
[Foto: Marcos Santos/USP Imagens]
Resumo:
O Plano de Ação Climática da cidade de São Paulo definiu a meta de aumentar os deslocamentos realizados em bicicletas para 4% até o final de 2030. Essa meta tem como objetivo auxiliar na redução de emissões de CO2 (cerca de 66% das emissões em cidades são provenientes de queima de combustíveis fósseis), mas principalmente auxiliar na mobilidade urbana, gerando ganho de tempo para a população.
Nesse contexto, a pesquisa conduzida por Flávio Soares de Freitas, mestrando do Departamento de Engenharia de Transportes da Escola Politécnica da USP, busca analisar qualitativamente a infraestrutura cicloviária, tendo estudantes e vagas escolares de ensino médio como estudo de caso. Como os deslocamentos dos alunos da rede pública costumam orbitar na distância de 2 km a 3 km em direção à escola, eles poderiam ser diretamente impactados por melhorias localizadas próximas às suas unidades de ensino.
“Quando a gente olha a bicicleta, a gente tem vários eixos que a gente poderia interrelacionar; saúde, esporte, lazer – e aí a gente está aqui olhando especificamente essa questão das viagens funcionais, que a gente chama de viagem a trabalho, viagem aos estudos, que é o que compõe a maior parte das viagens normalmente nas matrizes de origem e destino”, explica Freitas.
Embora a capital paulista possua um número absoluto de 761 km de ciclovias, se aproximando de cidades que são exemplos de mobilidade sobre as duas rodas (e pedais), como Paris e Amsterdã, proporcionalmente ao tamanho da cidade, esse número é pouco. Freitas comenta que a meta é que São Paulo chegue a 1.800 km de ciclovias por toda a cidade.
Entre os principais problemas enfrentados pelos ciclistas, destaca-se a questão da segurança. Na pesquisa de 2024 realizada pela organização Transporte Ativo, em parceria com o Itaú, Labmob e Observatório das Cidades, os principais fatores que incentivariam o aumento da uso da bicicleta na capital paulista, segundo os ciclistas entrevistados, seriam a melhoria da infraestrutura (52,5%) e maior educação no trânsito (30,4%). Entre as mulheres, vale ressaltar o medo do assédio e a questão da segurança pública.
Freitas salienta que, baseado nessas informações, o foco na construção de infraestruturas do modal cicloviário deveria se concentrar em curtas distâncias, e destaca o papel que as escolas públicas podem ter nesse aspecto, especialmente quando tratamos de alunos do ensino médio.