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Pesquisa da Poli reduz em até 20% o uso de defensivos agrícolas em laranjais

Técnica de geoestatística possibilitou diminuir o custo operacional da Citrovita. 

Pesquisadores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) conseguiram reduzir em até 20% o uso de defensivos agrícolas em laranjais, por meio da aplicação de técnicas geoestatísticas, normalmente empregadas em geologia e mineração. O trabalho foi desenvolvido numa área piloto das plantações de laranja da Citrovita Agro Pecuária, empresa do Grupo Votorantim, pela mestranda Miriam Okumura, orientada pelo engenheiro de Minas Giorgio De Tomi, do Laboratório de Planejamento e Otimização de Lavra (Lapol), do Departamento de Engenharia de Minas e de Petróleo, da Poli. A técnica pode ser replicada em outros tipos de lavoura.

Os resultados do trabalho na Citrovita foram tão bons que a pesquisa recebeu o Prêmio CNI 2005 (segundo lugar), conferido pela Confederação Nacional da Indústria, na categoria Parcerias para a Inovação Tecnológica, modalidade Universidade-Empresa. Com o título Redução do impacto ambiental e custos de aplicação de defensivos na citricultura (Projeto Lapol-Citrus), a experiência contou com apoio da empresa Datamine Latin América Comércio e Serviços de Informática, de São Paulo, que forneceu os softwares para o trabalho.

Segundo De Tomi, o projeto foi concebido para apoiar a tomada de decisões no planejamento de aplicação de defensivos agrícolas, levando em conta a incerteza da distribuição dos focos de pragas e doenças nos pomares. “Pela metodologia que vinha sendo empregada pelo Citrovita, os laranjais eram divididos, para fins de aplicação de defensivos, em grandes quadras de até 100 hectares”, explica De Tomi. “Quando um foco de praga de nível elevado era localizado numa dessas quadras, toda ela recebia defensivo. Essa prática, embora gerasse resultados, implicava em altos custos e elevado impacto ambiental.”

Inovação - A grande inovação do trabalho dos pesquisadores da Poli foi a modelagem precisa da distribuição espacial de doenças nos pomares por meio da utilização de técnicas geoestatísticas, comuns e típicas na mineração. “A modelagem de precisão permitiu um planejamento detalhado da aplicação localizada de defensivos agrícolas”, diz De Tomi. “Isso gerou uma redução significativa do consumo de defensivos, minimizando o impacto ambiental e reduzindo os custos operacionais do pomar.”

De Tomi explica que na geologia e na mineração é comum a aplicação de técnicas geoestatísticas, partindo-se de variáveis já conhecidas, como a história da formação do solo e subsolo de uma determinada região, se no local houve ou não vulcanismo no passado, se é ou não uma área de sedimentação, entre outras. A partir dessas informações e de amostragens sistemáticas, é possível prever que minério ou material poderá ser encontrado abaixo da superfície.

As mesmas técnicas foram empregadas para prever a distribuição de pragas num pomar, só que usando outras variáveis. “Nesse caso, as variáveis são a geografia da área, os ventos predominantes, a umidade do local, fatores climáticos”, explica Miriam. “Com esses dados, podemos prever para onde um determinado foco de praga vai se dirigir, se ampliar. Essa distribuição não é aleatória. Conhecendo-se as pragas e suas variáveis de controle, é possível prever onde se deve usar os defensivos agrícolas. Isso aumenta a eficiência de seu uso, diminuindo o desperdício e o impacto ambiental.”

 

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