Brasileiro é premiado por desempenho em intercâmbio na França

Ricardo Avelino estudou na École des Ponts, uma das mais antigas faculdades de engenharia civil do mundo, e foi reconhecido com o Prêmio Betancourt pelo conjunto de suas atividades na graduação

Ricardo se formou em engenharia civil no começo de 2019, após cursar quatro anos na Poli e dois anos na École des Ponts, e já está a caminho do doutorado em outra instituição renomada na área, o Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH Zurich). Toda essa interação entre diferentes instituições de diversos países durante a graduação de Ricardo pode ser explicada pelo foco da École des Ponts na internacionalização. Com cerca de 30% dos alunos estrangeiros, a instituição fomenta atividades como as desenvolvidas pelo engenheiro ao longo de três anos de intercâmbio.

Além dos dois anos de curso, o engenheiro estagiou no renomado escritório de arquitetura e engenharia SOM, em São Francisco, nos Estados Unidos, por um ano. Durante seu último semestre, Ricardo fez sua pesquisa para o trabalho de conclusão de curso na ETH, na área de otimização de estruturas. Ele desenvolveu sua pesquisa com um grupo que estuda como edificações históricas foram construídas, o que as mantém estáveis, e o que é possível aprender com o passado para otimizar as construções do futuro. Após concluir a graduação, Ricardo foi convidado para fazer o doutorado na mesma instituição seguindo esta linha. Ele receberá o prêmio no dia 7 de junho de 2019, em Paris.

Sobre a pesquisa – Ricardo conta que o que o atraiu nesta área de pesquisa desenvolvida pelo foi a possibilidade de ligar a geometria das 

construções com a maneira com que as forças fluem dentro dessas estruturas, e o resgate de conhecimentos que foram se perdendo na maneira de projetar. No Block Research Group, onde fará sua pesquisa de doutorado, o seu orientador resgatou e ampliou uma maneira de calcular estruturas chamada “Estática gráfica”. Segundo o engenheiro, esse método era ensinado na Poli na época de sua fundação, em 1893. Com uma régua, o engenheiro mede e faz projeções das forças que incidirão sobre um pilar, por exemplo. “Basicamente, as coisas eram projetadas assim quando não havia calculadoras. Com os softwares que ajudam a calcular as estruturas, muito disso foi esquecido e deixado de lado. Porém, com as ferramentas de arquitetura e computação, podemos resgatar esses tipos de métodos, não para fazer as retas à mão, mas por meio de computadores”.

Ele cita o projeto da Torre Eiffel, que foi projetada e verificada graficamente, e sua forma a torna eficiente. Por outro lado, ele citou em sua pesquisa o fato de que o prédio da Fundação Louis Vuitton, projetado pelo arquiteto Frank Gehry, possui duas vezes mais aço que a Torre Eiffel, mesmo sendo uma construção menor, “pois que sua geometria está dissociada à maneira com a qual as forças fluem na estrutura”, detalha. Assim, por meio dessa técnica para projetar estruturas, é possível unir estética e eficiência, tornando os projetos mais sustentáveis.

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Amanda Rabelo

Jornalista – MTB 62580

Assessoria de Comunicação da Escola Politécnica da USP

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