Poli-USP comemora os 50 anos do Patinho Feio, primeiro computador brasileiro

Em solenidade, membros da comunidade politécnica receberam autoridades e homenagearam os idealizadores e construtores do 1º computador feito no Brasil

Na manhã do dia 22 de setembro de 2022, a Escola Politécnica (Poli) da USP realizou a solenidade em comemoração aos 50 anos do primeiro computador brasileiro, o Patinho Feio.

A Poli e a Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE) prestaram homenagem aos construtores do computador, entre eles professores e alunos da Escola, que ajudaram a inaugurá-lo em 24 de julho de 1972 e contribuem até hoje com o extenso legado para o ensino, pesquisa e formação acadêmica. 

O evento contou com a participação de diversas autoridades, entre elas o Reitor da Universidade, Carlos Gilberto Carlotti Júnior, o diretor da Poli, Reinaldo Giudici, o ex-reitor da USP e professor da Escola Politécnica, Vahan Agopyan, o ex-diretor da Poli e professor do Departamento de Engenharia de Telecomunicações e Controle, José Roberto Castilho Piqueira, e do professor e chefe do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais, Jaime Sichman.

As autoridades abordaram a mudança de paradigma que o Patinho Feio promoveu para a USP e para a tecnologia. “O desenvolvimento que esta equipe do fim da década de 1960 e começo da década de 1970 fez para o País é inigualável”, pontuou Vahan Agopyan. “Essas senhoras e senhores foram revolucionários, não somente inovadores. Tiveram a coragem de propor um modelo que foi aceito pela Universidade em momentos críticos, após o período do AI-5, com professores cassados e desaparecidos, inclusive dentro da Escola Politécnica. Esses jovens conseguiram criar um modelo, liderados pelo professor Antonio Hélio Guerra Vieira. Então é para comemorar, é para ficar emocionado”. 

O Reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Júnior, com desejo de difundir a história da Universidade na vida da comunidade uspiana, para que sintam o estímulo da pesquisa e realização dos projetos acadêmicos, propôs que o computador seja um caminho para o reconhecimento da pesquisa feita na USP. 

Após as palavras das autoridades, todos os membros do projeto foram homenageados e receberam prêmios como reconhecimento por suas contribuições. Em seguida, foi feita uma demonstração do funcionamento do emulador do Patinho Feio pelo politécnico Felipe Sanches, que desenvolveu um estudo historiográfico sobre a parte humana e técnica do projeto. 

Na finalização da celebração, o professor José Roberto Castilho Piqueira mediou uma roda de conversa com os construtores do Patinho Feio. Ao estilo talk show, para debateram sobre a concepção e legado do computador, os professores Antonio Marcos de Aguirra Massola, Vinicius José de Souza, Edith Grassiani de Lino Campos, Edith Ranzini, João José Neto, Lucas Antonio Moscato, Maria Alice de Grigas Varella, Marcelo Schnek de Paula Pessoa, Paulo Patullo, Selma Shin Shimizu Melnikoff, Silvio Benito Martini, Victor Francisco de Barros e Wilson Ruggiero.

“A contribuição do Patinho Feio para o ensino começou com as mudanças na Educação Superior nos anos 1970. Como professores, quando damos uma aula sobre um assunto que aprendemos nos livros os resultados gerados respondem algumas perguntas, mas quando damos uma aula sobre um assunto que além de termos aprendido nos livros, nós vivenciamos também, os problemas que o assunto traz tornam as aulas ainda mais aprofundadas. Enriquecemos e muito a forma de ensinar”, diz Edith Ranzini. “No fundo, a arquitetura, estrutura e concepção do Patinho Feio não são muito diferentes das que se utilizam nos computadores de hoje. O modelo ainda tem muito Ibope!”, finaliza a professora.

Saiba mais sobre a criação e legado do Patinho Feio.

Confira a transmissão da celebração na íntegra. 

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