Aluno da Poli-USP tem desempenho premiado em universidade italiana

Em intercâmbio no Politecnico di Torino, o futuro engenheiro Bruno Ferrari, de 23 anos, nascido na capital paulistana, se destacou entre os estudantes estrangeiros.

Bruno Ferrari, estudante de Engenharia Metalúrgica da Poli USP, em frente ao Instituto Politécnico. (Foto: Acervo pessoal). 

O estudante da Escola Politécnica (Poli) da USP, Bruno Ferrari, foi nomeado, em dezembro de 2019, embaixador do Politecnico di Torino, por ser um dos 15 estudantes estrangeiros com melhor desempenho acadêmico durante o seu intercâmbio na instituição na Itália. Ele estudou na renomada instituição italiana por meio do programa de duplo diploma conveniado com a Poli. 

A nomeação aconteceu em uma solenidade com participação do reitor da universidade italiana. A posição de embaixador de Bruno Ferrari implica que o politécnico participe de atividades diplomáticas para ajudar o programa Politecnico di Torino a estreitar os laços com a Universidade de São Paulo. Bruno, por exemplo, entregará um presente simbólico  ao Reitor da USP que mostra o reconhecimento do aluno e de sua universidade de origem. 

Todo desenvolvimento acadêmico ao longo dos dois anos e seis meses, no Politecnico di Torino, rendeu ao jovem estudante a posição de embaixador durante as comemorações do aniversário de 160 anos daquela universidade. Para os alunos que pensam em fazer programa de duplo diploma, pela Escola Politécnica, Bruno, por meio da sua experiência, deixa uma dica fundamental: 

“É importante olhar o currículo dos cursos, as ementas das disciplinas e o projeto pedagógico da universidade de destino, e ver se tudo isso se encaixa com o seu projeto profissional. É necessário que o aluno se prepare com antecedência em termos de idioma, pois isto é levado em conta no processo seletivo e pode evitar confusões, e sensação de estar perdido especialmente nas primeiras semanas de aula. Mesmo nas universidades em que as aulas são em inglês, se possível eu recomendaria também que o aluno aprenda a língua local, pois na rua muitas vezes as pessoas em geral não falam inglês, e tudo é mais fácil quando se fala a língua local, inclusive fazer amigos”.

Bruno Ferrari, estudante Engenharia Metalúrgica na Poli, conta que a oportunidade do intercâmbio contribuiu para a sua formação de muitas formas:

“No âmbito pessoal, amadureci muito e aprendi a cozinhar, me virar sozinho e lidar com a saudade. Fiz muitos amigos internacionais (networking), melhorei meu italiano e também meu inglês. Em termos acadêmico-profissionais, tive maior contato com disciplinas que tratavam de materiais avançados para aplicações de ponta, que não são o foco principal do curso na Poli, em função da diferentes realidades em termos de mercado e parque tecnológico dos países europeus e do Brasil”. 

O estudante politécnico enfatiza que, na Itália, os produtos industriais em geral possuem maior valor agregado. Essa característica influencia também nos materiais abordados no curso: 

“Em compensação, a Poli oferece um conteúdo muito mais sólido na parte de siderurgia e metalurgia extrativa, por exemplo. Assim, mesmo os conteúdos similares eram apresentados com abordagem e enfoque diferentes, o que muito contribuiu para o meu conhecimento e aprendizado”. 

Outro ponto destacado por Bruno foi o contato com o universo da pesquisa. A universidade deu a ele a oportunidade de trabalhar em um laboratório dentro do campus universitário durante 7 meses:

“Confirmei meu interesse pela área mais técnica, tenho mais clareza das possibilidades que posso explorar, e descobri algumas trajetórias profissionais que eu não considerava antes. A indústria joalheira e de metais preciosos, por exemplo, muito forte em Turim”.

Na Poli, o estudante lembra que conseguiu manter boas notas, e não ficar em dependência nas disciplinas. Para aproveitar ao máximo o que o curso e a universidade ofereciam, ele participou de atividades extracurriculares como o Poli Milhagem, uma equipe que projeta e constrói veículos de alta eficiência energética; iniciação científica no Laboratório de Processos Cerâmicos (LPC) com o professor Douglas Gouvêa; e a Rateria, bateria da faculdade. 

Em relação aos critérios para entrar no programas de duplo diploma, ele tem uma dica:  

“Para se preparar para programas como este, meu conselho é se esforçar para garantir boas notas (o principal critério de seleção) na Poli, mas não se limitar a isto. Atividades extracurriculares, grupos de extensão, voluntariado, participação nas equipes esportivas e, principalmente, iniciação científica são levados em consideração no processo seletivo”. 

Bruno recebendo a nomeação do Reitor, Guido Saracco, do Politecnico di Torino. (Foto: Acervo pessoal)

O programa possibilitou que Bruno trabalhasse com materiais mais avançados tecnologicamente para a aplicação de tecnologias de ponta. No laboratório da universidade o estudante trabalhou com materiais metálicos, mais especificamente com Manufatura Aditiva. Esse tipo de trabalho de pesquisa desenvolve métodos de formação de componentes. Como, por exemplo, a impressão 3D, que é um tipo de manufatura aditiva para polímeros. Ao invés de polímeros, Bruno estudou com metais como a liga de níquel para construção de turbinas de avião.

Além de uma visão mais profunda de sua área de estudos, o convênio de duplo diploma entre a universidade italiana e a Poli lhe deu a oportunidade de conhecer pessoas de diferentes países, ter contato com outro tipo de mercado e, acima de tudo, “me virar sem meus pais”, ele brinca. A possibilidade de intercâmbio e de ter contato com estudantes de diferentes culturas é uma oportunidade concedidas pela Universidade de São Paulo, que tem a Agência USP de Cooperação Nacional e Internacional (AUCANI) dedicada a promover este tipo de atividade não só na graduação, mas no âmbito da pesquisa, intercâmbio de  pós-graduados e docentes. 

Bruno e outros embaixadores saíram em jornal italiano chamado La Stampa. (Foto: Acervo pessoal)

Texto: Beatriz Carneiro (Estagiária de jornalismo).

Revisão: Amanda Rabelo e Rosana Simone.