Estudantes da Poli e da FAU participam com exposição na 14° Bienal de Arquitetura de São Paulo
[Imagem: Acervo Pessoal/Maurício Bergman]Após meses de trabalho, os estudantes da Escola Politécnica (Poli) e da Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design (FAU) da Universidade de São Paulo tiveram a oportunidade de expor os seus trabalhos na 14° Bienal de Arquitetura de São Paulo. Os alunos dos cursos de engenharia de minas, química, materiais e ambiental e de arquitetura e urbanismo mostraram seus trabalhos junto ao CRATerre, grupo de pesquisa e extensão francês, da Universidade de Grenoble.
Foram produzidos 26 painéis de 80 x 80 centímetros, formando uma grande “estante”. O objetivo da amostra era evidenciar o processo de construção e manufatura com a terra, um material mais sustentável do que o concreto armado e que pode ser utilizado de forma eficaz na construção civil. A colaboração com o CRATerre foi essencial, há mais de 40 anos o grupo trabalha com a produção e a disseminação de obras feitas com a “terra crua” – material que não emite CO2 na sua confecção.
Os visitantes tiveram a oportunidade de experienciar o senso estético das obras, mas também aprenderam sobre técnicas como o pau-a-pique, sobre materiais como o adobe e diferentes tipos de terras e diferentes usos do material, com revestimentos especiais. Várias dessas técnicas são utilizadas em zonas rurais, motivo pelo qual o grupo de estudantes também trabalharam em Perus, bairro rural da Zona Metropolitana de São Paulo.
[Imagem: Acervo Pessoal/Maurício Bergman]Tudo isso foi possível pela colaboração dos laboratórios de Tratamento de Minérios (LTM) e Caracterização Tecnológica (LCT), ambos do Departamento de Minas e Petróleo da Poli, além do Canteiro Experimental da FAU. Os estudantes vêm desenvolvendo pesquisas nos laboratórios e aplicando os seus conhecimentos na prática no canteiro, com a ajuda e coordenação do Núcleo de Apoio a Pesquisa: Produção e Linguagem do Ambiente Construído (NAPPLAC).
Um dos principais objetivos dos alunos durante o projeto foi testar a qualidade da areia comercializada na cidade de São Paulo. De acordo com as pesquisas, existem variações na qualidade do material, com a presença de uma “areia correta” que, quando aplicada, diminui a necessidade de cimento nas composições estruturais dos edifícios. O uso dela aumenta as perspectivas de sustentabilidade na construção, além de poder integrar outras tecnologias sustentáveis, como o uso da “terra crua”, como citado anteriormente.
[Imagem: Acervo Pessoal/Maurício Bergman]Com curadoria de Anais Guegén, Argus Caruso, Alain Briatte, Francisco Barros e Jônatas Silva, a exposição teve apoio do consulado francês, e fez parte da série de atividades e iniciativas do ano de parceria França-Brasil. A exposição ainda contou com parceria do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Participaram do projeto três Atividades de Extensão Universitária (AEX) integradas da Universidade de São Paulo: Areia Viva, Oficinas e Taipa de Pilão, ofertadas pelos professores André Luiz da Silva, Carina Ulsen, Douglas Gouvêa, Maria de Lourdes Zuquim e Maurício Bergerman.[Imagem: Acervo Pessoal/Maurício Bergman]