Ex-alunos da Poli-USP vão ajudar futuros engenheiros a empreender

FDTE e aceleradora PoliStart formalizam acordo para promover ecossistema de empreendedorismo na Escola Politécnica.

FDTE e aceleradora PoliStart formalizam acordo para promover ecossistema de

 empreendedorismo na Escola Politécnica

A diretoria da Escola Politécnica (Poli) da USP recebeu, na manhã do dia 31 de maio, representantes da Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE) e da aceleradora de startups Poli Start para assinatura de um memorando de entendimento entre as duas instituições para que, com o apoio da Escola, elas promovam ações de fomento ao empreendedorismo entre os futuros engenheiros e recém-formados da Escola. “Queremos fazer algo ágil e direto, montar cursos e treinamentos para os alunos desenvolverem os seus produtos”, resume Enio Blay, da FDTE.

 

As ações planejadas pelo grupo visam conectar os alunos ao mercado, mentorar e ajudar os empreendedores, conectar diferentes áreas de especialidade dentro da Poli, e sistematizar essas atividades para que os projetos de sucesso não aconteçam por acaso, mas tenham um caminho facilitado. Dos 6 unicórnios brasileiros, dois foram fundados por politécnicos.

A diretora da Poli, professora Liedi Bernucci, explica que oferecer ao aluno o preparo adequado para que ele possa se inserir no mercado de trabalho, seja qual for o seu perfil, é uma preocupação da Escola, uma vez que a profissão de engenheiro está em transformação. Ela ressalta que a Escola tem feito diversas atividades neste sentido, e que a ação proposta neste memorando visa despertar a veia empreendedora dos alunos e viabilizar seus projetos. “Para que os alunos possam pôr na prática suas ideias, e possam conceber suas futuras empresas e startups – quem sabe futuramente um unicórnio (startups avaliadas em 1 bilhão de dólares ou mais)  – é necessário um ambiente favorável, não apenas físico, mas o apoio institucional. Precisamos mudar a cultura, olhar os alunos como possíveis empreendedores, e apoiar suas iniciativas. A instituição tem que formalizar e fazer movimentos favoráveis para que isso aconteça, e para isso precisamos da colaboração externa para implantar efetivamente em curto prazo”.

Rubens Approbato Machado Jr, engenheiro de produção que atua como investidor de startups, explica que uma Escola como a Poli possui alguns dos pilares essenciais para a formação do ecossistema do empreendedorismo: talento e densidade. A atuação do grupo, formalizado nesta ocasião, entra no sentido de construir uma cultura favorável e conectar os empreendedores, capacitados para isto, aos investidores, outros aspectos essenciais para o sucesso dos projetos propostos. “Essa aproximação da universidade com os investidores é essencial para dar sequência neste processo”.

Outro ponto importante do acordo, ressaltado pelo ex-diretor da Poli, professor José Roberto Castilho Piqueira, que na ocasião representava a FDTE, é o fato de ex-alunos, bem sucedidos em suas carreiras, darem apoio aos atuais alunos, trazendo a sua experiência profissional adquirida para os jovens que estão se formando. “É fundamental, para quem vai enfrentar o mercado de trabalho, ter noções de como ele está evoluindo, e está de maneira diferente do que esteve anteriormente. O engenheiro formado deixou de ser uma pessoa que postula emprego, e passou a ser uma pessoa que gera emprego. Para gerar emprego é preciso ter conhecimento de empreendedorismo, noções de como o mercado funciona, etc”.

A proposta da Poli Start é ajudar os alunos que tem a vontade de empreender, criar experiências e vivências reais, uma vez que é característico dessas atividades colocar em prática, errar e acertar em ciclos curtos de aprendizado, de forma a complementar a parte acadêmica. Marco Szili, da Poli Start, explica que a organização acredita que uma das soluções para o Brasil passa pelo empreendedorismo. “Nunca os tempos estiveram tão favoráveis para empreender e precisamos encurtar a distância entre a universidade e o mercado. A Poli é um celeiro de talentos”.

Rubens ressalta que não existe um bom ecossistema de startups no mundo que não tenha em seu alicerce uma excelente escola de engenharia e tecnologia. Todos os principais núcleos estão construídos em volta de um conjunto de universidades. “As startups são baseadas em tecnologias de ponta. O empreendedor tem que saber como extrair ao máximo das tecnologias, e isso vem de escolas técnicas”. O engenheiro lembra que 28% das startups do Brasil estão na cidade de São Paulo, que possui diversas instituições ligadas à área tecnológica. A cidade de Florianópolis, por exemplo, tem 3% da população brasileira e 20% das startups.