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PoliSat conquista primeiro lugar em competição de satélites

Grupo de extensão voltado para construção de nanossatélites ganha prêmio na Latin American Space Challenge (LASC) 

poli saat

Durante os dias 24 a 27 de agosto de 2023, o grupo de extensão PoliSat, da Escola Politécnica (Poli) da USP, participou da maior competição de satélites e foguetes da América Latina e a segunda maior do mundo, a Latin American Space Challenge (LASC). Competindo na categoria CubeSats, um dos tipos de nanossatélites padronizados, a equipe conquistou o primeiro lugar.  

Incluindo a categoria de satélites pela segunda vez, a competição foi realizada em duas etapas. Primeiro,  as equipes apresentaram um relatório técnico de seus projetos, disponibilizando códigos, projeto eletrônico e demais informações do funcionamento do satélite. Depois, ao longo dos dias da competição, construíram seu satélite para apresentá-lo para a avaliação. Os critérios foram basicamente comparativos, vencendo aquele que apresentou as melhores vantagens. 

“O grande objetivo dessa competição é começar uma cultura de produção de satélites no Brasil, que ainda é incipiente, e incentivar que as pessoas desenvolvam esse tipo de tecnologia, para que as equipes evoluam junto com a competição”, afirma Luca Paniago, capitão administrativo do PoliSat. “A gente não quer só ganhar as competições, nosso objetivo principal é desenvolver essa tecnologia mais profundamente aqui dentro da Poli, para então apresentá-la na competição”, completa Lucas Carboni, capitão de projetos. 

É a segunda participação do grupo na LASC, sendo a primeira em 2022, de forma online, quando conquistaram a segunda colocação. Nesse mesmo ano, também participaram da Olimpíada Brasileira de Satélites (OBSAT) e ganharam o primeiro lugar da Região Sudeste. 

O satélite tem um tamanho de 10x10x20cm (2U) e tem como função o imageamento para análise da diminuição da área rural frente à urbana das cidades, usando visão computacional integrada. Além disso, é uma plataforma para validação do subsistema de controle de atitude, área pouco desenvolvida no Brasil.

O que é o PoliSat?

O grupo surgiu em 2021, a partir do interesse de dois alunos da Engenharia Mecânica. Atualmente, é um grupo de nanossatélite que visa projetar, construir e testar CubeSats, pequenos satélites que se baseiam em unidades cúbicas e que têm a função de serem lançados para transmitir os dados desejados. “Acho que o mais legal é que no começo, a gente quer fazer, mas não sabe como ainda. Foi realmente uma jornada para engrenar de fato. Tivemos que fazer tudo do zero pra chegar aqui hoje e termos um protótipo físico e um primeiro lugar numa competição super renomada na área”, afirma Luca.

“Eu, particularmente falando, que participei desde o começo quando nem era grupo de extensão ainda, me sinto muito orgulhoso de ter feito parte disso. E, mais ainda, tenho um sentimento de dever cumprido, porque quando eu comecei como capitão, meu objetivo era consolidar uma área nova. Atualmente, sinto que contribui para mais pessoas terem oportunidades de aprender, por exemplo o Luca, que nem conhecia nanossatélite e hoje talvez siga uma carreira nessa área”, afirma Lucas.  

Hoje, a equipe é composta por quase 30 pessoas, divididas em sete subsistemas, cada um responsável pela construção de uma parte do satélite. A maioria dos membros são de cursos da engenharia, das mais diversas áreas: mecânica, mecatrônica, naval, de materiais, computação e elétrica. “Acho que hoje estamos muito mais preparados como grupo e como engenheiros para resolver projetos, para participar de novas competições, enfim, qualquer tipo de atividade que a gente faça. Acho que isso é algo que marca muito a nossa experiência aqui dentro da Poli”, diz Lucas.

“Meu objetivo é, daqui alguns anos, quem sabe, ainda ouvir o nome do PoliSat na mídia. Quem sabe, voltar para ver o lançamento de um satélite. E pensar que fiz parte dessa primeira jornada, para que muitas outras coisas engrenarem, dá muito orgulho”, finaliza Luca. 

O grupo tem desenvolvido o satélite há mais de um ano e meio e deram o nome de “Columba”. “Seu primeiro nome foi Polaris, porém, com a LASC, decidimos mudar para Columba, que significa a pomba da paz que deu a notícia à Noé que o dilúvio tinha enfim terminado. Essa simbologia motivou toda a jornada do projeto”, conta Luca.
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