Pesquisadores da Poli-USP estudam formas de diminuir emissões de carbono nas navegações

A construção de um navio é um sistema extremamente complexo, que deve considerar diversos fatores para que a navegação atenda aos seus objetivos. Desde início dos anos 2000, o órgão internacional que regulamenta o transporte marítimo internacional, o International Maritime Organization (IMO), estabelece limites para a emissão de poluentes e gases de efeito estufa, o que demanda da indústria a incorporação de projetos que tornem os navios cada vez mais eficientes. O formato e a tecnologia dos cascos, velas rotativas, motores e até mesmo a forma como a carga é distribuída na embarcação permitem que seja necessário menos combustível, garantindo assim um transporte marítimo mais sustentável.

Uma equipe de pesquisadores da Escola Politécnica (Poli) da USP, que atua no Tanque de Provas Numérico (TPN), um laboratório de reconhecimento internacional, se dedica a estudar como essas tecnologias podem aumentar a eficiência de uma embarcação. O professor da Escola Politécnica (Poli) da USP, Cláudio Mueller Prado Sampaio, conta que usando o conhecimento adquirido em estudos e simulações, é possível implementar as melhores soluções por meio de técnicas, softwares e tecnologias para dar suporte para a indústria.

“Quanto menor o consumo de combustível, menor o nível de emissões. Neste sentido, até pequenas modificações são vantajosas”, explica Mueller. Um exemplo de novas tecnologias que podem ser implantadas neste sentido, é o uso de velas rotativas, que dependendo da rota pode significar uma economia importante de combustível. O desempenho do navio também pode ser aprimorado através des estudos integrados entre suas formas e o propulsor ou através da criação de uma camada de ar, tecnologia inovadora que reduz  sua resistência à água por meio da criação de uma camada de ar entre o casco e a água. O TPN tem um grupo de pesquisa que vem trabalhando há alguns anos nestes estudos, buscando entender como alcançar uma maior eficiência dos navios em termos de cascos, motores, e diversos aspectos, como o arranjo, ou seja, a forma como a carga é estruturada e distribuída no navio.

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