Formando Engenheiros e Líderes

Grupo de estudantes da USP lança seu
primeiro foguete com propulsão híbrida

Projeto Jupiter, grupo de projetos aeroespaciais da Escola Politécnica da USP, adotou tecnologia ainda pouco explorada e dominada no contexto universitário brasileiro

No dia 4 de abril de 2026, estudantes da Escola Politécnica (Poli) da USP que integram o grupo de projetos aeroespaciais Projeto Jupiter realizaram o primeiro lançamento de um foguete impulsionado por um motor de propulsão híbrida. “Este marco representa um avanço relevante para a equipe, uma vez que essa tecnologia ainda é pouco explorada e dominada no contexto universitário brasileiro”, destaca Samuel Santos, estudante de engenharia mecânica.

“O nosso caso é particularmente desafiador, porque a Poli não possui curso específico de engenharia aeroespacial nem infraestrutura laboratorial dedicada à propulsão híbrida. Isso significa que todo o desenvolvimento foi conduzido majoritariamente por iniciativa dos próprios estudantes, que buscaram o conhecimento técnico, projetaram os sistemas e viabilizaram sua operação, praticamente do zero”, relata o futuro engenheiro.

A equipe detalha que, do ponto de vista técnico, motores híbridos utilizam combustível sólido e oxidante líquido, oferecendo vantagens importantes em relação aos motores sólidos tradicionais, como maior segurança operacional e possibilidade de controle mais refinado do empuxo durante o vôo. “Assim, o desenvolvimento e vôo deste sistema representam não apenas um marco para a equipe, mas também a consolidação de quase 10 anos de pesquisa e de uma capacidade de engenharia avançada construída pelos próprios alunos”.

De forma geral, a missão Elara II, conduzida no campus Fernando Costa da USP, em Pirassununga, teve como objetivo colocar em prática vários sistemas de maneira integrada, o que incluiu, além do voo com propulsão híbrida, a validação de um sistema de frenagem aerodinâmica,o desempenho de um sistema de abertura dos paraquedas, a avaliação da integridade estrutural da fuselagem e o treinamento operacional dos membros. 

Essa missão  integra uma iniciativa de desenvolvimento de capacidade própria de lançamento que teve início após a  experiência do grupo no Centro de Lançamentos da Barreira do Inferno, da Força Aérea Brasileira, em 2017, quando a equipe lançou o foguete Imperius em cooperação com a equipe Minerva Rockets da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A campanha de lançamento do Elara II teve início na noite de sexta-feira (03/04) e foi concluída na noite de sábado (04/04), totalizando mais de 12 horas de operação conduzida inteiramente por estudantes em pleno  feriado de Páscoa. “O desenvolvimento e a operação de um motor híbrido como o Nêmesis reforçam o nosso comprometimento com a inovação e com o avanço tecnológico no contexto aeroespacial. Elara II também reflete a busca contínua pela excelência em engenharia, em consonância com a tradição da Escola Politécnica da USP na formação de engenheiros e no desenvolvimento de soluções tecnológicas de alto impacto”, reforçam os estudantes.

A equipe agradeceu à Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo e à Academia da Força Aérea – AFA pelo suporte institucional, bem como aos apoiadores e patrocinadores, em especial aos Amigos da Poli e à Air Liquide, pelo apoio técnico e fornecimento de insumos essenciais às atividades.

O Projeto Júpiter é um grupo multidisciplinar de projetos aeroespaciais da Poli-USP, e é composto por estudantes da instituição, mas também contempla alunos de outros institutos. Fundado em 2015, o grupo se dedica ao desenvolvimento de foguetes experimentais para competições dentro e fora do País e tem como objetivo estimular o interesse dos estudantes pelo setor aeroespacial. Acumulando uma série de premiações, o grupo coloca a USP em destaque quando o assunto é foguetemodelismo. Hoje, a equipe se prepara para a IREC – Internacional Rocket Engineering Competition, no Texas, em junho, para representar o Brasil mais uma vez no “mundial de foguetes”. Acompanhe @projetojupiter nas redes sociais para maiores informações.

“A propulsão híbrida tem uma história longa dentro do Projeto Jupiter, tudo começou com um protótipo em 2016, depois de muitos anos de pesquisa e desenvolvimento, foi realizado o primeiro teste de um desses motores, o Nelore, que seria embarcado na LASC desse mesmo ano. Infelizmente por causa de algumas falhas e condições meteorológicas desfavoráveis não foi possível realizar o lançamento, apesar de nosso trabalho ter sido reconhecido com a premiação de excelência técnica. Após o lançamento ter sido abortado, com a experiência que obtivemos e observando os pontos fracos do projeto, fizemos melhorias até que finalmente conseguimos executar, com sucesso, o teste e lançamento desse motor. Posso dizer agora, mais do que nunca, estamos animados para tornar esse projeto ainda mais robusto para voltarmos para a LASC, onde não conseguimos realizar o lançamento em 2023, e voltarmos para a poli com uma grande vitória na competição.” compartilha Gustavo Adriano, lider de propulsão do Projeto Jupiter.
Gustavo Adriano
Líder de propulsão do Projeto Jupiter