Formando Engenheiros e Líderes

Em clima de Copa, Mecatrônica realiza mais uma competição entre carrinhos mecânicos

Na manhã do sábado (13), o Brasil aguardava ansioso a sua estréia na Copa do Mundo 2026. E os alunos da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo, instituição que traz orgulho nacional há mais de um século, estavam se preparando para mais uma edição da competição entre carrinhos mecânicos. A parte mais aguardada da Disciplina PMR0202, a competição deste ano foi diferente: os carrinhos competiram em um jogo de futebol. Para o professor Gilberto Martha — responsável pela disciplina e vice-diretor da Poli — a proximidade com a Copa do Mundo também engajou os estudantes a participarem mais ativamente da competição.

Jogada ensaiada

Para chegar na competição foi necessário muito treino, suor e inteligência. Desde o início do ano letivo, os alunos do terceiro semestre da engenharia mecatrônica estão se preparando para esta batalha. A grade deles contou com aulas teóricas aliadas a aulas de projetos, em que os estudantes projetaram, desenharam e construíram peças e estruturas. Os professores que atuam nesta disciplina são: Gilberto Francisco Martha de Souza, Chi Nan Pai, Rafael Traldi Moura, Gustavo Bisinotto e Arthur Henrique de Andrade Melani. Os técnicos Adilson Fernandes Felix Filho, Carlos Alberto de Souza Lima, Cícero Cirlânio Cruz, Fidel Vicente de Paula, José Carlos dos Santos, José Paulo da Silva e Raphael Oliveira Ferreira colaboram com as atividades práticas nos laboratórios.

Mas o maior desafio mesmo foram as aulas práticas, dentro da oficina, em que, além de lidar com a engenharia teórica e projetos digitais, os estudantes tiveram contato com as ferramentas e materiais que construíram os seus jogadores. Com auxílio dos técnicos, como o Cícero — que ao longo de seus anos atuando na Poli observou estudantes saírem da oficina e ingressarem na Academia como pesquisadores e futuros professores da Poli —, os alunos cortaram através do metal e desenharam peças milimetricamente exatas com maquinário de última geração.

[Imagem: Divulgação/Escola Politécnica-Bernardo Medeiros]
Cícero acredita que é uma das fases mais desafiadoras para os estudantes na disciplina, que muitos deles nunca tiveram contato com ferramentas e, até aquele momento, nunca tinham construído um projeto do zero. E vê com carinho todos aqueles que conseguiram superar essas barreiras, desejando vê-los novamente no futuro, seja na graduação, na pós graduação, ou sentados na mesa de professor.

É gol!

No dia da competição nem tudo é decidido em campo. Antes do início das jogadas, os estudantes passam por um teste de peso e medidas, como a pesagem que acontece antes das competições de boxe ou fisiculturismo. De acordo com Chi Nan Pai, isso é importante para reforçar aos estudantes que todos os projetos na engenharia possuem limitações, sejam financeiras ou materiais. A medida não é apenas para assegurar uma competição justa, mas principalmente para garantir que os alunos trabalhem seus projetos com a compreensão que o engenheiro deve fazer seu protótipo funcionar da maneira mais eficiente possível, cortando custos e despesas desnecessárias.

[Imagem: Divulgação/Escola Politécnica-Arthur Souza]
Antes dos playoffs, cada grupo deve se qualificar, garantindo uma aprovação tranquila na disciplina e a participação na competição. Esta etapa é individual e os oito grupos com melhores resultados irão ser selecionados para participarem na competição. No primeiro minuto desta etapa os robôs são autônomos, ou seja, eles operam sem o controle remoto ou piloto, e devem chegar em um ponto pré-determinado pelos professores da disciplina. Depois desse período os robôs podem ser operados remotamente, por um controle remoto no celular dos estudantes, e o objetivo é fazer o máximo possível de gols ou colocar o máximo possível de bolas ovais no cesto, localizado ao lado da arena.

Após a seleção inicial, os grupos se enfrentam entre si. Agora começa a competição. A cada rodada um grupo é eliminado do chaveamento, até chegar no enfrentamento final. Nesta etapa, cada grupo coloca em campo o seu atacante, que deve fazer os gols, e um goleiro, que deve defender com movimentos previamente programados.

 

[Imagem: Divulgação/Escola Politécnica-Arthur Souza]

Medalhas e conquistas

Ao final, o grupo composto pelos alunos Gabriel Costa, Luis Yamamoto e Thiago Pereira Filho venceu a competição. Para os estudantes, eles apenas cumpriram o papel do engenheiro, resolvendo problemas que surgiram durante a construção do projeto e se concentrando em fazer o carrinho deles funcionar a todos os custos. Mas a vitória não é única conquista, para Camilla Chu e Thifanny dos Santos, alunas que também participaram da competição, a disciplina foi uma oportunidade para elas realizarem um projeto completamente do zero, participando do projeto, fabricação e teste do carrinho.

[Imagem: Divulgação/Escola Politécnica-Arthur Souza]
Gilberto Martha também vê na disciplina esse potencial cíclico, em que o aluno participa de todas as etapas de desenvolvimento de um protótipo. Para o vice-diretor da Escola, a disciplina também trabalha soft skill — habilidades “passivas”, como comunicação e trabalho em equipe —, que vêm se tornando características cada vez mais importantes para o bom engenheiro.

Não são todos que levam o troféu para casa, mas o aprendizado é a verdadeira medalha que fica guardada no peito dos futuros engenheiros. O aprendizado na Escola Politécnica não é apenas na sala de aula, ou entrincheirado nas páginas de cadernos e livros. Representando o que há de melhor na educação de engenharia brasileira, estudar na Poli também é entender, na prática, o que é ser um bom engenheiro e o que te leva a alcançar práticas cada vez mais exatas e primorosas.

Veja a videorreportagem completa no YouTube da Escola Politécnica!