Inovação “mais radical” resulta em mais crescimento e renda para empresas e para o País

Termo se refere aos produtos e serviços que fazem a diferença, com fortes impactos na sociedade, na economia e nas empresas

O fato de que a inovação é positiva para o desenvolvimento socioeconômico do País foi detalhado, em 2004, pelo docente Mario Sergio Salerno. O livro Inovações, Padrões Tecnológicos e Desempenho das Firmas Industriais Brasileiras (ed. Ipea, 2004, em co-edição com João Alberto De Negri)  traz uma uma série de análises quantitativas, por meio de microdados oficiais de empresas brasileiras, que mostram que “existe um impacto muito forte da ‘inovação mais radical’ no crescimento das empresas e nos salários”, destaca o docente. Agora, o professor lança a obra “Gestão da inovação mais radical”, junto com o professor da FEA-USP, Leonardo Augusto de Vasconcelos Gomes, um livro que aborda como tornar sistemática a inovação mais radical. “A inovação mais radical é aquela que chacoalha mercados, cria produtos substancialmente novos, contribui para novas plataformas de crescimento das firmas. É diferente da inovação incremental corriqueira, e por isto exige organização e sistemas de gestão diferentes”. Neste vídeo, ele explica o que é inovação, seus tipos e graus.

Este livro visa atender tanto grandes corporações quanto jovens startups interessadas em desenvolver de forma sistemática  inovações mais radicais. O que as caracteriza é estarem envoltas em grandes incertezas, ou seja, variáveis que não se podem ser medidas e que, muitas vezes, nem são conhecidas, aparecendo sem aviso prévio no decorrer do projeto. O professor Salerno cita como exemplo de produtos que consistiram em uma inovação deste tipo o microcomputador, smartphone ou poletileno de origem vegetal (etanol).

“Mais Radical” é um jogo de palavras com relação ao incremental, que melhora um produto já existente em um mercado pré-existente, como o novo modelo de um carro para o próximo ano. “As inovações não incrementais, ou mais radicais, tem poder de transformação na sociedade”, explica Salerno. Essas inovações têm como características “o fato de estarem envoltas em incertezas, de não se conhecerem as variáveis, não sendo possível modelar matematicamente os riscos”.

Salerno relata que já há várias pessoas lidando com a área, e que grandes empresas estão em busca de inovações radicais sistemáticas, assim como startups intensivas em conhecimento. A obra se dedica, então, a discutir qual o mindset, ou seja, a lógica mental necessária para atuar na área, como organizar a empresa e o sistema de gestão para obter inovações mais radicais de forma sistemática, como organizar portfólios de projetos de inovação mais radical de forma a que eles não sejam “canibalizados” pelos projetos incrementais, como e gerir incertezas no ecossistema de inovação, quais os ciclos da ação empreendedora envolta em incertezas. . A obra é concluída com uma discussão sobre planejamento tecnológico (technological roadmapping) para a empresa. Salerno conclui ressaltando que do ponto de vista da sociedade, da economia, da empresa e da engenharia, a inovação é essencial.

O lançamento formal do livro será realizado na Livraria da Vila da Rua Fradique Coutinho, 915, no dia 10 de dezembro, das 18h30 às 21h30. Também está previsto um debate sobre Gestão da Inovação no NAP – Observatório da Inovação e Competitividade, no auditório do Instituto de Estudos Avançados da USP no dia 15 de março, com transmissão pela IPTV-USP.

Serviço

Livro “Gestão da Inovação mais Radical”

Autores: Mario Sergio Salerno (Departamento de Engenharia de Produção da Poli-USP) e Leonardo Augusto de Vasconcelos Gomes (FEA-USP, doutor pela Poli-USP).

MARIO SERGIO SALERNO é professor titular do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da USP (Poli-USP), onde fundou e coordena o Laboratório de Gestão da Inovação. É cofundador e coordenador do Observatório da Inovação e Competitividade, Núcleo de Apoio à Pesquisa, sediado no Instituto de Estudos Avançados da USP.

LEONARDO A. DE VASCONCELOS GOMES é professor no Departamento de Administração da FEA-USP. Pesquisador ativo do Laboratório de Gestão da Inovação da Poli-USP e do Observatório da Inovação e Competitividade do IEA-USP. Coordenador do CORS – Núcleo de Apoio à Pesquisa “Center for Organisation Studies” da USP.