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Sobre trilhos virtuais

Pesquisadores da Poli estão desenvolvendo o primeiro simulador virtual de condução de trens brasileiro. Ferramenta será utilizada pela Vale para treinar e capacitar seus maquinistas.

Antes de assumirem a direção de uma locomotiva utilizada pela Vale para transportar minérios pelo País, os maquinistas contratados pela empresa poderão visualizar todos os trajetos que percorrerão na tela de um computador. A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP), em parceria com a companhia mineradora, está desenvolvendo o primeiro simulador virtual de condução de trens brasileiro.

O software nacional substituirá os atuais simuladores ferroviários importados utilizados atualmente no treinamento e capacitação dos funcionários da empresa, que opera 9,8 mil quilômetros de linhas férreas no Brasil. Desenvolvidos nos EUA e na Europa, a licença de uso e as atualizações tecnológicas dessas ferramentas são muito caras. Isso estimulou a companhia a celebrar um acordo com a Poli para elaborar uma versão brasileira do equipamento com tecnologia totalmente nacional, contando com o que há de mais moderno em realidade virtual.

“Os sistemas importados foram desenvolvidos na década de 70 e são relativamente antigos. Nós acabamos agregando muito mais tecnologia ao equipamento brasileiro devido ao progresso na área de informática nos últimos anos”, conta Roberto Spinola Barbosa, professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Poli e coordenador do projeto, que foi iniciado em 2008 e será finalizado no início de 2010.

Georeferenciamento – O equipamento, cuja primeira versão estará pronta ainda este ano, calcula e determina todo comportamento matemático de um trem em operações como a de descida – uma das mais difíceis e arriscadas. Por meio dele, o maquinista pode saber antecipadamente como controlar o sistema de freio da composição ao trafegar por uma região serrana, e ter um panorama completo do ambiente sob diversas condições climáticas. “O simulador faz a aplicação de freio numérica que o operador deve empregar quando estiver conduzindo efetivamente uma locomotiva e reproduz fielmente o ambiente, incluindo sons e imagens”, explica Barbosa.

Inicialmente, a ferramenta simulará um trecho da malha ferroviária brasileira operado pela Vale, a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), que possui 905 quilômetros de extensão. Mas por meio de um sistema de georeferenciamento das vias férreas que foi incorporado ao software brasileiro e que os simuladores estrangeiros não possuem, será possível calibrá-lo para operar em toda a malha do Brasil e de outros países. Entre eles Moçambique, na África, onde a empresa adquiriu uma mineradora e também montará um sistema de transporte ferroviário. “Nós precisaremos, simplesmente, importar o mapa dessa região e colocá-lo no simulador para visualizarmos, automaticamente, toda topografia e relevo da região”, conta Barbosa.

Pelo sistema, a descrição da geometria das vias férreas é feita através de pontos de controle, como montanhas, de uma imagem ou mapa, que são obtidos por meio de dispositivos de medição e localização, como os GPSs. Ao combinar essa descrição com o mapa real do relevo das áreas, o simulador brasileiro poderá fazer uma representação muito mais fiel do sistema ferroviário que os sistemas importados.