Grupo de extensão da Poli realiza estudos sobre areia comercializada em São Paulo
Em parceria com a FAU, o projeto Areia Viva investiga uso de materiais sustentáveis na construção civil
A areia é o segundo recurso natural mais consumido no mundo, atrás apenas da água. Conforme um estudo feito pelo Programa da ONU para o Meio
Ambiente, cerca de 50 bilhões de toneladas de areia são extraídas por ano, número que cresceu significativamente nas últimas duas décadas e deve continuar aumentando. Apesar disso, este elemento fundamental é, muitas vezes, subestimado pela comunidade da construção civil.
Paralelamente a isso, a extração ilegal de areia pode atingir em média 60% do total explorado no Brasil, conforme uma pesquisa feita pelo economista Luiz Fernando Ramadon. Isso evidencia que grande parte da areia comercializada não é fiscalizada, sendo colocada em xeque sua qualidade e origem, o que pode provocar impactos substanciais à sociedade e ao meio ambiente, desde a sonegação de impostos, riscos à segurança das construções até o desmatamento e destruição da flora e fauna.
Além disso, o uso de areia não qualificada pode gerar desperdício de material e construções de baixa durabilidade, aumentando custos e o consumo desse insumo que vem ficando cada vez mais escasso.
Foi a partir desses questionamentos que surgiu o projeto Areia Viva, originado da atividade de extensão “Insumos Minerais e Construção Civil Sustentável: o caso da areia”. Seu principal objetivo é estudar e mostrar para a sociedade a importância técnica e social da areia usada de forma sustentável.
A equipe é formada por estudantes de graduação dos cursos de engenharia da Poli e de arquitetura da FAU, sob orientação dos professores Maurício Bergerman, Carina Ulsen, André da Silva e Douglas Gouvêa, da Poli, e da professora Maria de Lourdes, da FAU.
Além de análises técnicas laboratoriais, o grupo também realizou oficinas de construção sustentável para os alunos integrantes e diálogo e entrevistas com comerciantes e comunidades a fim de promover o uso consciente, econômico e sustentável da areia na construção civil.
As análises realizadas em amostras de 14 depósitos de SP revelaram que uma parcela significativa da areia comercializada está em desacordo com as normas técnicas. As principais não conformidades incluem excesso de argila, variações na granulometria e peso inferior ao declarado
Esses fatores impactam diretamente a qualidade das construções e podem aumentar custos para o consumidor.
Além dos resultados analíticos, o projeto também contribuiu para a formação técnica e social dos estudantes, para a construção de uma casa modelo sustentável na comunidade Irmã Alberta e materiais didáticos como folhetos e um livreto.
Quer saber mais?
Acesse o Instagram do projeto e assista o vídeo de divulgação.
Contato Assessoria de Comunicação
Mariana Ricci
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