Com realidade virtual, RCGI busca democratizar acesso ao conhecimento científico

Em palestra na última sexta-feira, 6/11, pesquisador propôs o uso de ferramentas de inteligência artificial para que a população compreenda – e vivencie – conceitos científicos. Método já teve sucesso em oficinas em escolas públicas e eventos.

Você com certeza já ouviu falar dos gases do efeito estufa e os seus impactos ambientais. Mas já imaginou conseguir ver como eles funcionam e entender os fenômenos que os envolvem estando “dentro” das moléculas? Essa é uma das possibilidades que a realidade virtual oferece. O tema foi abordado na última sexta-feira (6/11) em evento do Fapesp Shell Research Centre For Gas

Imagem: Freepik

Innovation (RCGI), organizado pelo projeto PRH 33.1, RCGILex e a Rede GASBRAS. O pesquisador Caetano Rodrigues Miranda, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP), falou sobre o uso de ferramentas de inteligência artificial em projetos de difusão científica.

“Dentro do contexto da pandemia e da negação da ciência, é cada vez mais importante reforçar o papel do cientista e levar informações para o público”, diz Miranda. A proposta do pesquisador é criar, dentro do RCGI, um laboratório digital – um espaço para treinamento e desenvolvimento de uma plataforma interativa de aprendizado, usando tópicos de interesse do Centro, como questões de energia e ambiente.

Os principais objetivos são: introduzir os avanços científicos e tecnológicos do RCGI para o público geral, influenciadores digitais e tomadores de decisão; encorajar e apoiar estudantes, especialmente mulheres, na área de Ciências Exatas; gerar interações entre ciência e arte; explorar a percepção de fenômenos de gases de efeito estufa por meio de experiências imersivas de realidade virtual; e promover atividades de ciência cidadã, permitindo que a população participe dos projetos do RCGI, despertando o interesse e a curiosidade.

A ideia de implantar essas tecnologias no Centro surgiu com o desenvolvimento de alguns projetos de extensão, coordenados pelo professor Caetano Miranda. “A partir de experiências imersivas que levamos para fora da universidade, em escolas e eventos, notamos que essa tecnologia pode ser muito poderosa para a disseminação de conhecimento. Tivemos uma resposta muito positiva do público”.

Um deles é o MARIIAS (Metodologias de Aprendizagem e Recursos de Interação Inclusivos em Ambientes de Simulação), que visa promover a igualdade de gênero nas Ciências Exatas. Com oficinas de realidade virtual em escolas públicas, o programa motiva estudantes de diferentes níveis de escolaridade a aprender fenômenos da Física. Nessas oficinas, os alunos também aprendem a criar os seus próprios óculos de realidade virtual de maneira acessível, com material reciclável. “Queremos fornecer essas ferramentas para estudantes de baixa renda e temos forte interesse em aumentar o número de mulheres na ciência”, afirma o professor.

Em um projeto paralelo, o CRI@TIVIDADE, os pesquisadores utilizam a arte como método de ensino da ciência, através de peças teatrais, apresentações musicais e realidade virtual. Um dos resultados foi o Women in Science, um vídeo de narrativa imersiva em 360º no qual o espectador vivencia a rotina da mulher na ciência e os desafios que a acompanham.

“A realidade virtual permite que você se coloque no lugar do outro. Acaba mudando a nossa percepção e isso enriquece as discussões. E muitas das tecnologias desenvolvidas no RCGI podem interessar para vários públicos. A ideia é ser capaz de quebrar as fronteiras do presencial e poder explorar, de modo muito mais rico, as oportunidades que se abrem com a realidade virtual”, conclui Miranda.

Sobre o RCGI: O FAPESP SHELL Research Centre for Gas Innovation (RCGI) é um centro de pesquisa financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e pela Shell. Conta com cerca de 400 pesquisadores que atuam em 46 projetos de pesquisa, divididos em cinco programas: Engenharia; Físico/Química; Políticas de Energia e Economia; Abatimento de CO2; e Geofísica. O Centro desenvolve estudos avançados no uso sustentável do gás natural, biogás, hidrogénio, gestão, transporte, armazenamento e uso de CO2. Saiba mais em: https://www.rcgi.poli.usp.br/pt-br/

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