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Poli/USP cria porcelana de ossos com matérias-primas brasileiras

Feita de cinzas de ossos bovinos, a porcelana apresenta potencial
de utilização para bioimplantes ósseos e odontológicos.

Uma porcelana com matéria-prima totalmente brasileira foi desenvolvida pelo pesquisador Ricardo Miyahara do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP). Utilizando cinzas de ossos bovinos, caulim (tipo de argila) e feldspato (rocha dotada de propriedade fundente), o pesquisador chegou a uma porcelana com maior alvura, leveza, resistência e propriedades comparáveis às do material inglês, que emprega, entre outras matérias-primas, o cornish stone.

A pesquisa é resultado de uma tese de doutoramento e foi realizada, em escala de laboratório, sob a orientação do professor Samuel Marcio Toffoli. A seqüência do estudo visa também avaliar a possibilidade de fabricação industrial desse tipo de porcelana no Brasil, uma vez que, além da Inglaterra, que produz porcelana de ossos desde o século dezoito, apenas os Estados Unidos e a China fabricam esse tipo de cerâmica. No mercado brasileiro é raro encontrar esse tipo de porcelana por causa do preço elevado do material.

Tecnologia – A chave para uma porcelana de ossos de qualidade está no controle das condições de produção. A formulação (50% de cinzas de ossos, 20% de caulim e 30% de feldspato), associada à longa moagem das matérias-primas e à temperatura ideal de queima do material (1270 graus Celsius) resultou numa porcelana de ossos quase duas vezes mais resistente que a porcelana comum e tão branca quanto a porcelana de ossos inglesa.

As cinzas de ossos apresentam potencial de utilização para produzir bioimplantes ósseos e odontológicos, substituindo materiais como a platina, que podem causar rejeição em alguns casos. Segundo o pesquisador, os ossos, depois de lavados e queimados, transformam-se em hidroxiapatita, material dotado de propriedades de biocompatibilidade.

As próximas etapas, para a comercialização do produto, dependem de dois estudos a serem realizados. O primeiro é avaliar a aplicação e compatibilidade do esmalte (camada vítrea impermeável que recobre o produto) e depois melhorar a resistência do material antes da queima, que ainda é baixa. “Para a produção caseira não tem problema, mas em escala industrial fica complicado manusear a peça com muita delicadeza”, explica Miyahara.

 

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