Como o conhecimento gerado na universidade vira riqueza para o País?

     Modelo adotado na Escola Politécnica da USP visa facilitar a inovação em áreas da engenharia, ou seja, gerar riquezas a partir de novos processos e produtos criados na Universidade e produzidos na indústria nacional

Um dos orgulhos sempre destacados pelos diretores da Escola Politécnica (Poli) da USP, uma instituição centenária fundada para contribuir com o desenvolvimento tecnológico da sociedade, está o fato de a instituição ter entre os seus núcleos de pesquisa duas unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). Ter as duas unidades Embrapii significa um sucesso na missão da Escola de promover a pesquisa e inovação voltada à aplicação do conhecimento na indústria, explica a diretora, Liedi Légi Bariani Bernucci. “As unidades contribuem para gerar riqueza, empregos, mercados novos, fortalecimento da indústria nacional e colaboração com a sociedade. “Internamente, promove a pesquisa, gera conhecimento e forma novos recursos humanos, promove a infraestrutura laboratorial, incrementa o ensino de graduação e pós-graduação”, ressalta.

A Escola Politécnica, como toda unidade da USP, realiza atividades de ensino, pesquisa e extensão, ou seja, não apenas forma engenheiros, como produz conhecimento na área – em forma de publicações, normas, novos produtos, entre outros, e também estende o conhecimento à sociedade por meio de cursos e projetos. Entender como esse conhecimento gera riqueza para a sociedade que financia as suas atividades pode parecer complexo, por fazer parte de uma longa e elaborada cadeia de ações. Da formação de engenheiros e novos conhecimentos à criação de produtos inovadores para a indústria, a Embrapii oferece a estrutura jurídica e institucional para transpor este desafio.

A Embrapii é uma Organização Social ligada ao Governo Federal que, por meio de um edital concorrido, com uma avaliação extremamente rigorosa, cria unidades de pesquisa e desenvolvimento a partir de competências tecnológicas específicas. Instituições de pesquisa, públicas ou privadas sem fins lucrativos, que possuem experiência em desenvolver projetos de inovação em parceria com empresas do setor industrial, são selecionadas para fazer parte do projeto, e assim gerar inovação industrial no País. “É importante destacar que no Brasil não há várias unidades dedicadas ao mesmo tema, pelo contrário, apenas uma em território nacional por tema de desenvolvimento e inovação. Ou seja, para nós da Poli é um reconhecimento nacional da importância, relevância e solidez destas áreas de pesquisa”, ressalta Liedi Bernucci.

Como funciona a estrutura de Pesquisa e Desenvolvimento em países que se destacam em termos de inovação tecnológica?

O presidente da Comissão de Pesquisa da Poli-USP, Gilberto Francisco Martha de Souza, explica esta dinâmica, em termos de desenvolvimento de produtos:

1º) A universidade que forma o conhecimento básico e os protótipos mínimos de uma pesquisa aplicada.

2º) O instituto de pesquisa transforma este protótipo, que já se mostrou funcional, num produto.

3º) Esse produto vai para uma indústria que vai comercializá-lo como uma tecnologia nova.

Quais são as unidades Embrapii da Escola Politécnica da USP?

A Poli possui a Embrapii – Materiais para Construção Ecoeficiente, coordenada pelo professor Vanderley M. John, que desenvolve materiais e componentes inovadores, voltados ao mercado da construção, criando soluções que aumentam a ecoeficiência e a produtividade das indústrias, e a Embrapii Tecnogreen, coordenada pelo docente Jorge Alberto Soares Tenório, resultado da união de pesquisadores da Escola nas áreas de Engenharia Química, Minas, Petróleo, Metalurgia, Materiais e Civil. O núcleo atua em projetos multidisciplinares de reciclagem, tratamento de resíduos, tratamento de efluentes, biossorção, biorremediação, biolixiviação e processos químicos extrativos de alta temperatura ou em meio aquoso. Assim, a junção de diversos laboratórios com o Laboratório de Tratamentos de Resíduos, Reciclagem e Extração (LAREX) têm permitido desenvolver projetos em sistemas complexos envolvendo equipes multidisciplinares.

A Diretoria da Poli ressalta que continuará fomentando e dando todo o apoio possível para que o grupo da Escola que apresentará a proposta para a EMBRAPII esteja bem estruturado. “Cada unidade da USP somente pode apresentar uma proposta por edital, com aderência aos temas centrais, e cumprindo os numerosos requisitos exigidos pela EMBRAPII. A Escola faz um processo de seleção da proposta que estiver melhor estruturada dentre as várias apresentadas por diferentes grupos de pesquisa”, explica Liedi Bernucci.