Formando Engenheiros e Líderes

A patente foi a primeira registrada na Escola de Comunicação e Artes (ECA). Projeto reforça a importância da transdisciplinaridade das pesquisas dentro da USP

[Imagem: Letícia Menezes/Comunicação Poli]

Por Letícia Menezes 

Em agosto de 2025, um grupo de docentes e pesquisadores da Escola de Comunicações e Artes (ECA) e Escola Politécnica (Poli) da USP protocolou um pedido de patente de invenção intitulada “Prótese transformacional e Método de criação e fabricação de uma prótese transformacional”, no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

A iniciativa baseia-se na criação de uma prótese personalizada e customizada, desde a fabricação até o resultado final, para pessoas que possuem um membro amputado. Cada produto é único, a partir da escolha da camada externa que reveste a prótese, os anéis modulares. Eles podem variar em forma, tamanho, cor, quantidade e desenho, a depender da escolha do usuário. Além disso, o sistema possui uma chave, que utiliza o princípio físico de um imã, para facilitar a retirada e a troca dessas peças e esta pode, também, ser customizada a partir de preferências pessoais.

Monica Tavares, coordenadora da pesquisa e docente sênior da ECA, afirmou que as raízes do projeto partem de referências filosóficas e psicanalíticas acerca do processo transformacional. O objeto pode recuperar memórias e, para além da forma, a peça é pensada por um viés temporal, que tem capacidade de ir, constantemente, transformando-se. O conceito da prótese, então, é pensado para romper com a forma tradicional de antropomorfização do objeto, passando a ser visto como um objeto de arte que faz parte do corpo e que pode ser usado da forma como a pessoa se sentir melhor, da mesma forma que brincos, colares e até diferentes estilos de roupa. 

As peças são fabricadas a partir da impressão 3D em tecnologia FDM, usando material  termoplástico PLA, e SLA, que utiliza resina. [Imagem/acervo pessoal: Juliana Henno]

Diversos testes estão sendo realizados em busca da tecnologia mecânica e material que melhor atenda ao protótipo final. Delson Torikai, docente da Poli, pesquisador da caracterização e processamento dos materiais e integrante do pedido de patente, comentou a necessidade de adequar a escolha a um material que atenda aos critérios de funcionalidade. “A maior dificuldade é saber que tipo de material utilizar. Temos que levar em consideração a resistência do material, se ele tem algum tipo de incompatibilidade com a pessoa. Muitos são alergênicos e podem ter problemas de quebra ou de desgaste”.

Os próximos passos do projeto

Chi-Nan Pai, Professor do Departamento de Engenharia Mecatrônica e de Sistemas Mecânicos (PMR) e pesquisador do projeto, explica os impasses atuais que a patente possui para ir adiante e impactar diretamente a sociedade, e evidencia a possibilidade de criação de uma startup ou empresa para viabilizar a fabricação

Os pesquisadores apontam, ainda, a possibilidade de criação de Atividades Extensionistas (AEx) para os estudantes que queiram integrar na produção e no estudo, técnico e artístico, das próteses transformacionais. “Estamos recrutando alunos para a coleta de sinais eletromiográficos, a fim de fazer a interface homem-máquina. Temos estudantes de mestrado envolvidos também. Ao participar da fabricação, por exemplo, o estudante pode aprender e aplicar seus conhecimentos de graduação no desenvolvimento do projeto”.

A partir dessa patente, Chi-Nan Pai, Mônica Tavares e a pós-doutoranda da POLI, Juliana Henn estão desenvolvendo uma tecnologia de baixo-custo para ser disponibilizada no SUS.

A primeira patente

A Escola Politécnica da USP possui mais de 150 patentes depositadas no Hub de Inovação da Universidade, porém a Prótese Transformacional é a primeira patente depositada pela Escola de Comunicações e Artes (ECA). Essa parceria reforça a importância da transdisciplinaridade no desenvolvimento de tecnologias no espaço acadêmico. “A ECA, tradicionalmente, não é uma unidade que deposita patentes e acredito que há diversas possibilidades. A grande importância desta patente para a Unidade é mostrar para as pessoas que elas têm muito potencial”, destacou o Chi-Nan.

Peças fabricadas a partir da impressão 3D pela tecnologia FDM, utilizando como insumo o material termoplástico PLA [Imagem/Acervo pessoal: Juliana Henno]