FORMANDO ENGENHEIROS E LÍDERES

Nas comemorações dos 60 anos de parceria, foram apresentadas as tendências na área que estão sendo absorvidas na grade curricular e linhas de pesquisa

A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e a Marinha do Brasil comemoraram hoje (09/05) os 60 anos da parceria ininterrupta entre as instituições. A ocasião serviu para apresentar as tendências em Engenharia Naval e Oceânica e que estão sendo incorporadas no currículo do curso e no portfolio de pesquisas desenvolvidas no âmbito da parceria, com o objetivo de oferecer a formação e as inovações mais atualizadas possíveis. Entre elas se destacam a introdução de temas como confiabilidade e análise de risco, planejamento portuário, exploração de recursos submarinos e o desenvolvimento as atividades offshore, e a produção de energias limpas geradas a partir do mar.

“Isso só está sendo possível porque a Poli está promovendo uma mudança nos currículos no sentido de dar mais flexibilidade aos alunos, para que possam escolher as disciplinas de acordo com seus interesses e área de formação”, explicou o professor Alexandre Nicolaus Simos, chefe do Departamento de Engenheira Naval e Oceânica (PNV). Recentemente foram incorporados ao currículo temas que se tornaram muito importantes para área naval nos últimos anos, como o desenvolvimento de novos sistemas flutuantes, a evolução do transporte de conteiners, logística e transporte marítimos.

O PNV é responsável por formar engenheiros militares e civis para atuar na Marinha e no mercado, com cursos de graduação, pós-graduação e atividades de pesquisa que resultaram na incorporação de inovações por parte da Marinha e de empresas que atuam no setor naval ou na região oceânica, como a Petrobras. “As contribuições dessa parceria não se restringiram ao âmbito militar. Foram também para o âmbito civil e representaram uma importante contribuição para a Engenharia Naval brasileira”, ressaltou o diretor da Poli-USP, professor José Roberto Castilho Piqueira, durante a cerimônia.

Entre os avanços obtidos por meio de projetos que contaram com o apoio da Marinha, Piqueira citou o desenvolvimento do primeiro computador brasileiro, o Patinho Feio; a evolução nas áreas de Engenharia de Materiais, de construção de reatores e segurança nuclear, após o início das atividades da Marinha nesse campo; o avanço em automação e controle promovido pelo desenvolvimento de inovações necessárias para as fragatas e corvetas; e o conhecimento produzido pelo Tanque de Provas Numérico (TPN) e sua estrutura de simulação. “Nossa Escola faz um trabalho muito importante no sentido de desenvolver a tecnologia brasileira, e nós devemos grande parte disso a este convênio tão importante realizado com a Marinha”, comentou.

O professor do PNV Rui Carlos Botter, coordenador geral do Centro de Inovação em Logística e Infraestrutura Portuária (CILIP), sediado na Poli, também lembrou de diversos projetos que foram executados no âmbito da cooperação entre as duas instituições. “Contribuímos para o desenvolvimento de navios militares, da patrulha fluvial, de corvetas, entre outros projetos, fazendo análises e trazendo soluções para importantes problemas da Marinha e do setor naval”, destacou.

Entre os vários projetos realizados pela Marinha que tiveram ou têm parceria da Poli, Botter citou o de desenvolvimentos de embarcações de alta velocidade para patrulha fluvial, simulações enolvendo a operação do porta-aviões São Paulo, as renovações no sistema de navegação e propulsão de fragatas e corvetas, e o projeto do submarino nuclear, entre outros. Ele também lembrou dos estudos sobre ancoragem para a empresa Petrobras, já que o conhecimento e a infraestrutura de pesquisa produzidos pela Poli e a Marinha se aplicam a muitos dos desafios da empresa petrolífera na exploração de petróleo e gás em altas profundidades. 

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