Poli-USP realiza Workshop de Pesquisa sobre como criar projetos interdisciplinares

A Escola Politécnica (Poli) da USP realizará o seu primeiro Workshop de Pesquisa de 2021 no dia 4 de novembro, das 14h às 17h30.  O evento terá como tema “Mecanismos para a formação de grandes projetos interdisciplinares de pesquisa e inovação”, e está sendo organizado pela Comissão de Pesquisa (CPq) da Poli. O objetivo dos idealizadores é promover a interação entre os pesquisadores da Poli, para que estes conheçam os grandes projetos integrados de pesquisa realizados na Escola, e assim fomentar a criação de novas iniciativas.

Na programação desta edição, haverá duas sessões, a primeira com o tema “Mecanismos para captação de recursos (EMBRAPII, CPE, CEPID)” e a segunda abordará a “Experiências bem-sucedidas na Poli e USP”. O foco da primeira sessão é apresentar aos pesquisadores da Poli os mecanismos de financiamento que podem ser utilizados para criar centros de pesquisa e inovação. “Em particular, tivemos o cuidado de chamar pesquisadores envolvidos com mecanismos distintos”, detalha o presidente da Comissão de Pesquisa da Poli, Professor Dr. Jaime Simão Sichman, do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais.

Neste painel, serão apresentados mecanismo como os Centros de Pesquisa em Engenharia (CPE) e os Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP, e as Unidades apoiadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII, FINEP). “O objetivo desta primeira sessão é detalhar como estes mecanismos operam, quais os requisitos que devem ser cumpridos, quais os tempos envolvidos e número de participantes”, acrescenta o docente.

Na segunda sessão,  coordenadores de projetos em andamento compartilharão o seu processo na criação de centros de pesquisa e inovação. Serão abordadas quais foram as primeiras iniciativas, quais os contatos essenciais, como a USP e/ou a Poli participaram da articulação, quais foram as boas práticas para o sucesso da empreitada e, igualmente importante, quais os caminhos que não frutificaram e que, portanto, devem ser evitados em futuras tentativas. Nesta parte do evento, haverá a participação de pesquisadores que utilizaram outros mecanismos, como contratos com a Petrobrás (TPN) e o MCT/FINEP (ENERQ).

Sobre a origem do workshop – Em 2019, a Diretora da Poli, Professora Liedi Bernucci, criou um grupo de Planejamento Estratégico, coordenado pelo Professor Fernando José Barbin Laurindo, do Departamento de Engenharia de Produção, com o intuito de identificar e produzir metas estratégicas da Escola para os anos seguintes. Na área de pesquisa, o grupo e a Comissão de Pesquisa, na época presidida pelo Professor Gilberto Francisco Martha de Souza, planejaram dois objetivos: a identificação de assuntos estratégicos no cenário científico nacional e a criação de projeto que integrasse grupos de docentes para definição de projetos estruturantes na Poli.

Para cumprir este segundo objetivo, a Comissão de Pesquisa criou o Workshop de Pesquisa, que pretende “propiciar que os docentes, pesquisadores e alunos de graduação e pós-graduação da Poli possam conhecer melhor os grandes projetos integrados de pesquisa que ocorrem na Escola, e entender os mecanismos que propiciaram que estes centros surgissem”, explica Sichman.

O workshop também tem o intuito de incentivar que novos projetos surjam, por meio da exposição dos centros e o processo de criação deles. Segundo o docente, 90% dos convênios firmados entre a Poli e a indústria ou o setor de serviços são encaminhados por um pequeno grupo de 10 a 20 professores da Escola. “Este fato significa que os outros docentes da Poli não estariam capacitados a montar tais convênios? Obviamente que não! Dentro do nosso quadro, temos docentes altamente qualificados. Nossa hipótese é que a grande maioria do nosso quadro desconhece os mecanismos para alavancar tais iniciativas”, acrescenta o politécnico. Por isso, a Comissão acredita que, a exposição das experiências de sucesso, é uma forma de fomentar o engajamento dos docentes nesta atividade, seja por meio da incorporação dos professores aos centros já existentes ou da iniciativa deles de criarem outros centros interdisciplinares de pesquisa na Poli.

A importância dos centros de pesquisa

Nas últimas duas décadas, a realidade da pesquisa científica mudou muito, o que causou uma tendência em se criar grupos maiores e interdisciplinares, que são capazes de responder a perguntas mais instigantes e complexas. “Darei como exemplo um tema que conheço, a Inteligência Artificial. Não basta hoje, embora obviamente seja essencial, estudar melhores algoritmos. Qual a relação destes com os usuários? Como afetam suas vidas, por exemplo sugerindo diagnósticos médicos? Quais são os direitos dos cidadãos a terem seus dados utilizados por estes algoritmos?”. Segundo o docente, para promover avanços nesta área, além de engenheiros e cientistas da computação, são necessários conhecimentos de sociologia, direito, economia, medicina, entre outras especialidades. 

Essa situação também acontece em vários outros campos de pesquisa, como engenharia médica, novas energias renováveis, infraestrutura sustentável e resiliente, transformação digital para a indústria, serviços e agricultura 4.0, mitigação do aquecimento global, mobilidade e cidades inteligentes e engenharia da educação/ciência da aprendizagem.

“Tenho certeza de que após o nosso workshop, nossos docentes, pesquisadores e alunos de pós-graduação e graduação, assim como o público em geral, poderão entender melhor quais são os primeiros passos para que a formação destes grupos interdisciplinares, que investigam questões de pesquisa tão instigantes, e que eventualmente se sintam motivados a conversar com os colegas visando a formação de outros centros na Poli”, finaliza o Professor Jaime Sichman.