Programa permite formação dupla para alunos de Engenharia Civil e Arquitetura da USP

O convênio possibilita que os estudantes da Poli e da FAU passem dois anos estudando na instituição de destino, recebendo certificado da área complementar com o diploma, ao final do curso

Prédios da Poli Civil e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Fotos: Marcos Santos/USP Imagens. Montagem: Letícia Cangane/Comunicação Poli.

Pedro Casara Luz, estudante de engenharia civil, sempre se interessou por diversas áreas do conhecimento. Quando entrou na Escola Politécnica (Poli) da USP, em 2017, gostou muito do curso e dos aspectos técnicos da construção, porém sentia falta de estudos relacionados à área de humanidades. Assim, desde que descobriu a possibilidade de participar de um programa que oferecia o que ele esperava, o Poli-FAU, ele encontrou uma forma de garantir uma formação mais completa. 

 

Desde 2004, a Escola Politécnica (Poli) da USP e a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) possuem esse convênio de intercâmbio de alunos que propõe uma formação mais completa e integrada entre os alunos da Engenharia Civil e da Arquitetura, possibilitando que, ao se formar, o estudante receba, além do seu diploma na área principal, um certificado complementar do outro curso. 

Segundo o professor do Departamento de Engenharia de Construção Civil,  Francisco Cardoso, um dos coordenadores do projeto, o programa é amplamente reconhecido pelo mercado de trabalho. O convênio funciona da seguinte maneira: alunos da engenharia civil têm a oportunidade de frequentar dois anos de aulas na FAU, onde terão acesso a disciplinas mais voltadas para as áreas específicas da Arquitetura e Urbanismo, como projetos, arte e humanidades, além de aspectos técnicos, em matérias obrigatórias e optativas. Os alunos de arquitetura, da mesma forma, podem passar dois anos na Poli, assistindo aulas características da engenharia civil, como as voltadas para materiais, gestão, logística e tecnologia. 

 

Esse movimento acontece no final do terceiro ano para os politécnicos, e no final do quarto ano para os estudantes da FAU. Posteriormente, os graduandos retornam para a faculdade de origem para terminar seu curso — na prática, o aluno da civil faz os três primeiros anos na Poli, fica os dois seguintes na FAU para o convênio e volta para concluir o quarto e o quinto ano do currículo de engenharia na Escola Politécnica. No total, serão sete anos de curso, que resultam no diploma de Engenheiro civil mais o certificado da Arquitetura e Urbanismo. 

 

Para ingressar no programa de dupla formação, é necessário passar por um processo seletivo, que ocorre no segundo semestre do ano, por volta de outubro. São oferecidas 20 vagas para alunos originários de cada instituição. Dessas, na Poli, até duas são destinadas a alunos do quarto ano, que não manifestaram interesse no momento padrão mas ainda têm a chance de integrar o programa um ano depois do recomendado. Fatores como dependências e notas são avaliados aqui. Pedro Casara conta que o processo foi bem tranquilo, considerando as notas do aluno e uma carta de motivação. “Quem quer entrar normalmente consegue, até porque o número de vagas costuma atender todos os inscritos”, conta o aluno. 

 

O professor Francisco Cardoso define que o engenheiro civil é responsável pelo planejamento, concepção, projeto, construção, controle, operação e manutenção de grande parte da infraestrutura necessária para a vida moderna, incluindo os edifícios (residenciais, comerciais, escolas, escritórios, hospitais, indústrias, estádios, etc.), e as rodovias, ferrovias, obras urbanas, obras-de-arte especiais, de energia elétrica, telecomunicações, água, esgoto, transporte, dentre outras.

 

O curso de Arquitetura e Urbanismo, por outro lado, é definido pelas Diretrizes Curriculares Nacionais que “deverá assegurar a formação de profissionais generalistas, capazes de compreender e traduzir as necessidades de indivíduos, grupos sociais e comunidade, com relação à concepção, à organização e à construção do espaço interior e exterior, abrangendo o urbanismo, a edificação, o paisagismo, bem como a conservação e a valorização do patrimônio construído, a proteção do equilíbrio do ambiente natural e a utilização racional dos recursos disponíveis”. 

 

A ideia do programa, então, é unir as competências das duas áreas, que são correlatas, proporcionando aos estudantes uma formação complementar tanto na engenharia civil quanto na arquitetura e urbanismo, como aponta Cardoso. Pedro exemplifica esse caráter do programa com as matérias de projetos, oferecidas na FAU para os politécnicos, nas quais os alunos acompanham todo o processo, e o contato mais próximo com desenho técnico. 

 

Pedro Casano conta que as matérias abordam as mesmas situações sob óticas completamente diferentes nas duas instituições, o que é muito enriquecedor. “Um exemplo que gosto de dar é Conforto Ambiental. Na Civil, o que a gente tem de Conforto é em matérias que são voltadas para contas, matemática. Eu, pessoalmente, gosto disso, mas por outro lado, as matérias de Conforto que a gente tem na FAU pegam os mesmos assuntos e apresentam de uma maneira completamente diferente, do ponto de vista do humano, do efeito do ambiente na pessoa”. 

 

A principal diferença do diploma para o certificado na prática é que um engenheiro formado na Poli e com certificado da FAU não pode ser denominado arquiteto, embora apresente diversas de suas qualificações e esteja apto para trabalhar em projetos relacionados à área. O mesmo pode ser dito dos arquitetos formados pela FAU com certificado da Poli. O professor Francisco Cardoso, um dos coordenadores no projeto, exemplifica essa situação com os conselhos reguladores das profissões. “Ambas as profissões são regidas por conselhos regionais, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo, o CAU, e o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia, o CREA. Você só consegue autorização nesses órgãos se você tiver o diploma. Na prática, a limitação profissional é pequena”. 

 

O professor ainda reforça o reconhecimento do mercado de trabalho sobre o programa oferecido pelas instituições. Segundo ele, os profissionais com essa formação já são amplamente procurados pelo mercado, com estágios que buscam especificamente por alunos com o programa no currículo. Além disso, a quantidade de alunos que participam do programa cresceu com o passar dos anos. 

 

Sobre ingressar no programa, Pedro conta que está gostando. “Tem sido uma experiência excepcional. Esse contato com diferentes pessoas e diferentes formas de pensar, um dos objetivos do programa, acontece de verdade. Nos sentimos bastante acolhidos desde o primeiro dia lá. Fazer os dois cursos te dá uma completude muito maior na formação”, completa ele. 

 

Atualmente, está sendo desenvolvido um projeto para a formalização  de um programa institucional de duplo diploma entre as duas unidades da USP.