Iniciativa da USP oferece letramento digital e computadores para comunidades amazônicas
Uma parceria entre Universidades e organizações está promovendo um curso de Letramento em Informática e Gestão para cerca de 40 lideranças comunitárias das Reservas de Desenvolvimento Sustentável de Auati-Paraná e Mamirauá, na Amazônia. A proposta central é formar lideranças formadoras — pessoas capazes de multiplicar o conhecimento adquirido dentro de suas comunidades. Participam da colaboração representantes da Escola Politécnica (Poli) da USP, da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA-USP) e a Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), em parceria com instituições locais — como a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) —, além da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), do Instituto Pensi/Fundação José Luiz Setúbal e da Fundação Amazônia Sustentável (FAS).
Desenvolvido entre 2024 e 2025, e com projeções para continuidade no ano de 2026, o programa atende habitantes de regiões que têm a economia voltada para a pesca e venda de Pirarucu, e que estão afastadas dos principais centros urbanos do Brasil. A capacitação possibilita o acesso aos principais mecanismos e tecnologias de gestão dos seus recursos e desenvolvimento financeiro de suas atividades.
Um dos apoios necessários eram os equipamentos eletrônicos, fornecidos pelo Centro de Descarte e Reúso de Resíduos de Informática (CEDIR) da Escola Politécnica (Poli) da USP. Foram doados 30 computadores de mesa, seis notebooks e duas impressoras, conta Tereza Cristina Melo de Brito Carvalho, fundadora e coordenadora do Centro. Os aparelhos serão enviados até Manaus e depois até as comunidades, pela Força Aérea Brasileira (FAB).
O Centro é uma iniciativa pioneira no tratamento de equipamentos eletroeletrônicos obsoletos e sem condições de uso. Lá os componentes são categorizados, separados e direcionados para um destino adequado. “É um prazer muito grande auxiliar essas comunidades a conhecerem e aprenderem a usar ferramentas de informática e ter acesso a aplicativos diversos”, ressalta Tereza.
Uma das coordenadoras do projeto, Maria Sylvia Macchione Saes, explicita a importância dos instrumentos tecnológicos doados. “É fundamental para o fortalecimento da iniciativa, pois possibilita a ampliação do acesso às tecnologias digitais e ao aprendizado prático durante o curso”. A vice-diretora comentou, ainda, que, após o término das atividades, os equipamentos serão destinados à Associação de Produtores Agroextrativistas da Resex Auati-Paraná (AAPA) e às comunidades participantes, contribuindo para o fortalecimento das capacidades locais de gestão e uso de tecnologias aplicadas à sociobiodiversidade.