Especialistas discutem futuro da matriz energética em evento da USP

Debate envolveu da formação de profissionais à transformação da sociedade

Entre os dias 4 e 7 de novembro, a Universidade de São Paulo, por meio do seu Capítulo Estudantil da Sociedade dos Engenheiros de Petróleo, realizou o sétima edição do Workshop do Petróleo, um evento dedicado a oferecer um espaço para difusão e troca de conhecimentos técnicos sobre a indústria de óleo e gás, e para a discussão sobre os temas de interesse dos futuros profissionais da área. 

Como nas últimas edições, a mesa-redonda realizada no início do último dia trouxe reflexões importantes sobre o futuro desta indústria, frente ao cenário dos impactos ambientais e mudanças climáticas. Para iniciar as discussões, com o tema “O setor O&G está preparado para a transição energética”, o professor Cleyton Carneiro, dos Departamento de Engenharia de Minas e de Petróleo da Poli, iniciou com uma provocação: Estaríamos todos, como sociedade, prontos para as mudanças exigidas para uma transição energética? Participaram da conversa o responsável pela área de petróleo, gás e biocombustíveis na Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente, Ricardo Cantarani, o professor da Unifesp e coordenador do curso de Engenharia de Petróleo e Recursos Naturais, Emiliano Castro, e a diretora de recursos humanos do RCGI – Centro de Pesquisa para Inovação em Gás.

As discussões começaram com uma apresentação de Cantarani, que mostrou os cenários atuais da produção e do consumo de energia no Estado de São Paulo, as projeções para de transformações para o futuro, e as iniciativas nas quais o governo estadual está buscando atuar, para favorecer, por exemplo, a aproximação entre a produção e as demandas do consumo energético. Após um questionamento da plateia sobre a mudança de postura das empresas com relação à mudança nas fontes de energia, Karen acredita que naturalmente uma transformação da matriz energética está clara nas projeções das indústrias da área, e deve ocorrer, quer seja por decisão governamental, por exigência internacional, ou mesmo pressão social.

Emiliano pontuou que muito tem se falado sobre como será o desenvolvimento do setor nos próximos anos, e o que é consenso mundial é que o petróleo vai perder participação e relevância econômica. “Se essas reservas não gerarem valores tangíveis e intangíveis para a nossa sociedade, vamos perder a oportunidade de gerar riquezas, desenvolvimento tecnológico e inovação com isso”.

Após diversas reflexões sobre as mudanças necessárias para que a transição energética aconteça, e da contextualização das ações que já vem sendo realizadas, tanto pela indústria quanto no meio acadêmico, o professor Cleyton finalizou ressaltando a importância da atuação do profissional na construção de um cenário para o futuro.