{"id":417,"date":"2010-03-22T18:06:14","date_gmt":"2010-03-22T21:06:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.poli.usp.br\/noticias\/arquivo-qem-focoq\/417-experiencia-tupiniquim.html"},"modified":"2018-09-10T00:00:46","modified_gmt":"2018-09-10T03:00:46","slug":"experiencia-tupiniquim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.poli.usp.br\/en\/noticias\/experiencia-tupiniquim\/","title":{"rendered":"Experi\u00eancia tupiniquim"},"content":{"rendered":"<div>A experi\u00eancia das multinacionais brasileiras em territ\u00f3rio estrangeiro, objeto de pesquisa da Escola Polit\u00e9cnica, deve auxiliar outras companhias a ingressarem no mercado internacional.<\/div>\n<div>\n<p>Primeiro, foram as empresas norte-americanas que invadiram o mercado internacional com suas marcas nos anos de 1950 e 1960. Na d\u00e9cada de 1980 foi a vez das ind\u00fastrias japonesas. Agora, s\u00e3o as companhias brasileiras, juntamente com as dos pa\u00edses que formam o BRIC, que est\u00e3o disputando a denominada \u201cterceira onda\u201d de internacionaliza\u00e7\u00e3o. As li\u00e7\u00f5es da incurs\u00e3o das empresas tupiniquins em territ\u00f3rio estrangeiro est\u00e3o sendo reunidas e estudadas pela Escola Polit\u00e9cnica da Universidade de S\u00e3o Paulo (Poli\/USP).<\/p>\n<p>Trata-se de um projeto tem\u00e1tico de pesquisa iniciado em 2006 por pesquisadores do Departamento de Engenharia de Produ\u00e7\u00e3o (PRO), em parceria com outros departamentos da USP, com o objetivo de gerar conhecimento sobre o processo de internacionaliza\u00e7\u00e3o das empresas brasileiras ap\u00f3s o advento da globaliza\u00e7\u00e3o. Denominado <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.pro.poli.usp.br\/ginebra\">projeto Ginebra<\/a> (Gest\u00e3o Empresarial para a Internacionaliza\u00e7\u00e3o das Empresas Brasileiras), o estudo ser\u00e1 conclu\u00eddo em 2010 e visa fornecer par\u00e2metros para outras empresas que decidirem seguir o mesmo caminho, bem como fornecer subs\u00eddios para a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas na \u00e1rea.<\/p>\n<p><strong>Peculiaridades verde-amarelo \u2013<\/strong> Uma das constata\u00e7\u00f5es da pesquisa \u00e9 que o processo de internacionaliza\u00e7\u00e3o das empresas brasileiras apresenta caracter\u00edsticas diferentes das de outros pa\u00edses por estar baseada num tipo particular de sistema de gest\u00e3o. \u201cAo contr\u00e1rio das empresas japonesas, que se internacionalizaram por meio da implanta\u00e7\u00e3o de <em>greenfields <\/em>\u2013 novas plantas \u2013, as empresas brasileiras se internacionalizam mais por meio da aquisi\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas no exterior. Com isso, ganham mais rapidez no acesso a novos mercados, mas t\u00eam maior dificuldade de desenvolver sistemas de gest\u00e3o internacional\u201d, explica o coordenador do projeto, o professor Afonso Fleury.<\/p>\n<p>Outra caracter\u00edstica \u00e9 a dificuldade de estabelecer parcerias entre empresas. Ao contr\u00e1rio do modelo de esquadra adotado pela Cor\u00e9ia, por exemplo, em que as empresas invadiram o mercado internacional em um movimento coordenado, as ind\u00fastrias brasileiras se internacionalizam de modo mais individualizado. \u201cH\u00e1 uma variedade grande de empresas brasileiras se internacionalizando, mas que ainda n\u00e3o t\u00eam muita rela\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o entre si. Ao se internacionalizarem, elas seguem a filosofia latina do cada um por si e Deus por todos\u201d, diz o professor Fleury.<\/p>\n<p>As empresas brasileiras tamb\u00e9m tendem a se movimentar nas cadeias globais de produ\u00e7\u00e3o. Exemplo disso \u00e9 uma grande ind\u00fastria brasileira de a\u00e7o que ingressou nos EUA, inicialmente fornecendo o produto para a constru\u00e7\u00e3o civil. Posteriormente, ela se movimentou para a cadeia automotiva por meio da aquisi\u00e7\u00e3o de uma ind\u00fastria espanhola. \u201cTodas as empresas bem-sucedidas est\u00e3o fazendo isso. Porque se permanecerem em uma determinada posi\u00e7\u00e3o correm o risco de se depararem com outro competidor melhor e serem eliminadas\u201d, diz. \u201cA permanente busca de posi\u00e7\u00f5es de maior poder de comando nas cadeias globais de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 absolutamente fundamental\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p><strong>Vantagens competitivas \u2013 <\/strong>A exposi\u00e7\u00e3o internacional do Brasil desde a d\u00e9cada de 1950 e a instabilidade econ\u00f4mica hist\u00f3rica do Pa\u00eds conferiram \u00e0s empresas brasileiras vantagens competitivas sobre as dos pa\u00edses concorrentes na disputa pelo mercado internacional, que hoje apresenta caracter\u00edsticas de crescente turbul\u00eancia. \u201cDeterminadas ind\u00fastrias no Brasil t\u00eam uma compet\u00eancia em gest\u00e3o em produ\u00e7\u00e3o que \u00e9 de classe mundial. E, talvez por circunst\u00e2ncias ambientais, tamb\u00e9m t\u00eam um <em>know how <\/em>em gest\u00e3o financeira destacado. Em um caso de crise econ\u00f4mica mundial, como o que est\u00e1 ocorrendo agora, essas compet\u00eancias s\u00e3o diferenciadas\u201d, compara.<\/p>\n<p>De acordo com o especialista, essas compet\u00eancias come\u00e7aram a ser consolidadas pelas empresas brasileiras na d\u00e9cada de 1990 com a globaliza\u00e7\u00e3o, quando come\u00e7aram a ocorrer mudan\u00e7as nas bases de competi\u00e7\u00e3o nos mercados interno e externo. Na \u00e9poca, diversas companhias nacionais faliram ou foram vendidas para grupos estrangeiros. As que resistiram e decidiram continuar na competi\u00e7\u00e3o tiveram que entender quais eram os seus pontos fortes e fracos \u2013 as suas compet\u00eancias essenciais \u2013, desenvolver modelos de gest\u00e3o apropriados e qualificar seus quadros diretivos para fazer frente \u00e0 concorr\u00eancia tanto local quanto estrangeira.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 por acaso que os primeiros cursos de MBA que surgiram no Brasil datam do come\u00e7o dos anos 1990. Com isso se criou uma massa de executivos no Pa\u00eds que tem viv\u00eancia internacional, com <em>global mindset<\/em>. Isso n\u00e3o existia antes e fez uma diferen\u00e7a brutal\u201d, conta Fleury.<\/p>\n<p>Ele lembra que algumas empresas brasileiras j\u00e1 vinham trabalhando em um contexto de abertura internacional desde 1950, quando as ind\u00fastrias estrangeiras come\u00e7aram a entrar em bloco no Brasil. O que n\u00e3o \u00e9 o caso das empresas chinesas, russas e indianas. \u201cN\u00f3s estamos acumulando compet\u00eancias h\u00e1 mais tempo e isso vai gerar um novo modelo de administra\u00e7\u00e3o, com caracter\u00edsticas extremamente fortes e competitivas\u201d, diz. Por outro lado, a compet\u00eancia em gest\u00e3o de recursos humanos, priorit\u00e1ria para o processo de internacionaliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 a que apresenta o maior desafio para as multinacionais brasileiras.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Pa\u00eds precisa de sele\u00e7\u00e3o de craques<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Tal como ocorre nos esportes, em geral, os pa\u00edses tamb\u00e9m competem no com\u00e9rcio internacional por meio da sele\u00e7\u00e3o de suas melhores empresas \u2013 n\u00e3o por acaso chamadas <em>global players<\/em>. Nessa disputa, o Brasil apresenta algumas vantagens, mas se n\u00e3o continuar produzindo novos craques para exporta\u00e7\u00e3o, a exemplo do que faz no futebol, pode assistir de camarote \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o do mercado global por outros pa\u00edses que formam o BRIC, alerta o professor do Departamento de Engenharia de Produ\u00e7\u00e3o (PRO) da Poli, Afonso Fleury.<\/p>\n<p>\u201cA ideia da China de tornar suas empresas campe\u00e3s mundiais foi decidida em 1979 com o in\u00edcio das mudan\u00e7as no regime pol\u00edtico do pa\u00eds, e n\u00e3o agora, como parece\u201d, diz. \u201cNessa \u00e9poca, o pa\u00eds planejou que, em 2010, teria 40 empresas na lista das 500 maiores do mundo. Em 2008 j\u00e1 tinha 26. E se ele, junto com a \u00cdndia e a R\u00fassia, conseguir essa fa\u00e7anha, o Brasil ter\u00e1 cada vez menos espa\u00e7o no mercado internacional\u201d, analisa. O especialista pondera que a participa\u00e7\u00e3o no mercado internacional n\u00e3o est\u00e1 relacionada apenas aos fluxos de investimento e volumes de exporta\u00e7\u00e3o. \u201cTamb\u00e9m \u00e9 uma quest\u00e3o de comando. Diz respeito sobre quem, o que, onde, como e quanto produzir\u201d.<\/p>\n<p>Segundo ele, existem atualmente cerca de 80 mil empresas multinacionais, com um milh\u00e3o de subsidi\u00e1rias espalhadas pelo mundo. N\u00e3o h\u00e1 uma estimativa oficial do n\u00famero de empresas brasileiras internacionalizadas. No estudo da Poli foram rastreadas at\u00e9 agora 81. Elas est\u00e3o localizadas principalmente em pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, Europa e Am\u00e9rica do Norte. Apesar da crise mundial, os investimentos das tupiniquins em territ\u00f3rio estrangeiro continuam crescendo. Entretanto, o processo de internacionaliza\u00e7\u00e3o delas \u00e9 mais moroso do que a de outros pa\u00edses do BRIC devido, principalmente, \u00e0s complexas rela\u00e7\u00f5es e \u00e0 falta de incentivos governamentais.<\/p>\n<p>\u201cO problema do apoio financeiro para as empresas brasileiras se internacionalizarem at\u00e9 hoje n\u00e3o foi solucionado\u201d, aponta. \u201cS\u00f3 ter ag\u00eancias como a Apex \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Promo\u00e7\u00e3o de Exporta\u00e7\u00f5es e Investimentos \u2013 n\u00e3o impulsionar\u00e1 a cria\u00e7\u00e3o de empresas brasileiras campe\u00e3s globais\u201d, avalia. \u00a0Fleury espera que esse cen\u00e1rio mude com a Pol\u00edtica de Desenvolvimento Produtivo (PDP), lan\u00e7ada pelo governo no in\u00edcio de 2009, que fixou a internacionaliza\u00e7\u00e3o das empresas brasileiras como uma de suas principais metas.\u00a0<\/p>\n<\/p><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div>A experi\u00eancia das multinacionais brasileiras em territ\u00f3rio estrangeiro, objeto de pesquisa da Escola Polit\u00e9cnica, deve auxiliar outras companhias a ingressarem no mercado internacional.<\/div>","protected":false},"author":2,"featured_media":747,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"event_title":"","event_details":"","event_timezone":"","event_gmap":"","event_image":"","event_image_url":"","event_calendar_link":"","event_location":"","event_datetime_with_summary":"","event_datetime":"","event_date":"","event_time":"","event_date_type":"","event_rulesummary":"","event_ticket_rsvp":"","event_capacity":"","event_capacity_remaining":"","event_capacity_sold":"","event_sold_out":"","event_low_stock":"","event_ticket_count":"","event_ticket_summary":"","event_sales_start":"","event_sales_end":"","event_ticket_price_from":"","event_ticket_price_to":"","event_ticket_price_range":"","event_date_year":"","event_date_month":"","event_date_month_short":"","event_date_day":"","event_date_day_name":"","event_date_iso":"","event_rsvp_capacity":"","event_rsvp_remaining":"","event_rsvp_going":"","event_rsvp_full":"","footnotes":""},"categories":[13],"tags":[808,166,185],"coauthors":[],"class_list":["post-417","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-afonso-carlos-correa-fleury-72","tag-arquivo-em-foco","tag-pro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.poli.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/417","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.poli.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.poli.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.poli.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.poli.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=417"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.poli.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/417\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3865,"href":"https:\/\/www.poli.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/417\/revisions\/3865"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.poli.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/747"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.poli.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=417"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.poli.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=417"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.poli.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=417"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.poli.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=417"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}