Grêmio Politécnico completa 115 anos de atividades voltadas aos futuros engenheiros

 

Em 2018, o Grêmio Politécnico completa 115 anos de atividade. A organização composta por alunos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) tem nome e sobrenome. Grêmio por reunir as demandas de um grupo. Politécnico por ser a identidade do estudante da Poli-USP. Fundado 10 anos antes da USP, e 10 anos depois da Escola de engenharia que o abriga, o Grêmio esteve na vanguarda do movimento estudantil brasileiro, com protagonismo na campanha “O Petróleo é Nosso”, na participação da criação do DCE da USP e da UNE, no processo de impeachment do ex-presidente Collor, entre outros. Além disso, realizou inúmeros projetos de grande impacto na Escola Politécnica, como a conquista da Casa do Politécnico (Cadopô), que era um prédio de moradia gratuita para os alunos da Poli. Nos últimos anos criou também o Endowment da Poli, que mais tarde se fundiu ao fundo patrimonial Amigos da Poli, reformou completamente a vivência do prédio anexo ao Biênio, e criou o Encontro Internacional para Liderança em Engenharia (EILE). Mais de 100 anos depois, a entidade continua buscando ativamente contribuições práticas na vida dos alunos e da sociedade como um todo, extrapolando seu papel representativo.

Fora a Representação Discente, que garante a voz dos alunos nas decisões administrativas da Escola, o auxílio acadêmico aos alunos e assembleias e plebiscitos, o Grêmio administra hoje mais de 40 projetos de naturezas diversas. Se o aluno entra e precisa de reforço pedagógico, o Grêmio oferece aulas. Se ele precisa aprender francês para conseguir fazer intercâmbio, existe um curso de idiomas administrado pelo Grêmio. Se existem dúvidas a respeito de quem votar em eleições, não tem problema, o Grêmio organiza um evento com os candidatos e garante o lugar do politécnico. Se o ambiente está muito estressante, surge a Semana de Arte da Poli, trazendo cor para a Escola. E se a questão vai além do curso, e o caminho para buscar a saúde mental é difícil, o Grêmio traz o apoio necessário por meio de palestras, grupos de terapia e uma lista de psicólogos acessíveis, até mesmo com atendimento gratuito. Em toda a trajetória acadêmica, a entidade está presente.

Lado a lado da administração da Escola Politécnica, ajudando a instituição a cumprir o seu papel, o Grêmio atinge a sociedade de maneiras ainda mais diretas do que auxiliando na formação de engenheiros capacitados, humanizados e mentalmente saudáveis. Eles incentivam crianças a se interessarem pela engenharia por meio de oficinas, auxiliam pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica a entrarem na Poli por meio de um cursinho popular e financiam projetos de engenharia que buscam solucionar problemas das cidades. Isso é oferecer um retorno à sociedade, e esse é o principal objetivo tanto da Escola Politécnica quanto da Universidade de São Paulo. Confira abaixo os projetos desenvolvidos pelo Grêmio Politécnico:

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Projetos Acadêmicos

Poliglota Idiomas

Tradicional dentro do Grêmio, a escola de línguas surgiu na década de 1990 com o objetivo de oferecer aos politécnicos um ensino de idiomas nos padrões da Universidade de São Paulo e com preços acessíveis. Hoje, os cursos são abertos ao público geral, tanto de dentro da USP quanto de fora. Reforçando o objetivo de proporcionar preços inclusivos, existe um programa de bolsas no Poliglota que possibilita aos alunos que não podem pagar pelo curso o façam de graça. Além de auxiliar na internacionalização da Escola, o projeto é uma das maiores fontes de renda da entidade, ao lado dos serviços disponíveis no espaço do Grêmio, como uma lanchonete e a copiadora.

Encontro Internacional para Liderança e Engenharia (EILE)

Criado em 2016, o intuito do evento é colocar em prática os ensinamentos aprendidos na Escola e encontrar soluções para problemas de cidades. Na primeira fase, os participantes selecionados entre a graduação da Escola Politécnica, a pós-graduação de diversos institutos da USP e até mesmo faculdades estrangeiras, são levados para a cidade-sede, onde durante uma semana formam equipes, assistem a palestras e idealizam o projeto que desenvolverão ao longo do ano. Os problemas a serem trabalhados são apontados pela própria prefeitura da cidade, que indica um de seus funcionários para estar à disposição dos participantes. A segunda etapa é o desenvolvimento do projeto, com auxílio de professores de toda USP, e a terceira é da apresentação que farão à banca avaliadora na etapa final, composta por grandes nomes, como CEOs de empresas patrocinadoras, representantes de prefeituras parceiras e professores apoiadores do projeto. Os critérios de avaliação são viabilidade, inovação e impacto. O grupo mais bem avaliado recebe R$15 mil para conseguir implementar o projeto. Na primeira edição, o que venceu foi um dispositivo para levantar os níveis de poluição da cidade por meio de um aparelho instalado no transporte público. Este primeiro protótipo esteve em fase de teste nos circulares da Cidade Universitária. O EILE conta com o apoio de várias instituições nacionais e estrangeiras, incluindo o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações do Brasil e o Consulado Geral de Portugal em São Paulo.

Orçamento Participativo Minerva (OPMin)

O OPMin foi uma forma que o Grêmio encontrou de distribuir parte de seu orçamento anual entre os Grupos de Extensão da Poli. Os grupos são divididos em diversas categorias: técnicos e voltados para a Engenharia, sociais, projetos novos e os de Santos. A renda é colocada em concorrência, e quem decide a distribuição não é o Grêmio, mas os próprios alunos. São abertas urnas em todos os prédios da Escola e, para ganhar votos, os grupos precisam se esforçar para divulgar o próprio projeto. Em 2017, 42 grupos foram beneficiados pelo programa, que envolveu cerca de 950 alunos.

Politécnicos Resolvem

Iniciado no ano passado, o projeto surgiu para incentivar os alunos na resolução de problemas estruturais da Escola por meio da engenharia. Um edital é liberado situando os alunos a respeito de algum problema específico e eles enviam suas propostas. A solução mais bem avaliada é levada para a administração da Escola para ser implementada. Na primeira edição, realizada em 2017, foi discutida a otimização do processo de transferência interna por meio de um sistema eletrônico.

O Politécnico

Em circulação desde 1944, o jornal do Grêmio é a publicação mais antiga da Poli. Para além de servir como informativo a respeito de acontecimentos marcantes da Escola e da Universidade, o espaço permite que os alunos se expressem livremente. Recentemente, oito páginas foram acrescentadas ao jornal, criando novas seções, como a acadêmica, a esportiva, a de classificados e a de entretenimento, que conta até mesmo com uma subseção chamada “Com Quem Pareço”, em que politécnicos parecidos com famosos compartilham essa semelhança. As reuniões acontecem semanalmente e são abertas a todos os estudantes com interesse em sugerir pautas, escrever, tirar fotos, desenhar e, enfim, dar sua contribuição. A distribuição dos jornais é gratuita e ocorre a cada dois meses.

Plataforma de Estágios

Mais uma iniciativa da atual gestão, a plataforma foi criada para facilitar os alunos na busca por um estágio. O banco de dados é alimentado pela entidade com as oportunidades enviadas pela Escola para o e-mail institucional dos alunos, e por empresas que enviam suas propostas de estágio diretamente para a plataforma. As vagas podem ser filtradas por curso e possuem descrição, instruções de candidatura e data de expiração. A plataforma se encontra no site do Grêmio Politécnico.

Aulas de Revisão e Poli3100

As aulas de revisão são realizadas pelo Grêmio antes de todas as semanas de provas, em parceria com uma empresa de estudos online, que auxilia na filmagem para que o maior número possível de alunos consiga participar. Seguindo essa linha, o ano de 2018 começou com uma novidade: o Poli3100, uma iniciativa da entidade para superar a possível defasagem de conteúdo dos alunos ingressantes, dando aulas de conteúdos do Ensino Médio que são necessárias para um bom acompanhamento das matérias da Poli. As aulas foram ministradas por professores do Cursinho da Poli e estruturadas de acordo com conversas entre o Grêmio e os coordenadores de disciplinas da Escola.

Politizados e Universidade vai às Urnas

Na sua posição de entidade representativa, o Grêmio reconhece a importância em desenvolver o  engajamento político dos alunos. Com isso, a discussão política é trazida para dentro da Escola, sempre prezando pela pluralidade, apresentando diversos posicionamentos. Com o mesmo objetivo, existe o projeto Universidade vai às Urnas, com uma proporção bem maior, ultrapassando os muros da Escola Politécnica. A iniciativa começou em 2016, em parceria com os Centros Acadêmicos de grandes faculdades, tanto da USP quanto de outras universidades, durante as eleições, com a ideia de trazer não só o debate para dentro da Universidade, como os próprios protagonistas em questão — os candidatos. Este ano, já foram realizados debates com deputados, e ainda haverá com governadores, no Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, conhecido como TUCA. Como o Grêmio Politécnico está na organização, os alunos da Escola possuem uma quantidade de vagas reservadas.

Alexandria

A recém-criada feira do livro politécnica, batizada de Alexandria, começou em 2017 e busca promover a leitura dos estudantes. O Grêmio realiza parcerias com as editoras, que oferecem livros a preços mais acessíveis, semelhante à Feira do Livro da USP. “Trouxemos livros com até 50% de desconto pros alunos, de editoras dos mais diversos títulos”, explica Arthur Shimizu, atual presidente do Grêmio Politécnico.

Projetos Sociais e Culturais

Semana de Artes da Poli (SAPO)

Conhecida pela Universidade, a SAPO chega todos os anos para descontrair o ambiente da Escola Politécnica. É uma semana com diversos workshops, apresentações e intervenções artísticas que deixam marcas permanentes pelas paredes da Poli. A cada ano, um tema é escolhido para direcionar a decoração e a divulgação das atividades. Em 2017, dentre as atrações trazidas para o Biênio estavam barracas de comidas diversas, apresentações dos grupos culturais da Escola, oficinas de caricatura e até mesmo um planetário inflável. A organização do grande evento é aberta a todos os alunos.

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PoliBen

O PoliBen, cujo nome é uma redução de Politécnico Beneficente, é uma iniciativa criada em parceria com a Poli Social. O intuito é aumentar o engajamento social dos alunos e despertar em crianças de comunidades carentes o interesse pela ciência e pela área de exatas, mostrando, por meio de atividades lúdicas e conversas, como a engenharia funciona na prática. Na última edição, eles montaram carrinhos na Poli, em conjunto com os Grupos de Extensão, que mostraram um pouco de seu trabalho a todos.

SOS Poli

O projeto, mais um entre os mais recentes, aborda a questão da saúde mental, auxiliando os politécnicos a lidarem com os desafios da vida universitária e com seus problemas individuais. Eles atuam de duas maneiras: na prevenção e na remediação. A primeira é realizada por meio de eventos e palestras sobre ansiedade, depressão, suicídio e outros temas relacionados, ministrados por profissionais da área da psicologia. Já a segunda se faz com um grupo de terapia que se reúne duas vezes por semana com uma psicóloga, profissional parceira do Grêmio. Além disso, foi criada uma lista com mais de 130 clínicas de psicologia ou conveniadas com o Grêmio, oferecendo descontos para os alunos, ou com atendimento gratuito.

Cursinho da Poli

Buscando auxiliar jovens interessados em ingressar na universidade, mas que não têm condições de arcar com os custos de um cursinho particular, a Poli tem seu curso pré-vestibular de caráter popular e inteiramente gratuito. A única taxa cobrada é a de inscrição. As aulas são dadas por alunos da Poli e de outras áreas da USP, em duas turmas com cerca de 75 alunos cada. Em 2018, 6 alunos do cursinho conseguiram ingressar na Poli. A média anual de aprovados é de 50 alunos.

Bolsas AEP-Grêmio

Em 2017, o Grêmio idealizou um projeto de bolsas para contribuir com a permanência estudantil e valorizar o capital intelectual dos alunos que não tenham condições de arcar com as despesas para se manter na universidade. Eles buscaram empresas para patrocinar as bolsas, e no meio do processo se depararam com o programa de bolsas da Associação de Engenheiros Politécnicos (AEP). As duas entidades decidiram então fundir seus projetos e seus esforços, criando as bolsas AEP-Grêmio. O número de auxílios, que estava em queda em 2016, voltaram a subir em 2017, passando de 48 para 65.

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Quer participar do Grêmio?

O Grêmio atualmente possui projetos abertos, onde qualquer aluno pode participar e contribuir para as tomadas de decisões na entidade. São eles a Poli Talks Week, a SemaPol, a SAPO, o Cursinho da Poli e o Jornal “O Politécnico”. Participando deles, os alunos têm a oportunidade de conhecer de perto o trabalho do Grêmio e sua atuação.

Já as eleições para a diretoria do Grêmio acontecem no final de todos os anos. Os alunos interessados devem formar sua chapa para concorrer, participando de uma campanha, que envolve três debates, sendo um deles em Santos. A votação é realizada em três dias, nos quais urnas são espalhadas por todos os prédios da Escola. As chapas são livres para estruturar suas diretorias, hierarquias internas, propostas e projetos.