Módulo de Engenharia Biomédica da Poli-USP permite que alunos de qualquer curso atuem na área

Durante a graduação na Escola Politécnica da USP, futuros engenheiros podem estudar engenharia biomédica em um módulo de especialização 

A utilização de tecnologias que salvam vidas está muito presente no dia-a-dia da medicina. Estes recursos são desenvolvidos na interação entre os profissionais da saúde e das áreas tecnológicas, como foi no caso do desenvolvimento do Projeto Inspire, um ventilador pulmonar para o atendimento de pacientes com a covid-19 desenvolvido por pesquisadores da Escola Politécnica (Poli) da USP em parceria com especialistas de diversas áreas, como medicina, veterinária e fisioterapia.

Para preparar os futuros engenheiros para atuarem na área, a Poli possui um módulo em engenharia biomédica, ou seja, um conjunto de disciplinas que podem ser cursadas por alunos de graduação e que abordam temas como processamento de sinais e de imagens biomédicos, biomecânica, engenharias clínica e neural, por exemplo.

O professor do Departamento de Engenharia Mecatrônica e de Sistemas Mecânicos da Poli e um dos coordenadores do módulo de Engenharia Biomédica, Chi-Nan Pai, explica que os alunos de engenharia e de medicina podem trabalhar e fazer pesquisas na Poli, para aprender e criar, junto com os pesquisadores, conhecimentos técnicos necessários para o campo da saúde. O docente pontua que a integração entre as áreas da saúde e da engenharia é uma tendência internacional, e muito importante para ambos os campos e carreiras.

Chi-Nan, graduado também em medicina além de engenharia, conta que o desenvolvimento de tecnologias para uso médico tem se mostrado uma aplicação para as diversas áreas da engenharia. E foi com esse objetivo que nasceu o módulo Tópicos de Engenharia Biomédica, na grade curricular da Escola. O aluno que tiver interesse em cursar o módulo terá a oportunidade de cursar diversas disciplinas como Mecânica dos Fluidos Aplicada a Sistemas Vascular, Introdução à Biomecânica, Práticas em Reconhecimento de Padrões, Modelagem e Inteligência Computacional, e Processamento de Sinais Biomédicos, entre outras, que o prepararão para atuar na área.  

(Imagem: Freepik)

 

“O módulo tem uma lista na qual o aluno pode escolher que direção seguir e abrir novas perspectivas de atuação na engenharia e como profissional no mercado de trabalho. Para se graduar no módulo interdisciplinar, o aluno interessado na área terá que cursar seis disciplinas de quatro créditos cada uma”, explica Chi Nan. “E após a conclusão do curso, o aluno pode solicitar a inclusão das novas competências no seu CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia). Por exemplo, um aluno que cursou Engenharia Mecânica e fez disciplinas relacionadas ao processamento de sinais e de imagens biomédicas, pode receber as competências para trabalhar com equipamentos de imageamento médico, uma competência que está conferida normalmente aos alunos do curso de Engenharia Elétrica.” Assim, o módulo possibilita que o futuro engenheiro tenha um leque de oportunidades na área biomédica, independente do seu curso de formação.

O docente explica que cada vez mais a engenharia biomédica tem se mostrado uma área que necessita de conhecimentos advindos de diversas engenharias, não mais restrita à Engenharia Elétrica, que é tradicionalmente ligada à área biomédica. Além disso, alunos dos cursos de saúde também devem buscar a sua inserção nessa área interdisciplinar de conhecimento. “O aluno de medicina pode muito bem cursar as nossas disciplinas para melhorar o seu conhecimento, o que é benéfico para a sua atuação profissional. Por exemplo, a disciplina de Introdução à Biomecânica seria muito útil para o futuro médico ortopedista ou fisioterapeuta, e a disciplina de Processamento de Sinais Biomédicos seria excelente para o futuro cardiologista aprender sobre eletrocardiografias”, pontua o coordenador do módulo acerca da interdisciplinaridade das profissões.  

Além disso, explica o docente, “se o aluno, tanto de engenharia como de medicina, tiver interesse, pode fazer uma pós-graduação na área de Engenharia Biomédica. Com isso, aprofunda o seu conhecimento na área e ajuda a dar mais um impulso para a sua carreira”. 

 

O docente finaliza enfatizando que o módulo está de braços abertos para todos os alunos da Poli-USP que tenham interesse em aprender sobre a área, independente do curso de formação. “Esse é um mercado que aceita engenheiros de todas as especialidades. O módulo começou com Engenharia Elétrica e Mecânica, mas esperamos poder expandir para incluir todas as engenharias”. E os alunos de outras áreas também são bem-vindos, escolhendo cursar as nossas disciplinas como optativas livres.

 

A Poli oferece outros módulos de especialização, ou vermelhos, e você pode acessar a lista completa aqui.

 

Saiba mais sobre as possibilidades da área nesta matéria do Jornal da USP.