Novo laboratório associado à Petrobrás é implantado na Poli Santos

O Laboratório de Mecânica Computacional Aplicada surgiu para atender demanda da indústria do óleo e gás relacionada à produtividade dos reservatórios desses recursos.

Neste ano, um novo laboratório de pesquisas da Escola Politécnica (Poli) da USP iniciou suas atividades, ainda que de forma remota. O Laboratório de Mecânica Computacional Aplicada (LMCA), sediado no campus de Santos, é coordenado pelo professor Ronaldo Carrion, e tem como escopo a utilização de métodos numéricos para tratar problemas associados à geomecânica. Na prática, o objetivo do grupo de pesquisa é viabilizar a extensão do período de produção para reservatórios de óleo e gás, por meio de ferramentas muito utilizadas no campo da engenharia. 

A proposta surgiu nas discussões  entre o professor Carrion e alunos de mestrado que trabalhavam em uma pesquisa relacionada com esse campo de estudos — no caso, a geomecânica. O potencial de desenvolvimento de um laboratório associando a área aos métodos numéricos, ainda mais considerando a proximidade da Poli Santos com a Petrobras, incentivou o docente a propor o projeto na estatal. A ideia foi contemplada, e o grupo de pesquisadores já iniciou suas atividades remotamente, devido à pandemia. 

O professor explica que a principal atividade do Laboratório de Mecânica Computacional Aplicada é a realização de simulações computacionais de um processo chamado fraturamento hidráulico. Este procedimento é utilizado na extração do óleo e do gás e consiste em injetar um fluido na rocha do reservatório para quebrá-la e facilitar a passagem da matéria prima, aumentando a produtividade da reserva. A parceria Petrobrás e Poli Santos se beneficia duplamente pela proximidade entre ambas e pela abordagem original com que o método computacional é aplicado na área, trazendo destaque não só para o Laboratório, mas para toda uma cadeia de pesquisa, inovação e sustentabilidade de recursos de importância mundial.

Ronaldo Carrion conta que o projeto é pioneiro em sua abordagem, unindo a técnica da engenharia de métodos numéricos com aplicação na área da geomecânica. A pesquisa é realizada em Santos devido à demanda da Petrobrás, detentora da exploração dos recursos energéticos estudados pelo laboratório. Como o laboratório é basicamente composto por computadores e softwares, suas atividades não foram significativamente afetadas pelo distanciamento devida à pandemia, já que os sistemas podem ser acessados remotamente. Assim  que a unidade  de Santos reabrir, a infraestrutura física do laboratório será montada, mas para Carrion, o que realmente importa no projeto são as “cabeças pensantes”. 

Além disso, com a mudança do curso de Engenharia do Petróleo para o campus na capital, o novo laboratório visa atrair alunos no final de seus cursos de graduação ou ingressantes na pós-graduação para o prédio do litoral, mantendo a relevância da Poli Santos dentro da Escola. Atualmente, o laboratório está com uma vaga aberta para Mestrado, com bolsa, pois existem diversas áreas de pesquisa já com demandas a serem trabalhadas, e o mestrando poderá iniciar remotamente suas atividades mesmo antes da abertura física do laboratório. 

Devido à pandemia de covid-19, a Petrobrás realizou alguns cortes e adaptações nos projetos apoiados. No caso do Laboratório de Mecânica Computacional Aplicada, o corte foi feito na quantidade de pessoas envolvidas, mas a questão da infraestrutura continua da mesma forma que a proposta inicial. Por se tratar de um campo bastante particular, Carrion afirma que, agora, o objetivo inicial do grupo é “adquirir bastante experiência na área específica de geomecânica. Pegar todo o conhecimento de métodos numéricos dos professores e aplicar na área”. 

Para outras informações sobre o projeto e sobre a vaga de mestrado, entrar em contato por meio do e-mail rcarrion@usp.br

Prédio da Poli em Santos, que será a sede do novo laboratório.