Projeto da Poli-USP busca modernizar ensino de engenharia

Curso de Engenharia Química foi selecionado e concentrará os esforços de projeto financiado pela Capes

A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) foi uma das oito instituições de ensino superior brasileiras selecionadas para participar de um programa que financiará projetos de modernização para cursos de graduação nas áreas das Engenharias. O edital promovido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e pela Comissão para o Intercâmbio Educacional entre os Estados Unidos da América e o Brasil (Fulbright) visa, entre outros aspectos, criar um ambiente propício para o desenvolvimento do pensamento criativo e da capacidade de inovação e de empreendedorismo dos graduandos em engenharia.

Uma equipe de diversos docentes da Poli, do Instituto de Física e do Instituto de Matemática e Estatística da USP, de várias áreas do conhecimento, concebeu um projeto para aperfeiçoamento do ensino nos primeiros anos da Escola, bem como nas disciplinas do curso da Engenharia Química, visando modernização das técnicas de aprendizagem e dos espaços físicos de aula, e a melhoria na compreensão dos conteúdos pelos alunos. A diretora da Poli-USP, professora Liedi Légi Bariani Bernucci, acredita que a qualidade da proposta levou à seleção do projeto, um dos oito escolhidos entre 52 propostas de todo o Brasil. “As instituições de ensino estarão em contato com universidades norte-americanas e poderão apresentar suas experiências, discutindo sucessos e dificuldades, para que os resultados possam ser trocados entre as instituições nacionais, formando uma rede que poderá multiplicar este conhecimentos”.

Para alcançar os objetivos, o curso de Engenharia Química será repensado. Ao longo de 8 anos, a Poli-USP receberá recursos para investir em seus professores e apoiá-los no desenvolvimento das atividades. A estratégia será reforçar as práticas educativas que visem não só o desenvolvimento de conhecimentos e habilidades, mas também as competências. Isto envolve a integração entre disciplinas do curso e a interdisciplinaridade na abordagem dos tópicos de aprendizado, com articulação com os setores relacionados à engenharia química, como indústrias.

Entre as metodologias de ensino que podem ser aplicadas está a aprendizagem baseada em problemas, na sigla em inglês Problem Based Learning (PBL), hoje utilizada em uma disciplina de processos químicos. O professor do Departamento de Engenharia Química, Ardson dos Santos Vianna Junior, cita também uma abordagem CDIO (uma sigla para conceive, design, implement, operate), metodologia de ensino e aprendizagem focada na formação de engenheiros. “Com esta proposta, o ensino é voltado ao aluno, em desenvolver sua capacidade de resolver problemas, e habilidades como criatividade e liderança”.

A diretora da Poli-USP, professora Liedi Légi Bariani Bernucci, explica que posteriormente essas experiências serão expandidas para todos os 17 cursos de graduação, e o projeto prevê que a administração da Escola complemente os recursos financeiros em montante similar ao aplicado pela Capes e Fulbright (R$ 300 mil) e estabeleça mecanismos de reconhecimento e apoio aos docentes que desenvolverem atividades dentro desta proposta. Neste sentido, a diretoria executará as obras civis necessárias para criação dos ambientes pedagógicos desenvolvidos ao longo do projeto no curso de Engenharia Química e, após validação do modelo, pretende replicar os ambientes pedagógicos em toda a Escola.

Os especialistas da tradicional instituição, fundada há 125 anos, explicam que a Engenharia tem passado por um processo de grandes transformações, e sua definição clássica, de utilizar matemática e ciências naturais para resolver problemas, não consegue abordar os grandes desafios da sociedade que surgiram nas últimas décadas. “Os problemas são cada vez mais complexos e intrinsecamente multidisciplinares, transcendendo as divisões clássicas de subáreas da engenharia. Isto requer ações articuladas, para que eles possam ser encarados”. Além disso, o projeto da Escola busca acompanhar a evolução de meios e métodos de ensino, novos materiais, evolução de sistemas digitais, usando os como oportunidades para que os estudantes possam ter a formação mais adequada para os desafios que irão enfrentar em sua prática profissional.

O curso indicado para o programa, de engenharia química, tem entre os seus diferenciais um formato que permite ao aluno alternar períodos de estágios e aulas. O modelo chamado cooperativo tem o objetivo de integrar as empresas e a instituição de ensino para formar profissionais habilitados para enfrentar o dinamismo do mercado de trabalho, que exige rápida adequação do engenheiro e conhecimentos atualizados com as inovações tecnológicas.


O projeto propõe a criação de ambientes, mas também a utilização de iniciativas já bem sucedidas na USP:

  • CRAI – Centro de Recursos para Aprendizagem e Inovação

Um novo modelo de biblioteca universitária que propõe que as bibliotecas passem também a oferecer aos estudante serviços pedagógicos e recursos tecnológicos voltados à investigação e à experimentação. Busca-se assim fazer da pesquisa científica um instrumento de formação e fomentar iniciativas inovadoras e empreendedoras dos estudantes.

Prof. Celso Furukawa

  • Ambiente para Gravação de Vídeo-aulas empregando LightBoard

O lightboard é uma técnica de gravação de videoaulas criada pelo prof. Michael Peshkin da Northwestern University. Basicamente, o Lightboard consiste em uma lousa de vidro iluminada na qual o professor faz as anotações enquanto explica o conteúdo diante de uma câmera. O Lightboard é uma inovação na maneira de apresentar o conteúdo de aula, pois permite que o professor esteja de frente para classe enquanto desenha, escreve equações e fórmulas. Usando esta técnica, o trabalho de edição é bastante reduzido, pois toda a linguagem transmitida através de esquemas e equações é construída pelo professor enquanto explica o conteúdo. Outros recursos, tais como slides produzidos no PowerPoint, gráficos e até vídeos, podem ser incorporados à tela e ganhar anotações do professor “em tempo real”. Com o apoio do Fundo Patrimonial Amigos da Poli, um estúdio equipado com a lousa de vidro, iluminação e câmera de vídeo está sendo criado no Edifício da Engenharia Civil da Escola Politécnica da USP.

Profª Leila Cristine Meneghetti Valverdes

  • Sala de Aula para Inovação

tem como objetivo criar uma sala de aula ambientada para desenvolver atividades de inovação em grupo por parte dos estudantes de graduação utilizando os mais modernos recursos de TIC disponíveis atualmente e que possa ser interligada remotamente a outras salas do mesmo tipo ou que possuam a mesma infraestrutura. Seu ambiente será reconfigurável e a sala vai funcionar como ambiente modelo e de experimentação para que possa ser replicada em outros lugares

Prof. Antonio C. Seabra

  • InovaLab@POLI – Química

Uma sala de Inovação para o curso de engenharia química

Professores Fernando Josepetti Fonseca e Leopoldo Rideki Yoshioka