Máscara inteligente para tratamento do coronavírus criada na Poli está em fase final de desenvolvimento

O projeto, intitulado “Máscara Inteligente Para Pacientes Com Quadro Clínico Inicial Da Doença Covid-19″, é apoiado pelo Fundo patrimonial Amigos da Poli e utiliza impressora 3D para confecção dos dispositivos

Um grupo do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos (PSI) da Escola Politécnica (Poli) da USP, em parceria com a Faculdade de Medicina (FM) da USP desenvolveu uma máscara inteligente para atendimento inicial de pacientes com coronavírus em unidades básicas de saúde (UBS) e prontos-socorros. O projeto está em fase final de desenvolvimento e as máscaras resultantes também poderão ser direcionadas aos profissionais de saúde envolvidos no tratamento dos pacientes infectados. 

A ideia do projeto, que recebeu apoio do Edital de Combate a COVID-19 do Amigos da Poli, é a fabricação de máscaras de baixo custo por processo de moldagem e impressão 3D. O dispositivo projetado facilita a respiração e permite promover inalação controlada pelo paciente com controle de temperatura e filtragem do fluxo expirado. Assim, a máscara impede a propagação do vírus covid-19 por meio de secreções, gotículas e saliva para o meio exterior na forma de aerossóis. 

Segundo o grupo de pesquisa que a desenvolveu, a máscara inteligente pode ser conectada por meio de um tubo flexível a dois dispensadores individuais de soro fisiológico e medicamentos, conjugado com um concentrador de oxigênio portátil. Dessa forma, o fluxo para o nebulizador é controlado por uma mini-válvula mecânica atuada eletricamente. Os dispensadores e o concentrador de oxigênio são carregados pelo paciente em uma cinta, que fica presa na altura do quadril.

O sistema de controle da máscara inteligente é capaz de gerenciar os sistemas de ventilação, nebulização, fluxo de soro fisiológico e medicamentos e válvula de expiração na saída, tudo de forma integrada com um sistema medidor de oxigenação. Os processos administrativos de validação científica/tecnológica estão sendo encaminhados nas várias partes que compõe o projeto: por exemplo o sistema de nebulização está gerando um protocolo médico em fase de submissão à Comissão de Ética da FM da USP, e o sistema de filtragem de aerossóis está gerando uma patente.

O grupo desenvolvedor é composto por alunos e docentes da Poli, com a coordenação do professor Sebastião Gomes dos Santos Filho e do pesquisador Eliphas Wagner Simões, e conta com o suporte técnico do HU/FM da USP, com a coordenação do professor Francisco Garcia Soriano. O trabalho contou com a análise de pelo menos dez estruturas e várias configurações de máscara para as análises preliminares adequadas para os futuros testes em campo com humanos, que serão realizados atendendo a rígidos critérios de execução conforme normas do Comitê de Ética da FM da USP. Neste caso, os testes serão realizados com pacientes em Ambiente Domiciliar (Homecare), em Recuperação Anestésica (RPA) e em Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) sem suporte ventilatório, com avaliação contínua da equipe médica. O protótipo final tem um tempo de produção de um a dois dias para cada máscara.