Tecnologia pode garantir autonomia aos deficientes

Papel do engenheiro na mobilidade para deficientes foi tema de palestra na Poli-USP. Estudantes de Engenharia da USP conheceram métodos de aplicação da tecnologia para mobilidade, em especial, para pessoas com deficiência.

Em dezembro de 2018, a Universidade de São Paulo promoveu, pela segunda vez, o Programa de Integração dos Estudantes de Engenharia (PIEE), projeto que integra estudantes de diversos cursos da cinco faculdades da USP que oferecem graduação na área. Durante uma semana, os participantes recebem as orientações, por meio de palestras e treinamentos, para desenvolverem um projeto inovador. A primeira palestra desta edição foi 

“Tecnologia aplicada à mobilidade”, com Linamara Rizzo Battistella, Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência e professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) . Ela abordou o tema da acessibilidade, explicando as necessidades de portadores de diversas deficiências com relação à mobilidade. 

A professora apresentou exemplos de evoluções no transporte público de São Paulo, dos ônibus ao metrô. A EMTU, que gerencia o transporte intermunicipal por ônibus na Grande São Paulo e outras regiões, apresenta alguns aspectos eficientes, como o veículos e o terminais acessíveis, chega a atender 2,5 milhões de pessoas por dia e atua em mais de 60 municípios; já a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) apresenta maiores desafios, pois o número de estações acessíveis não chega à metade. Por último, o Metrô tem todas suas estações pensadas para a acessibilidade, todas possuem elevadores.  Estes recursos não ajudam apenas portadores de deficiência, mas também idosos, obesos, pessoas com carrinhos de bebê.

Segundo Linamara, a tecnologia tem o poder de garantir autonomia aos deficientes, como poder conduzir sua própria cadeira. As pessoas têm anseio por conseguirem realizar coisas simples, e a engenharia pode trazer essa facilidade para a vida, não só dessas pessoas, mas para qualquer indivíduo inserido na sociedade. Ela esclarece que as deficiências são distintas e todas precisam ser englobadas. “Quando falarmos em mobilidade, temos que pensar que são diferentes formas, as pessoas que se movimentam na cadeira de rodas, as pessoas que andam, as pessoas que têm dificuldades de andar e usam muleta, mas temos que pensar também nas pessoas que não enxergam e que têm restrições de mobilidade”, pontua.

Linamara ressalta também quais pontos um projeto de engenharia deve atender nesse contexto. “Ao pensar em um projeto de mobilidade, é necessário pensar na sinalização, nos referenciais que podem ajudar uma pessoa com distúrbio de movimento ou com distúrbio de visão a se conduzir sem risco. Deve-se pensar em todos os elementos de segurança, mas acima de tudo, que qualquer barreira pode significar um grande impedimento, desde uma sinalização mal feita até uma estrutura para demarcar o ponto de embarque”. Nesse sentido, o engenheiro é alguém que “precisa pensar num projeto para mobilidade, olhando primeiro para as pessoas com deficiência, o que ele fizer para as pessoas com deficiência vai servir com folga para todos os outros”, conclui. Por isso, ela defende ser importante que os profissionais de engenharia tenham um contato direto com deficientes e perguntar-lhes o que é importante no que diz respeito à facilidade e funcionalidade.

Por fim, a inovação, por meio das startups, a ser pensada é na direção do desenvolvimento de produtos universais, qualquer pessoa com quaisquer que sejam seus obstáculos devem conseguir usá-los devido ao planejamento feito pelo engenheiro.