
[Imagem: Pixnio]
Data: 10/02/2026
Docente citado: Marcelo Knörich Zuffo, professor do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos (PSI) da Escola Politécnica (Poli) da USP.
Semicondutores são responsáveis por cerca de metade do PIB mundial. O professor da Escola Politécnica (Poli) da USP, Marcelo Zuffo explica que, além da importância econômica, esse produto é essencial para a sobrevivência humana. “Toda essa tecnologia, que é uma relação simbiótica com o humano, é um fator determinante da própria existência do ser humano no planeta Terra. Existem os lados negativos da tecnologia, mas imagine a gente enfrentar a pandemia sem chip? Foi graças aos chips que nós conseguimos simular e processar vacinas em tempo real. Se a gente não tivesse essa capacidade, talvez o legado da pandemia seria uma quantidade de humanos mortos dez vezes maior do que hoje. A própria existência humana neste planeta depende da tecnologia de chip”.
Zuffo é diretor do InovaUSP e está à frente do projeto de construção de mini fábricas de chips da Universidade. O Brasil foi pioneiro na produção desses semicondutores, criando seu primeiro chip em 1971, antes mesmo de China e Coreia do Sul, mas as crises econômicas e políticas do país frearam o avanço. “Eu entrei na USP em 1982 para projetar supercomputador com os nossos chips. Infelizmente, o processo da redemocratização do Brasil foi acompanhado pela inflação galopante, e aí a nossa exponencial foi interrompida”, comentou o professor.
Ele ainda salienta a importância de fábricas menores para a produção, apresentando os pontos negativos das fábricas grandes e reforçando a importância da iniciativa da USP para construção de fábricas pequenas. Ter autonomia para fabricar seus semicondutores pode ser um atestado de soberania brasileira, pois, mesmo com os recursos, o Brasil importa milhões de chips anualmente.