USP busca caminhos para modernizar ensino de engenharia

Em evento sobre inovação na área, Reitor destacou os desafios para melhorar aprendizagem e atrair jovens talentos

A Escola Politécnica (Poli) da USP recebeu, na manhã do dia 27 de maio, a cerimônia de abertura do Seminário práticas inovadoras no ensino e aprendizagem em engenharia, evento promovido pela Comissão de Graduação da Poli com o objetivo de promover a troca de informações sobre o tema entre professores e alunos. A Poli possui mais de 424 docentes, e cerca de 36 deles apresentarão as técnicas que utilizam em suas aulas. O evento está sendo transmitido pelo Youtube, e a programação está disponível aqui.

A abertura do evento contou com a participação do Reitor da USP, Vahan Agopyan, também professor da Escola Politécnica. Após parabenizar a proposta de repensar o ensino de engenharia, Vahan ressaltou a importância da discussão deste tema a partir de um relato de sua experiência na área, em que atua como docente desde a década de 1970. O engenheiro contextualizou o surgimento da engenharia como conhecimento, no século XVII, e como ela foi sendo ensinada ao longo dos anos. “Ensinar engenharia era repassar a experiência que o professor tinha”. Ainda na década de 1970, o engenheiro relata que aprendeu algumas disciplinas de forma empírica, sem embasamento científico.

Com as inovações tecnológicas do pós-guerra, este modelo de ensino foi posto em xeque, e o questionamento de como repassar aos jovens o conhecimento na área já está em discussão desde o final do século passado, explicou o reitor. “Se a minha geração tinha que estudar engenharia com o professor transmitindo conhecimento e dicas, isso acabou com [o aparecimento da] informática. Como vamos ensinar nossos alunos? Repassando informações? Neste século em que a informação muda de forma violenta, como vamos ensinar ao jovem o que ele vai usar daqui a 5 anos?”

Vahan concluiu defendendo a ideia de que a grande mudança na postura dos docentes é deixar de serem transmissores de conhecimento, e se tornarem os facilitadores, os incentivadores da aprendizagem. Ele destacou também, entre os desafios, a atração e retenção de talentos para se tornarem professores, e o conteúdo, já que ele muda constantemente. “Pouco a pouco nós vamos avançando e atraindo os jovens do  milênio a gostarem de engenharia e seguirem a nossa profissão.

O Pró-Reitor de Graduação da USP, Edmund Chada Baracat, também esteve presente e ressaltou que o tema faz parte das diretrizes da atual gestão, que englobam inovação, empreendedorismo e criação de espaços inovadores de aprendizagem. Ele explicou que as práticas discutidas no evento fazem parte da proposta de inovação curricular. “A modernização dos projetos pedagógicos, e não apenas uma mudança na grade curricular”.

A diretora da Poli, professora Liedi Légi Bariani Bernucci, explicou que o evento faz parte de um programa de aperfeiçoamento didático, para que o curso de engenharia da Escola, com toda base teórica, ofereça ao aluno um aprendizado mais moderno e motivador. “Queremos trazer outras formas de aprendizado para os nossos alunos e docentes”. Liedi destacou também que o evento será transmitido para que as experiências possam ser compartilhadas com as outras unidades da USP.

O evento é promovido pela Escola Politécnica e conta com o apoio do Fundo Patrimonial Amigos da Poli e do Programa Institucional de Modernização do Ensino de Engenharia Capes-Fulbright, no qual a Escola é uma das selecionadas para implementar modernizações no curso de engenharia química. Antonio Carlos Seabra, vice-presidente da Comissão de Graduação da Poli e um dos idealizadores do evento, lembrou que ao final do evento, será gerado um documento inicial com diretrizes para base nacional em ensino de engenharia.

Amanda Rabelo/Assessoria de Comunicação da Poli-USP