Robótica é ferramenta para aproximar estudantes da rede pública da ciência

O aprendizado em robótica, suas aplicações e suas possibilidades, são uma forma de estimular a formação de uma cultura associada à tecnologia. Isto é o que defende o professor Edvaldo Simões da Fonseca Junior, do Departamento de Engenharia de Transportes da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), que utilizou o tema para ensinar o que é inovação tecnológica para alunos de uma escola da rede pública estadual.

A Escola Estadual Santos Dias da Silva (EESDS) promoveu, no dia 14 de novembro do último ano, uma Feira de Ciências com inúmeras atividades artísticas, tecnológicas e científicas, entre elas a Competição de Robótica, promovida em parceria com a Poli-USP. Por meio do Escritório de Relacionamento, setor responsável por integrar a Escola Politécnica com os jovens vestibulandos, a Poli promoveu a quinta edição do torneio que usa o 

brinquedo Lego para ensinar robótica, e consequentemente popularizar a ciência e tecnologia juntos aos estudantes. Para os organizadores, a competição de Robótica pôs em prática esta teoria, e foi uma experiência de inclusão, “não apenas pelo sentido social de integração efetiva do aluno à sua comunidade escolar, mas também pela inclusão digital e tecnológica”.

A iniciativa foi idealizada pelos professores Luiz Tadeu Juvenal e Cleyton Ferreira dos Santos, da da EESDS, com o suporte do professor Edvaldo, que atua também no Programa de Pré-Iniciação Científica da Poli-USP, cujo objetivo é integrar jovens do ensino médio público à Universidade, e despertar o interesse deles pela carreira acadêmica. “A proposta é despertar o interesse dos jovens pela vocação científica por meio da interação da Universidade de São Paulo com as instituições públicas de ensino, mediante participação em atividades científicas, tecnológicas e de pesquisa”, explica Edvaldo Fonseca, responsável pela disciplina que apresenta os conceitos de robótica com os kits Lego Midstorms. “A utilização de kits robóticos nas disciplinas têm gerado excelentes resultados em todos os níveis de aprendizado baseado no trabalho em equipe, experimentação, troca de experiências do aluno do ensino médio com estudantes universitários e motivação do corpo discente”, destaca o professor da Poli-USP.

A atividade, bem como o Programa de Pré-IC, contou com o apoio da Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE). Para os jovens, foi uma grande festa. A competição foi estruturada em duas categorias diferentes (Sumô e Seguidor de Linha) sempre pautada pelo conteúdo prático e teórico absorvido durante as aulas de Pré-IC. No intervalo de cada competição, o professor Edvaldo Fonseca interagia com os estudantes fazendo perguntas científicas e de questionamentos gerais, premiando com brindes institucionais da Poli e da FDTE, àqueles que acertavam as perguntas.

Além disso, a ocasião foi palco da realização de mais uma edição da Feira de Ciências, motivada pelo Projeto VIVENDO a USP, coordenado pelo professor Mikiya Muramatsu do Instituto de Física da USP, apresentando e expondo diversos experimentos de química, física, ciências e artes, como exposição de maquetes, diversas pinturas em telas de vidros e representação de conceitos químicos como: “Processo de Destilação da Cachaça”, “Pulmão Artificial e Estetoscópio”, “Periscópio Caseiro”; “Montanha Russa Robótica”, “Magic Plastic” e “Dragão 3D”.

O funcionário responsável pelo Escritório de Relacionamento da Poli-USP, Junior Rocha, acredita que essa atividade reforça entre os jovens que a Universidade de São Paulo é acessível. “O universo da física e da engenharia é encantador por apresentar uma nova realidade na solução de problemas, de uma maneira onde esses mesmos jovens podem ser responsáveis pelas suas escolhas e pelas opções de vida, fora da realidade em que vivem”.