Pesquisadoras promovem ações para inclusão de mulheres na carreira acadêmica

Os estudantes da Escola Politécnica (Poli) da USP, além de uma formação em engenharia pública e gratuita, têm a oportunidade de entrar em contato com a prática científica desde a graduação. Sendo a USP uma universidade de pesquisa, ou seja, uma instituição onde pesquisadores desenvolvem o conhecimento científico, os futuros engenheiros podem conhecer como é a carreira acadêmica, e se inspirar a seguirem da iniciação científica para o mestrado, doutorado, pós-doutorado e assim por diante.

Para auxiliar na inclusão de um maior número de mulheres na carreira acadêmica, um grupo de alunas de pós-graduação da Poli e de outras universidades criaram o projeto Nísia Academy, um conjunto de ações visando a inclusão e permanência de mulheres nas universidades e na carreira acadêmica-científica de diversas disciplinas, principalmente nas áreas de STEM, expressão em inglês para as disciplinas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

O foco principal do projeto é auxiliar alunas e interessadas em ingressar no ensino superior que pertençam a grupos minoritários étnio-raciais a desenvolverem pesquisas no ensino superior. A Nísia atende estudantes de universidades públicas e privadas de todo País, e não há processo seletivo para ser auxiliada pelo projeto.

O projeto era uma ideia antiga de Bruna Campos, fundadora do grupo, que optou por seguir a carreira acadêmica após finalizar sua graduação em Biologia. Ela realizou seu mestrado em Psicobiologia na USP de Ribeirão Preto, e atualmente estuda Bioacústica em seu doutorado no Programa de pós-graduação em Engenharia Mecânica da Poli. 

Durante sua jornada nos estudos acadêmicos, ela sempre observou que faltava nas universidades uma orientação mais específica para os alunos, que assim como ela, desejavam realizar pesquisas e estudos científicos e acadêmicos, como aulas para escrita de artigos e cartas de interesse. “Quando o aluno vem, principalmente, de um contexto de vulnerabilidade, ele não tem esse conhecimento prévio”, detalha Bruna. Assim, em 2018, ela resolveu fundar a Nísia para auxiliar as alunas que precisavam de ajuda nessa área, especialmente as meninas em estado de vulnerabilidade. Em 2019, o projeto foi oficializado e começou a funcionar.

O nome do projeto foi escolhido para homenagear Dionísia Gonçalves Pinto, mais conhecida pelo pseudônimo Nísia Floresta. Ela foi uma educadora, escritora e poetisa brasileira que lutou pela emancipação feminina. Segundo Dionísia, a educação é o primeiro

passo para a emancipação da mulher.

Hoje, o projeto Nísia atende em três frentes. A primeira atuação é por meio da assessoria e consultoria sobre editais de fomento à pesquisa. As voluntárias auxiliam as alunas a encontrar editais de bolsas e iniciativas de fomento à pesquisa e em todo o processo de candidatura. A segunda frente são os treinamentos sobre metodologia científica, nos quais as estudantes aprendem como desenvolver pesquisas e escrever textos científicos. “Se já tiver um projeto em mente e estiver buscando um laboratório ou orientador, nós também damos esse auxílio para as meninas”, detalha Bruna. A Nísia também realiza a escuta solidária, que é um espaço no qual as alunas podem conversar com as voluntárias, fazer desabafos sobre questões acadêmicas e pedir orientações. “Eu acho que é muito importante ter essa rede de apoio para as meninas que já estão realizando pesquisas e também para as meninas que estão iniciando nesta área, ou que querem iniciar. Para realmente ver a experiência dos outros, ter essa troca de experiência”, expõe Gabriela Martin, voluntária da Nísia. Além disso, a iniciativa também realiza divulgação científica de estudos e pesquisas feitos por mulheres de fora do projeto.

Os membros da Nísia almejam que, após a pandemia, possa ser desenvolvido um projeto nas escolas públicas para incentivar as alunas a seguirem a carreira acadêmica, e a cursarem a graduação nas áreas STEM. Para isso, as voluntárias irão realizar palestras e conversas nos colégios, para orientar as alunas sobre como elas podem ingressar nestas áreas e nas universidades.

Atualmente, a iniciativa está aberta para novas alunas que desejem ser atendidas. Elas não precisam passar por processo seletivo, sendo necessário apenas entrar em contato com os membros do projeto pelo site.

O projeto também está aceitando novas voluntárias. Para poder se candidatar às vagas, é necessário se inscrever pelo perfil da Nísia no Atados. O Atados é uma plataforma na USP destinada a trabalho voluntário, no qual as ONGs disponibilizam vagas e os candidatos podem se inscrever.

Conheça mais sobre a Nísia no site e no Instagram da iniciativa.

Na Escola Politécnica, os alunos são apresentados à possibilidade de realizar uma iniciação científica em um evento no início de cada ano.