Engenheiros formados na Poli utilizam pesquisa e desenvolvimento como diferencial no setor privado

A partir da formação científica recebida em uma universidade de pesquisa, engenheiros da Dynamine desenvolvem soluções para problemas de empresas na área de mineração

No cenário brasileiro, o desenvolvimento de pesquisas e novas tecnologias não é muito comum no setor privado. Essa é uma atividade mais realizada pelas Universidades e Institutos Públicos, como a Escola Politécnica (Poli) da USP. Segundo o número de patentes registradas no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) entre 2010 e 2019, apenas quatro empresas do setor privado estão entre os 25 maiores depositantes de patentes residentes no país.

Já uma estimativa preliminar do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), aponta que o dispêndio em projetos de Pesquisa e Desenvolvimento no Brasil foi de 1,1% do PIB em 2017/2018, desse valor, 0,6% são do setor público e 0,5% do setor privado. “O dispêndio em Pesquisa e Desenvolvimento no Brasil é baixo tanto no setor público quanto no privado. O setor privado investe pouco, pois a base industrial brasileira inova pouco: seu forte são produtos sem diferenciação (commodities industriais), há poucos centros de Pesquisa e Desenvolvimento de empresas estrangeiras, que fazem desenvolvimento em outros locais para produzir aqui (quando produzem)”, explica o professor Mário Salerno, da Poli.

Na contramão dessa realidade, engenheiros da Poli fundaram a empresa Dynamine, que além de prestar consultorias na área de mineração, também desenvolve pesquisas que contribuirão com o desenvolvimento de novos conceitos em Engenharia.

A Dynamine foi criada em 2012, quando quatros politécnicos recém-formados em Engenharia de Minas resolveram fundar uma empresa de consultoria no setor da mineração. Na época, cada um dos membros fundadores trabalhava em uma área diferente da mineração, como projetos e gerenciamento, assim, eles decidiram unir seus conhecimentos para abrir uma companhia diferente. Atualmente, a Dynamine conta com dois sócios que são Engenheiros de Minas pela Poli, e atua principalmente com Simulação Dinâmica, um modelo matemático que analisa a produção das minas.

 

Pesquisa no setor privado

A Dynamine apresenta uma relação com o meio acadêmico desde sua fundação. Um dos sócios, Dennis Travagini, além de consultor, também é professor universitário e já lecionou na Poli. Como os membros da empresa já desenvolviam pesquisa na academia, foi mais fácil para a companhia entrar para esta área e receber apoio dos fundos de investimento.

Hoje, a empresa recebe o apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) para a realização de dois projetos de inovação, os quais objetivam desenvolver sistemas novos para a mineração. “A Fapesp olha muito para empresas que possuem partes acadêmicas e empresariais simultaneamente, pois isso facilita que os projetos de inovação sigam as boas práticas de um projeto de pesquisa e para que o produto seja viável economicamente”, fala Travagini.

A empresa também se relaciona com a academia por meio da publicação de aulas e cursos gratuitos. No site da Dynamine, há o espaço “Acadêmico”, no qual são disponibilizados artigos, vídeo-aulas, documentos e outros conteúdos educativos. No início da pandemia de covid-19, eles também realizaram um curso gratuito para os profissionais e estudantes da área.

Além disso, a companhia também busca que outras empresas desenvolvam e divulguem pesquisas e estudos, sendo que para isso foi criado o Prêmio Dynamine de Inovação, que acontece de dois em dois anos e premia projetos inovadores dentro da Engenharia. O intuito da premiação é divulgar os projetos e incentivar que mais pessoas trabalhem com atividades inovadoras. “Uma coisa que a gente via é que a pessoa fazia uma inovação na empresa dela e aquilo morria. A gente pensou que isso tem que ser divulgado. As outras empresas têm que fazer também, pois é algo bom para a sociedade. Além disso, aquelas pessoas que trabalham com inovação precisam ser vistas”, explica Travagini.

 

Trabalho em home office

Em 2020, com o início da pandemia de covid-19 no Brasil, muitas empresas precisaram mudar a sua forma de trabalhar e migrar provisoriamente para home office. Ao contrário da maioria das companhias, todos os funcionários da Dynamine já trabalhavam totalmente em home office desde a fundação da empresa em 2012. No começo da companhia, muitas pessoas estranharam o modelo de trabalho deles: “Nossa, como assim vocês não tem uma sede da empresa?”, relembra o fundador.

O home office permitiu que hoje a Dynamine tenha um time composto por profissionais que residem em diferentes países, como Brasil, Chile e Inglaterra. “É legal que a gente pode ter contato com todo mundo para fazer projetos”. A empresa só precisou de um espaço de coworking, quando foi apoiada pela Fapesp e necessitou que os equipamentos de pesquisa ficassem à disposição para todos os pesquisadores simultaneamente.

A opção por trabalhar remotamente  desde a criação da empresa permitiu  que eles já estivessem preparados para a quarentena. Em razão disso, a Dynamine não enfrentou problemas nesse período e conseguiu aumentar seu faturamento.

 

Os aprendizados da Poli no mercado de trabalho

Cálculo, física, laboratório, estatística, topografia, administração e economia são algumas das matérias que os membros da Dynamine aprenderam na Poli e usam recorrentemente no cotidiano da empresa. 

Uma das principais atividades desenvolvidas na Dynamine é a simulação dinâmica, que é um modelo matemático que simula a produção de uma mineração ao longo dos anos, com o intuito de analisar se a produção será atendida. “Quando a gente vai fazer toda essa análise, tanto dos dados de entrada, quanto os dados de saída, a gente usa muita estatística. Toda essa parte estatística que tem forte na Poli é algo que a gente usa muito e quando estamos na universidade não damos muito valor para aquilo. E cada vez mais a estatística será utilizada no futuro”, comenta o politécnico.

“Um diferencial da Poli é que ela faz você aprender a se virar e a correr atrás e isso é essencial para o profissional que está hoje trabalhando, porque não vai ter um manual de como conseguir o resultado, ele tem que sair da caixinha para procurar outra solução”, explana o sócio-fundador. 

Além dessas contribuições, os engenheiros destacam que a Poli também foi determinante para a fundação da Dynamine por meio dos professores Giorgio de Tomi e Homero Delboni, do Departamento de Minas e de Petróleo, que em suas aulas costumam dar dicas sobre empreendedorismo e o mercado de trabalho. Esse suporte dos docentes incentivou Travagini e seus colegas a fundar a Dynamine.

Acesse aqui o site da empresa.