"Desde pequeno meu pai sempre falou sobre a Poli"

O estudante Victor Hideaki Uehara conta como tornou realidade seu sonho de ingressar na escola de engenharia da USP

    Por Tainah Ramos

O jovem Victor Hideaki Uehara nasceu e cresceu no bairro Penha de França, Zona Leste da capital paulista. Ele conta que sua família sempre se referiu com muita admiração à Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo.“Desde pequeno meu pai sempre falou sobre a Poli, sobre como era difícil entrar e sobre como era bom se formar aqui. Eu cresci sabendo que a Poli era difícil de passar e seria muito bom depois que entrasse”, relembra o estudante, que neste ano ingressou na instituição.

A Poli parecia algo distante de sua realidade, apesar de sempre ser citada pela família. Este sonho começou a se tornar realidade quando Victor, até então estudante da escola pública estadual ETESP, começou a participar de um projeto da USP que insere os jovens em atividades na universidade, enquanto eles ainda estão no ensino médio. O Programa de Pré-Iniciação Científica funciona desde 2012, e já ajudou a expandir as perspectivas de muitos jovens sobre carreira, ciência, tecnologia e sobre a vida universitária. O contato com a USP, o trabalho desenvolvido em um laboratório de pesquisa reconhecido internacionalmente, e até mesmo usar o ônibus circular e fazer uma refeição no “bandejão, todas essas experiências fazem parte da construção do resultado esperado pelo Programa.

No caso de Victor, a “Pré-IC” despertou o interesse por ingressar nesta instituição sobre qual ele ouvia falar desde a infância. Após prestar o concorrido vestibular da Fuvest, ele passou no curso de engenharia de minas. O estudante conta que foi com muita emoção que seu pai recebeu a notícia de que ele havia ingressado na Universidade, em especial na Poli. “Ele ficou maluco, achou que estava errado, porque estudante da Poli para ele era uma coisa de outro mundo”.

Empolgado com o começo da vida universitária, Victor conta que está gostando de tudo, desde a sua semana de recepção. “Estou fazendo beisebol, karatê e participando do Keep Flying. Eu me senti bem recebido na Poli, principalmente pela Atlética”.

O professor Kazuo Nishimoto, do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da Poli-USP, foi o orientador de Victor em seu projeto no Tanque de Provas Numérico. Segundo o professor, o objetivo do programa é o de criar proximidade entre secundaristas da rede estadual e a Universidade. “Percebi que eles têm muita capacidade, mas faltam oportunidades, que quando foram dadas, eles se sentiram mais aptos a pleitear uma vaga na universidade pública sem fazer cursinho”.

Empolgação dos secundaristas revigora a Universidade

Para Kazuo, o programa gerou um ambiente de motivação tanto por parte dos alunos quanto para os professores da Poli. “Essa ideia de trazê-los para conhecerem os mecanismos de pesquisa, professores, alunos de graduação, alunos de pós, engenheiros e empresas que trabalham aqui e para terem um relacionamento acabou motivando não só os alunos, mas também os professores da Escola, que não tinham esse contato”.

 

Durante a pré-iniciação, é criado um ambiente de colaboração, pois além desses alunos aprenderem as práticas dos laboratórios, eles também realizam atividades importantes para o funcionamento desses laboratórios. “Na Poli, é importante que o Ensino, a Pesquisa e a Extensão não fiquem segregados, tudo isso acontece ao mesmo tempo. Por exemplo, este ano há alunos de graduação acompanhando os jovens do pré-IC”, completa Kazuo.