Alunos da Poli conquistam 2º lugar em competição internacional de Engenharia Metalúrgica

O grupo, orientado pelo professor Guilherme Lenz, participou pela terceira vez da Metal Cup, na Rússia, e foi vice-campeão com projeto de reciclagem de baterias

Um grupo composto por nove alunos de graduação e pós-graduação do Departamento de de Engenharia Metalúrgica e de Materiais (PMT) da Poli foi classificado em segundo lugar na edição de 2020 da Metal Cup, competição russa da área da metalurgia realizada online. A equipe, liderada pelo professor Guilherme Lenz, ainda empatou com a Rússia em primeiro lugar na categoria de tecnologia e inovação do evento. 

O tema da edição deste ano consistia na resolução de problemas com enfoque ambiental de forma inovadora e aplicável ao país de origem do time. O projeto desenvolvido pela equipe envolvia uma cadeia de valor para reciclagem dos metais contidos no interior de baterias, como lítio, níquel, cobalto e ferro. Os alunos estruturaram todo o projeto logístico, considerando os aspectos social, ambiental e econômico do projeto. A aplicação da tecnologia proposta pelo grupo é novidade no Brasil e é de grande impacto nos resultados esperados: seguindo a ideia do projeto, quase cem por cento dos metais das baterias seriam reaproveitados em um processo feito nacionalmente. 

A Metal Cup é uma competição russa, que se tornou internacional a partir de 2017. O seu objetivo é reunir várias escolas de Engenharia para que seus alunos apresentem projetos de metalurgia focados em estratégias para resolução de problemas. O evento, além da competição, inclui gincanas esportivas, palestras e treinamentos para os participantes, de forma a contribuir com a sua formação. Esta foi a terceira vez da Poli na competição: em 2017, o grupo da Escola foi até Krasnoyarsk, na Sibéria, e conquistaram o terceiro lugar com um projeto que propunha a produção de matéria orgânica a base de algas e aplicá-la como agente redutor na metalurgia. Em 2019, ficaram em quinto lugar com o tema Inteligência Artificial na Indústria Metalúrgica. 

Para a elaboração do projeto que seria submetido na competição, o time realizou diversas reuniões e pesquisas. O começo do processo foi baseado em coleta de dados e informações para estruturação da ideia. Inicialmente, chegaram a pensar em lama vermelha ou resíduos de níquel da metalurgia, mas acharam mais interessante a questão das baterias. O Brasil, atualmente, não recicla baterias, exportando para realizar o processo fora do país. Com a energia elétrica ocupando cada vez mais lugares na sociedade, reaproveitar os metais será muito importante. 

Felipe Fauaz de Almeida, aluno do primeiro ano de Engenharia Metalúrgica e de Materiais e membro do time, conta que não tinha um conhecimento grande da área, sendo um dos motivos para participar justamente conhecer mais da área e dos seus campos de atuação. Outro motivo foi a experiência internacional que a Meta Cup proporciona: esse ano, especialmente por ser online, fez com que os alunos tivessem contato com muitas pessoas de diferentes países sem sair de  casa. Para Felipe, a experiência valeu muito a pena. 

Sobre o aprendizado adquirido, o aluno revela que teve um grande desenvolvimento durante a competição, “principalmente por conta dos treinamentos que recebemos, sobre metodologias de como solucionar um case. A gente teve todo esse suporte e com isso conseguimos pegar a proposta e apresentar uma solução que nos rendeu o segundo lugar”, completa.  

Vitor Ferreira Bindo, aluno da pós-graduação, faz mestrado com o professor Guilherme Lenz desde 2018. Ele acompanhou a Metal Cup de 2019 e ficou interessado em participar do time neste ano. O orientador então convidou ele, juntamente com outros estudantes da pós-graduação, para agregar mais conhecimento ao time, já que a maioria dos alunos que compõem a equipe estão na graduação. Assim, Vitor e os demais, que já tiveram mais contato e vivência com a metalurgia, trazem a parte prática ao projeto. Ele conta que a oportunidade de ter contato com pessoas outros países foi muito enriquecedora. 

Rodrigo Rossi Viana, aluno do sexto ano de Engenharia Metalúrgica, participou pela primeira vez do evento em 2017, quando foi para a Sibéria, na Rússia, com o time da Poli. Depois, participou novamente em 2019 e agora em 2020. “Gostei muito de ter participado, consegui ter contato com outras pessoas do PMT, além de aprender mais sobre alguns processos metalúrgicos que não conhecia e poder propor uma solução possível de ser aplicada em um problema real”, relata. 

Além do professor Guilherme Lenz, orientador do grupo, e de Felipe Fauaz, Vitor Bindo e Rodrigo Viana, compõem o time Danyela Carvalho, Daniele Consani, Danilo Avante, Fernando Leal, João Fardin e Natalia Antoniassi. 

O time da Poli na Metal Cup é composto por docente, alunos de graduação e de pós-graduação.