Reitor divulga novo comunicado para tranquilizar a comunidade acadêmica

Em nova mensagem direcionada a alunos, professores e funcionários, Vahan Agopyan destaca que decisões quanto ao isolamento social seguem protocolos científicos

Sexto comunicado à comunidade acadêmica

Prezada(o) colega,

Estamos vivenciando um longo tempo de isolamento social. Já se passaram cinco semanas de redução das atividades nos campi e seis da suspensão das aulas presenciais. Todavia, mesmo assim, a Universidade de São Paulo (USP) vem cumprindo com sua responsabilidade social e colaborando intensamente com a sociedade.

No meio de toda essa situação atípica, recebemos uma excelente notícia. A USP foi classificada como a 14ª melhor universidade do mundo na avaliação do THE University Impact Ranking. Esta classificação considera, justamente, a ação da instituição na sociedade baseada nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Em função da pandemia, sua divulgação foi pequena, mas preparei um artigo com as minhas considerações.

No Jornal da USP, e agora de maneira mais constante no noticiário da grande imprensa, os resultados dos estudos e feitos da Universidade são enaltecidos, como esperanças de superação e de combate à pandemia.

Os esforços são muitos. As atividades didáticas das disciplinas teóricas continuam em andamento e, certamente, na retomada dos trabalhos, a maioria das turmas de alunos de graduação conseguirá concluir o semestre letivo em curto espaço de tempo. Os trabalhos de pesquisa prosseguem, assim como as atividades culturais e de extensão e a assistência nos hospitais, centros de saúde e nos internatos estudantis e residências.

A preocupação é grande, mas peço que tenham calma. Este comunicado tem o objetivo de tranquilizar a comunidade. É preciso reduzir a nossa ansiedade. Muitas informações que estão circulando não se baseiam em dados consolidados, o que requer, continuamente, alterações no planejamento.

Diante deste cenário, só é possível fazer planos de curto prazo. Para ilustrar essa dificuldade, lembro que, no dia 23/4, no horário do almoço, o governador apresentou um esboço de plano para o retorno às atividades. Duas horas depois, soube-se que o número diário de vítimas da covid-19 tinha dobrado e, à noite, um novo esboço estava sendo elaborado. É por isso que peço cautela a todos vocês.

Certamente não voltaremos às aulas presenciais no dia 11 de maio e, no momento, quaisquer previsões serão meras suposições, sem maior embasamento. A Universidade está participando das discussões no âmbito da Secretaria de Estado da Educação. Além de seguirmos o protocolo padrão geral, que deverá ser apresentado no dia 8 de maio pelo Governo Estadual, e do protocolo situacional da Educação, a USP está preparando um protocolo especial, elaborado pelas Pró-Reitorias, com o apoio do nosso Grupo de Trabalho da Covid-19, a fim de atender às nossas especificidades.

Nossa dimensão física e diversidade fazem com que, em um mesmo campus, tenhamos diferentes condições de relacionamento social a serem consideradas. Tudo está sendo feito para que o retorno seja o mais seguro possível. Nada será precipitado, pois sabemos que uma parcela significativa dos nossos alunos habita longe do campus onde estudam e precisam de tempo para organizar o retorno.

O mesmo grau de incerteza persiste no que se refere ao aspecto financeiro da Universidade. Sabemos que o repasse da cota-parte do ICMS do mês de abril está sendo muito afetado o que, provavelmente, continuará ocorrendo em maio e junho. Não se sabe, porém, como a economia brasileira reagirá após o retorno às atividades, já que ainda não há exemplos provenientes do exterior quanto a esse cenário.

A discussão sobre o dissídio foi postergada por solicitação do Fórum das Seis. A Codage está sendo cautelosa. Iniciamos a redução das despesas não essenciais, a análise de contratos e o controle de gastos com investimentos e obras. Contudo, seguimos priorizando os compromissos com os salários e com as Unidades, mantendo as obrigações fiscais e seguindo a decisão do Cruesp de postergar pagamentos, de acordo com as orientações dos recentes decretos federais.

Sei como é difícil mantermos a paciência e a calma após esse longo período de isolamento, mas é preciso termos a mesma determinação para sair dessa situação o mais rápido possível.

Reitero e reforço os meus agradecimentos a toda a comunidade – funcionários, alunos e docentes – pelo imenso esforço que vêm empreendendo para que as atividades essenciais não parem e a Universidade continue servindo à sociedade.

Novamente faço um agradecimento especial aos colegas da área da saúde, que, agora, sob forte pressão, estão mantendo o atendimento nos complexos hospitalares.

Espero revê-los em breve, após essa crise, e desejo muita saúde a todos.

Vahan Agopyan, reitor

27/4/2020

 

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