Escola Politécnica da USP

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Engenharia zen

Carina Ulsen – pesquisadora

A vocação para cuidar do meio ambiente ela já tinha desde pequena. O gosto pela engenharia surgiu depois, mas foi na Poli que a pesquisadora Carina Ulsen descobriu sua verdadeira vocação: reciclagem de resíduos sólidos urbanos.

O gosto por plantas e animais, a vivência em uma casa cercada por vegetação e a ascendência sueca da estudante Carina Ulsen influenciaram o interesse dela, desde a infância, por temas relacionados ao meio ambiente.  Já o convívio com um tio, formado em engenharia civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP), do qual Carina adorava bisbilhotar os projetos, contribuíram para sacramentar a decisão de cursar engenharia. Porém, apesar de ter certeza sobre a carreira que escolheu e a instituição na qual gostaria de estudar, ela não tinha a mínima ideia de por qual área da engenharia optar.

A escolha, feita em seu primeiro ano na Poli, foi o curso de Engenharia de Minas, oferecido pelo Departamento de Minas e Petróleo (PMI). Nele, Carina enxergou a possibilidade de conciliar suas duas maiores vocações. “Eu decidi de cara pela Engenharia de Minas, uma área que me possibilitaria trabalhar com meio ambiente em projetos de reciclagem”, conta.

Por coincidência, no ano em que ingressou no curso de graduação, em 2000, estavam sendo iniciados os projetos “USP Recicla” e “Poli USP Recicla”, que visam estimular a gestão sustentável dos resíduos gerados pela instituição. Mas na época ela não pôde ingressar em nenhum dos dois programas porque as bolsas para projetos de iniciação científica estavam preenchidas. A possibilidade de realizar pesquisas, de fato, surgiu em 2002. Nesse ano começou a ser formado um grupo multidisciplinar de pesquisadores do PMI e do Departamento de Engenharia de Construção (PCC) da Poli para o desenvolvimento de um projeto de reciclagem de resíduos de construção e demolição.

Por intermédio do grupo, Carina realizou seu projeto de iniciação científica em que fez a caracterização de resíduos de construção e demolição de duas usinas de reciclagem. O estudo resultou em seu trabalho de formatura e abriu caminho para sua dissertação de mestrado na Poli, onde desenvolveu dois produtos até então inéditos no mundo: a areia e brita para concreto armado, com características superiores ao agregado reciclado convencionalmente utilizado em pavimentação.

“Levantar as características desses materiais é essencial para obter um produto de maior valor agregado, pois só assim consegue-se obter avanços nos processos de reciclagem”, explica. Para Carina, os resíduos de construção e demolição precisam ser tratados como matéria-prima que possa ser reaproveitada. “Alguma coisa tem que ser feita, porque senão vamos viver sobre um monte de entulho”, diz a estudante, que é praticante de ioga e reiki e estudou psicanálise.

Atualmente, Carina cursa doutorado em Engenharia de Minas na Poli e atua como pesquisadora no Laboratório de Caracterização Tecnológica (LCT) da instituição. Exímia jogadora de voleibol, que pratica há 15 anos e recebeu três vezes o prêmio de atleta do ano pela Associação Atlética Acadêmica Politécnica, os planos para o futuro da pesquisadora incluem fazer pós-doutorado e criar um sistema auto-sustentável. “Eu não bolei direito como vai ser feito isso. Mas sei que eu quero fazer”, diz. Alguém duvida que o projeto envolva engenharia e meio ambiente?