2009, se destacando como um dos melhores alunos do curso, a estudante de 26 anos, que gosta de ler jornais e livros de ficção, está pensando agora na possibilidade de cursar um mestrado também na Poli. Com isso, deve ampliar, ainda mais, seus horizontes.