Palestra do PIEE aborda o papel do engenheiro na mobilidade para deficientes

Os alunos do Programa tiveram contato com métodos de aplicação da tecnologia para mobilidade, em especial, para pessoas com deficiência.

Durante o primeiro dia do Programa de Integração dos Estudantes de Engenharia (PIEE), evento anual de integração entre os cinco Campi da USP e que propõe aos alunos projetos para buscar soluções de problemas urbanos, os alunos participantes ouviram a palestra “Tecnologia aplicada à mobilidade”, da professora Linamara Rizzo Battistella, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Ela trouxe em sua fala questões inerentes à acessibilidade, explicando as necessidades de portadores de diversas deficiências com relação à mobilidade.

A professora trouxe alguns exemplos de evoluções no transporte público de São Paulo, desde o EMTU até o metrô. O primeiro apresenta alguns aspectos eficientes, como o ônibus e o terminal acessíveis, chega a atender 2,5 milhões de pessoas por dia e atua em mais de 60 municípios; já a CPTM apresenta maiores desafios, em que o número de estações acessíveis não chega à metade. Por último, o metrô tem todas suas estações pensadas para a acessibilidade, todas possuem elevadores. Essa agilidade dos serviços não ajudam apenas portadores de deficiência, mas também idosos, obesos, pessoas com carrinhos de bebê.

Segundo ela, a tecnologia tem o poder de garantir autonomia aos deficientes, como poder conduzir sua própria cadeira, as pessoas têm anseio por conseguirem realizar coisas simples e a engenharia pode trazer essa facilidade para a vida, não só dessas pessoas, mas para qualquer indivíduo inserido na sociedade. As deficiências são distintas e todas precisam ser englobadas. “Quando falarmos em mobilidade, temos que pensar que são diferentes formas, as pessoas que se movimentam na cadeira de rodas, as pessoas que andam, as pessoas que têm dificuldades de andar e usam muleta, mas temos que pensar também nas pessoas que não enxergam e que têm restrições de mobilidade”, pontua.

Linamara ressalta também quais pontos um projeto de engenharia deve atender nesse contexto. “Ao pensar em um projeto de mobilidade, é necessário pensar na sinalização, nos referenciais que podem ajudar uma pessoa com distúrbio de movimento ou com distúrbio de visão a se conduzir sem risco. Deve-se pensar em todos os elementos de segurança, mas acima de tudo, que qualquer barreira pode significar um grande impedimento, desde uma sinalização mal feita até uma estrutura para marcar os pontos”. Nesse sentido, o engenheiro é alguém que “precisa pensar num projeto para mobilidade, olhando primeiro para as pessoas com deficiência, o que ele fizer para as pessoas com deficiência vai servir com folga para todos os outros”, conclui. Por isso, é importante que os profissionais de engenharia tenham um contato direto com deficientes e perguntar-lhes o que é importante para elas no que diz respeito à facilidade e funcionalidade.

Por fim, a inovação, por meio das startups, a ser pensada é na direção do desenvolvimento de produtos universais, qualquer pessoa com quaisquer que sejam seus obstáculos devem conseguir usá-los devido ao planejamento feito pelo engenheiro.