Formando Engenheiros e Líderes

Professor da Poli-USP criou 1º sintetizador de música digital do Brasil

O primeiro sintetizador de música controlado por computador produzido no Brasil foi criado em 1975, por um aluno do curso de Engenharia Elétrica da Escola Politécnica (Poli). Este aluno era Guido Stolfi, hoje professor do Departamento de Telecomunicações e Controles (PTC) da Poli, e pesquisador no Laboratório de Comunicações e Sinais (LCS).

Filho do dono de uma oficina mecânica e irmão mais novo de um politécnico, o pesquisador se interessou pela área da eletrônica durante a adolescência. Antes mesmo de ingressar na faculdade, Guido mergulhava em livros sobre o assunto, estudava peças trazidas do trabalho por seu pai e já construía amplificadores de áudio.

Durante sua graduação na Poli, na década de 1970, começou a construir o projeto que se tornaria o primeiro sintetizador controlado por bits do país. “Começou com um módulo, que é um oscilador controlado por voltagem. A ideia foi fazer um sistema que gerasse a forma da onda através de amostras digitais”, explica. Em parceria com o professor Celso de Oliveira, Guido encontrou no sintetizador um jeito de unir sua aptidão na engenharia com a vontade de fazer música. “Desenvolvi a máquina como um trabalho livre na escola”, contou em entrevista à Folha de S. Paulo, anos mais tarde. 

O primeiro programa para controle do aparelho foi feito no Patinho Feio — o primeiro computador brasileiro, também desenvolvido na Poli. O projeto despertou o interesse de músicos e especialistas da época, e abriu as portas para o que se tornaria uma vasta trajetória profissional.

Em sua carreira, Guido trabalhou no Projeto SisCom – a primeira central telefônica digital do País –, no desenvolvimento de um sistema completo de edição de música e na criação do videowall, tecnologia que permitia que um painel de televisores ampliasse uma única imagem. “Apesar de ter feito alguns softwares, que são puramente digitais, a minha atuação está mais em juntar o analógico com o digital e implementar isso em um produto físico que funcione”.

Ao se lembrar de seu tempo como aluno na Poli, o pesquisador destaca a importância de uma infraestrutura de qualidade nos cursos de Engenharia para a formação dos estudantes. “Para uma escola de Engenharia, não basta ser um lugar onde o professor dá aulas expositivas e ensina teoria. Eu acho que é importante ter laboratórios, onde você [como aluno] põe a mão na massa e pode desenvolver suas próprias ideias. Esse espaço, para mim, foi excelente. Tinha um laboratório à minha disposição, e eu ficava lá dez horas por dia, sete dias por semana, mexendo no que eu quisesse. Isso foi fundamental para aprender todas as etapas da eletrônica”.
Hoje, com uma coleção admirável de válvulas, uma paixão pela marcenaria e muitas histórias, o professor reforça que os estudantes devem sempre buscar aprender mais, e aconselha: “Faça o que você gosta!”

Confira o vídeo sobre a trajetória de Guido Stolfi no canal da Poli no Youtube: