Programa de integração entre alunos de Engenharia da USP entra na fase final

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Estudantes selecionados para a segunda etapa do PIE² estão passando a semana na Escola Politécnica.

Aprender com dois nomes reconhecidos dos setores sucroenergético e de consultoria em inovação foi a tarefa do terceiro dia de atividades dos estudantes de Engenharia de diferentes campi da Universidade de São Paulo (USP), reunidos na Escola Politécnica (Poli-USP) para a realização da segunda etapa do Programa de Integração dos Estudantes de Engenharia (PIE2). O evento ocorre entre os dias 11 e 16 de dezembro, nas dependências da Poli, e é uma iniciativa da Pró-Reitoria de Graduação da Universidade e da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest).

As duas palestras foram divididas entre a manhã e a tarde desta quarta-feira (13/12), e contaram com a presença de Pedro Eduardo Pinho de Assis, da PASys Engenharia e Sistemas, empresa que presta consultoria na área de negócios agroindustriais; e Fábio Pando, CEO da Horizon Consulting, empresa de inovação em negócio.

A primeira etapa do Programa premiou os melhores projetos inscritos entre todos os cursos de Engenharia oferecidos pela universidade nos campi de São Paulo e de cidades do interior. Nela, as equipes tiveram que pensar em uma solução para os problemas identificados por ela sem uma fotografia da Marginal Pinheiros, em São Paulo. Agora, os finalistas se reúnem na Poli para competir entre si, e a equipe vencedora receberá apoio financeiro para a realização de um estágio no exterior no valor de US$ 1,2 mil mensais para cada membro.

Perspectivas para a cana – A primeira palestra do dia – “Evolução tecnológica do setor sucroenergético” – foi feita por Pinho de Assis, e trouxe aos estudantes um resumo da história do setor e dos seus momentos mais importantes, como a criação do programa Proálcool, em 1975; e das possibilidades de crescimento da indústria sucroenergética com a aprovação da Renovabio, lei que reconhece o papel estratégico de todos os biocombustíveis na matriz energética brasileira e que pode significar um incentivo aos produtores de álcool a melhorarem a eficiência e diminuírem ainda mais a emissão de carbono.

Segundo o palestrante, o objetivo da conversa com os alunos foi “motivá-los a estudar o setor e quem sabe até entrar nele, uma vez que o álcool volta na pauta mundial com as perspectivas de mudanças climáticas”. Para ele, a estagnada no preço da gasolina há mais de sete anos no país pode ter significado um congelamento do crescimento da indústria do álcool, mas esse cenário pode mudar a qualquer momento. “O setor sucroenergético tende a responder muito rapidamente aos estímulos de investimentos”, confirma o palestrante. Diante disso, ele convidou os participantes a pensarem na atuação “nesse mar de oportunidades”.

Um dosdesafios apontados por Pinho foi a questão do melhor aproveitamento da vinhaça, líquido resultante da produção do álcool. Atualmente, ela é destinada para irrigação dos canaviais,, uma vez que é composta basicamente de água e de resíduos não prejudiciais ao solo. Contudo, sabe-se que ela pode ser transformada em biogás. Eletambém apresentouum panorama dos principais acontecimentos para o setor açucareiro e algumas curiosidades, como o fato das primeiras utilizações da mistura de álcool e gasolina para alimentar os motores de carros datarem de 1908.

Como inovar no mundo atual – A segunda palestra, proferida por Pando, trouxe aos alunos as principais estratégias para conseguir desenvolver e aplicar uma ideia inovadora. Segundo ele, o Brasil passa pelo chamado bônus demográfico – quando há mais gente trabalhando do que aposentada -, hora mais propícia para o investimento no crescimento econômico e tecnológico do país.

Para isso, o palestrante afirmou serem necessárias mudanças drásticas na lógica da gestão das empresas, por exemplo. “Atualmente, o mundo contemporâneo é centrado no indivíduo, que produz, compartilha e é dono de seu próprio conteúdo na internet. Quando analisamos a estrutura de uma instituição tradicional – extremamente hierárquica e conservadora -, percebemos que ela não se encaixa mais nesse modelo”, explicou.

Ainda segundo Pando, as mudanças trazidas pela era digital afetaram também a lógica de consumo da sociedade atual. “Os estoques estão se tornando desnecessários, uma vez que os produtos são feitos sob medida para os compradores”, afirmou. “O que as empresas devem fazer é tentar entender o que o consumidor quer, e se isso é tecnicamente possível e financeiramente viável”.

Para isso, lançou o desafio aos estudantes presentes. “O que o consumidor quer é algo muito complexo de descobrir. A chave é tentar humanizar ao máximo as relações com ele e tornar suas tomadas de decisão as mais simples possíveis”, finalizou.