Arquivo histórico dos primeiros 40 anos da Escola Politécnica da USP é lançado on-line

pro

A Poli foi fundada em 1893 em meio a um período histórico de transformações, e nos documentos do acervo, é possível constatar sua participação nas grandes obras e projetos que moldaram a cidade e o país.

Pesquisar sobre a história da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) ficará mais fácil. Isto porque um projeto da Poli, em parceria com a Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE), disponibilizará na Internet 80 mil documentos gerados nos primeiros 40 anos de existência da Escola, em um sistema de busca que foi lançado no dia 14 de dezembro, durante a última Congregação do ano. “Nosso acervo conta uma história importante não só da Escola Politécnica da USP, mas da Engenharia brasileira. Disponibilizar essa história para a sociedade é cumprir com nosso papel de democratizar o acesso ao conhecimento e também de resgatar o valor da nossa Engenharia no Brasil”, destaca o diretor da Poli, José Roberto Castilho Piqueira.

O projeto de digitalização do Arquivo Histórico, como é chamado, utilizou como base os documentos armazenados desde a fundação da Poli, em 1893, até o ano de 1934. Eles foram cadastrados segundo as regras do Arquivo Geral da USP (AGUSP) e da Norma Brasileira de Descrição Arquivística (NOBRADE).

Os documentos físicos foram higienizados, armazenados e catalogados em novos suportes de polionda, e estão acomodados no prédio do Biênio. Eles haviam sido organizados pela última vez há 20 anos em um projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Atualmente, para ter acesso a eles e poder manuseá-los, o pesquisador deve elaborar um pedido de autorização à Diretoria, explicando os motivos da pesquisa, e ser acompanhado de uma pessoa encarregada durante a visitação do acervo para a consulta.

Com a digitalização dos arquivos, todo o processo poderá ser encurtado. Digitando palavras-chave, é possível acessar os documentos avulsos e encadernados como atas de reuniões da Congregação, recibos de compras feitas por laboratórios e departamentos, fotografias de alunos e instalações, projetos e plantas arquitetônicas desenvolvidas por professores, entre outros materiais administrativos e financeiros. “Para garantir a facilidade na busca foi escolhida uma plataforma que também é utilizada para repositório de arquivos, por outras universidades e instituições ao redor do mundo, como o Arquivo do Estado de São Paulo”, explica Enio Blay, coordenador do projeto na FDTE. Trata-se da ICA-AtoM, baseada em um software livre, que foi adaptada para as características do acervo a ser lançado.

Blay afirma ainda que foi feita a divisão cronológica porque a primeira fase do trabalho abrange desde a criação da Poli em 1893 – com o decreto legislativo de fundação da Escola, que conta com assinaturas de Antônio Francisco de Paula Souza e Bernardino de Campos, entre outros – até a sua incorporação à USP, em 1934. Para ser possível uma reprodução fac-símile dos documentos, o armazenamento das imagens foi feito em alta definição e, para facilidade de acesso e pesquisa, em mais baixa resolução, em formato pdf.

A empresa responsável pela plataforma, a Mercúrio, ainda cuidará do site por mais 28 meses para assegurar que não haja nenhum problema com o funcionamento do mesmo. Vale lembrar também que os documentos pessoais não serão disponibilizados abertamente ao público, e ainda necessitarão de autorização prévia. Contudo, a sua ficha catalográfica está no arquivo e será pública.

“Tivemos o cuidado de separar o que é privado do que é público, mas sempre tendo em mente que o acesso à informação é um direito de todos”, afirma Blay.

De onde vieram os recursos – Consta na Lei Rouanet, sancionada em 1991, a possibilidade de pessoas físicas e empresas aplicarem parte de seus impostos de renda devidos em ações culturais, o que foi o caso do projeto da Poli/FDTE.

Para que fosse aprovada, a proposta para digitalização teve que ser submetida a uma aprovação do Ministério da Cultura. Uma vez aceita, iniciou-se a etapa de arrecadação da verba estipulada – R$ 4,7 milhões de reais. A Poli entrou em contato com empresas privadas e conseguiu o valor de R$ 1,5 milhão, suficiente para a realização da primeira parte do projeto.

Blay diz que o restante dos documentos será digitalizado nas outras fases, que ainda precisam da captação de recursos para serem executadas.