“Poli prepara para a vida”, afirmam empreendedores politécnicos

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Ex-alunos fundadores de startups de sucesso destacam capacidade analítica, rigor, resiliência e multidisciplinaridade como atributos dos egressos da escola, imprescindíveis a quem quer empreender.

 “A Poli é uma simulação da vida. Se você se dedica, pode tirar muito dela.” Assim o ex-politécnico Victor Lazarte, sócio fundador da TFG – a maior empresa de games da América Latina – define a formação obtida na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). Lazarte, 31 anos, formou-se em engenharia de produção em 2009. Há sete anos, ao lado do irmão Arthur, também politécnico, fundou a TFG. A empresa tem um milhão de usuários e criou o jogo de tiro (para celular) mais baixado do mundo. 

“Sempre quisemos montar uma empresa e sempre nos perguntamos por que, no Brasil, não há grandes empresas de tecnologia. A base são “as cabeças”, e isso a gente tem. Naquela época, estava muito claro que o smartphone ia ser um mercado gigante. Detectamos que havia espaço, mas que as pessoas geralmente importavam um modelo de negócio, em vez de pensar em criar um próprio”, relembra Lazarte.

Segundo ele, o pulo do gato das startups é antecipar o mercado. “Você não consegue concorrer com as grandes empresas mas, se entra num mercado pequeno e tem domínio do tema, quando esse mercado cresce você se torna um player importante num mercado grande.”

Foi exatamente o que aconteceu com a TFG. Para o engenheiro, a formação na Poli foi fundamental para o sucesso da startup.  “A Poli me ensinou duas coisas: a primeira é o rigor. Durante o biênio, quando fazemos as disciplinas básicas, aprendemos que o quase certo não é certo, e que um erro mínimo pode comprometer seus resultados. Você extrapola essa lição para muitas outras coisas na vida: seu trabalho tem de ser perfeito. Se não é perfeito, então está errado. Qualquer pessoa que queira se dar bem no mundo da tecnologia tem de entender as sutilezas, estar ciente de que os detalhes são importantes.”

O segundo aprendizado é o acesso ao conhecimento que a Poli possibilita aos alunos.  “Ela te abre portas para o mundo. Por isso, se eu tivesse de deixar uma mensagem para os ingressantes, seria esta: valorizem as atividades acadêmicas e profissionais que a faculdade oferece, principalmente no biênio. Cada hora que investirem no início do curso vai render cem horas em suas vidas profissionais.”  

Resiliência – Formado em engenharia química pela Poli em 2007 e sócio fundador da Revelo, startup da área de recursos humanos, Lucas Mendes ressalta outra qualidade dos egressos da Escola: a resiliência. “Todo politécnico sabe que a Poli não é fácil, e é tentador desistir. Todo mundo já pensou em desistir. Esse “não desistir” é fundamental quando você empreende. Porque empreender é ouvir todo mundo dizer que vai dar errado, que você está arriscando demais. É preciso ser resiliente.”

Mendes destaca, ainda, a capacidade de pensar de forma analítica, que consiste em ser capaz de dividir os problemas em pedaços e resolvê-los passo a passo. E cita uma terceira aptidão indispensável para o empreendedor: a paixão por aprender coisas novas e diferentes. “Durante os dois primeiros anos da Poli, a gente vive a multidisciplinaridade: saímos do laboratório de química para a aula de cálculo diferencial, depois para introdução à computação, álgebra… A Poli te acostuma a essa multidisciplinaridade, que será muito útil mais tarde. Porque empreender é fazer mil coisas ao mesmo tempo.”

Daniel Liebert, 32 anos, fundador e gerente de novos negócios da Stoodi, startup da área de educação que prepara alunos para o vestibular e o ENEN, faz coro com Mendes: “A capacidade analítica que a Poli nos dá é muito valorizada no mercado.” Segundo ele, que é graduado em engenharia mecânica, a formação obtida na Poli ainda capacita os alunos a aprender as coisas rapidamente, saber lidar com pressão e com muita informação ao mesmo tempo. “A habilidade de conseguir aprender rápido é extremamente boa para quem empreende. Porque todo dia você tem um problema diferente, muitas vezes não tem tempo de colher as informações necessárias para tomar a decisão perfeita, então tem de trabalhar com incertezas e aprender o máximo possível no mínimo tempo possível para tomar as decisões mais certeiras.”

Para Liebert, trata-se de uma formação técnica, mas que dá aos alunos base para atuar em áreas muito distintas, justamente porque eles ‘aprendem a aprender’ rápido. “Conseguimos nos mover em ambientes muito diferentes: tem gente que vai para banco, para ONG, para consultoria, para marketing, para administração, gente que vai empreender. Isso é resultado da formação que tivemos.” Segundo ele, a quantidade de atividades no currículo da Escola também ajuda o estudante a priorizar o mais importante. “Saber priorizar é necessário para aprender. Na Poli, com tantas atividades no currículo, é uma das primeiras coisas que a gente entende.”

De acordo com ele, a Poli oferece conteúdo e bagagem para o aluno se desenvolver rapidamente. “Quando você descobre seu norte e junta as duas coisas, fica auto motivado. Então, o céu é o limite.”