Formação e atuação multidisciplinar são a chave do sucesso na Engenharia

É o que ressaltou Glaucius Oliva na aula inaugural da Poli-USP deste ano.

Engenheiro eletrônico formado pela Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC-USP), mestre em física pelo Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP) e doutor em cristalografia de proteínas pela Universidade de Londres. A trajetória de Glaucius Oliva é um exemplo concreto de como a formação multidisciplinar pode levar a uma carreira de sucesso. Usando sua experiência, Oliva mostrou aos ingressantes da Escola Politécnica (Poli) da USP a importância de se atuar em equipe e mobilizar informações e competências das mais diferentes áreas da ciência para a solução de problemas complexos da sociedade atual. Oliva esteve na Poli para proferir a aula inaugural de 2018, realizada ontem (26/02), em São Paulo.

Coube ao diretor da Poli, professor José Roberto Castilho Piqueira, apresentar Oliva aos novos estudantes. “Ele tem um currículo muito rico. Além de engenheiro e físico, atuou como presidente do CNPq e hoje coordena um Cepid [Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – Fapesp] que procura descobrir medicamentos para combater doenças como a febre amarela, a dengue e a zika. É um exemplo de como um profissional de Exatas pode contribuir para o enfrentamento de problemas graves da sociedade”, destacou Piqueira.

Oliva coordena o Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos (CIBFar/CEPID-Fapesp) que reúne pesquisadores de diversas áreas e instituições para encontrar fármacos contra viroses transmitidas por insetos. “Hoje enfrentamos problemas cada vez mais complexos, que exigem a combinação de um conjunto de informações provenientes de muitas disciplinas. É o que fazemos no nosso Cepid”, afirmou.

“Mobilizamos pessoas e conhecimento da Química, da Biologia Celular, da Biologia Molecular, da Física, da Engenharia de Computação etc, usamos modelagem e recursos computacionais pesados, tudo para encontrar uma molécula com potencial de se tornar um medicamento. Precisamos da interdisciplinaridade e da atuação em equipe para avançarmos”, destacou. “Costumo dizer que ‘saber quem sabe’ é mais importante do que saber tudo”, completou.

Ao traçar um histórico sobre a evolução da ciência, que partiu do modelo grego, mais generalista, para os séculos XIX e XX, no qual se firmou a divisão por disciplinas, Oliva lembrou que a especialização foi fundamental para o avanço do conhecimento ao longo da nossa história. “Mas estamos agora em uma fase na qual o conhecimento volta a convergir. E vocês, futuros engenheiros, precisam atuar em grupo, porque não é viável que se saiba tudo”, disse.

Segundo ele, apenas dominar as técnicas não vai fazer de ninguém um bom engenheiro. “Saber usar bem programas é importante, mas cada vez mais os próprios computadores vão passar a fazer esse tipo de trabalho, e possivelmente o farão melhor do que vocês”, alertou. Em sua avaliação, o essencial para ser um bom engenheiro é desenvolver um bom conhecimento de base e aplicar a inventividade, a criatividade, para construir um novo conhecimento. Isso faz a diferença. “O que a Poli vai dar a vocês é uma formação básica sólida, vai ensiná-los a usar ferramentas para resolução de diferentes problemas. Isso vai abrir as portas”, destacou.

Confira as fotos da aula inaugural com o professor Glaucius Oliva no álbum da Poli-USP no Flickr