Liedi Bernucci e Reinaldo Giudici são empossados como diretora e vice-diretor da Poli

Em cerimônia presidida pelo reitor da USP, Vahan Agopyan, na noite desta quarta-feira, nova diretoria reafirma compromisso com excelência

Reafirmar o compromisso com a manutenção da excelência no ensino, na pesquisa e na extensão foi o tom do discurso da nova diretora da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, professora Liedi Légi Bariani Bernucci, que falou também em nome do novo vice-diretor, professor Reinaldo Giudici, na cerimônia de posse realizada na noite desta quarta-feira (21/03). O evento ocorreu no auditório do Centro de Difusão Internacional (CDI), no campus da USP, no Butantã, em São Paulo.

A cerimônia foi presidida pelo reitor da Universidade, professor Vahan Agopyan. O acompanharam na mesa, além de Bernucci e Giudici, o vice-reitor da USP, professor Antonio Carlos Hernandes, o ex-diretor da Poli, professor José Roberto Castilho Piqueira, e o secretário geral da USP, professor Ignacio Maria Poveda Velasco.

“A diretoria eleita trabalhará para que a Poli continue a sua trajetória de excelência na formação de engenheiros, mestres e doutores, para que amplie ainda mais seus horizontes na pesquisa e inovação, para ajudar o Brasil a alcançar um patamar mais alto de desenvolvimento”, enfatizou. Bernucci ressaltou, ainda, que trabalhou com Giudici com dedicação na elaboração do programa de gestão da Poli para os próximos quatro anos, e que, além da estratégia, é preciso do comprometimento conjunto das Comissões, dos chefes de Departamento, docentes, funcionários, alunos, ou seja, das mais de 8 mil pessoas que integram a comunidade politécnica. Também destacou a importância do diálogo. “Um bom gestor deve ouvir as pessoas para poder tomar decisões. Usar sua capacidade de síntese, de harmonizar as decisões, procurando o melhor caminho”, disse.

Ela citou ainda os planos de ampliação dos programas de intercâmbio e duplo diploma para consolidação do processo de internacionalização da Escola; o apoio aos os bons programas sociais desenvolvidos no âmbito da extensão por alunos e docentes da Poli e ao fundo patrimonial Amigos da Poli e à iniciativa Retribua.

Bernucci também fez menção ao fato de ser a primeira mulher a ocupar a direção da Escola. “A Poli não rompe com sua tradição, pois tradição na Poli não é uma questão de gênero, afinal o símbolo da Engenharia é uma mulher, a Minerva, deusa da sabedoria e da estratégia da guerra. Tradição, na Poli, é zelar pela qualidade e excelência. Este deve ser um compromisso coletivo, pelo qual trabalharemos”, apontou Bernucci.

A cerimônia – Bernucci e Giudici entraram no auditório do CDI conduzidos pelos membros da Congregação da Poli. Ambos foram ao pulpito para fazerem a leitura do termo de compromisso de diretora e de vice-diretor, no qual cada um se comprometeu a cumprir a legislação universitária e as normas legais da USP. Na sequência, foi feita a leitura do termo de posse pelo secretário geral da USP, professor Ignacio Maria Poveda Velasco, seguida da assinatura do documento pelos membros da mesa.

O ponto alto do evento foi a imposição das vestes talares, na qual o ex-diretor da Poli passou para Bernucci duas peças do vestuário formal usado em cerimônias como posses e formatura, e que representam a posição que a pessoa ocupa na universidade: a borla, que é colocada nos ombros e circula a gola da beca, e o capelo, uma espécie de chapéu. Ambos são na cor azul, que representa a área da Engenharia. Trata-se de um ato simbólico tradicional dos ritos universitários que representa a transmissão de posse.

Após o discurso de Bernucci, seguiram-se as palavras do reitor da USP, Vahan Agopyan, professor da Poli que também já dirigiu a Escola, entre 2002 e 2005. Ele manifestou sua alegria por viver esse momento por várias razões. A primeira, por reconhecer a trajetória profissional de Bernucci e Giudici, que demonstra a capacidade de ambos na condução dos rumos da Poli, o que dá a ele, como reitor e docente da Escola, tranquilidade sobre o fortalecimento das Engenharias no âmbito da USP.

Também ressaltou como grande marco simbólico a Poli ter escolhido uma mulher para dirigi-la em um momento histórico no qual a discussão sobre gênero pauta a sociedade. Segundo ele, essa era uma questão muito complexa nas Engenharias, especialmente na Civil, em que a professora Bernucci se formou. “Na época em que a Liedi era aluna, as mulheres não podiam entrar nas obras de túneis [de rodovias]. Uma década depois disso, quem coordenou a construção dos túneis da Imigrantes foi uma mulher”, lembrou. Ele ainda fez um agradecimento especial ao professor Piqueira por sua gestão na Diretoria da Poli e por seu apoio, como membro do Conselho Universitário, na gestão da própria USP. “Ele teve atuação muito importante na superação de grandes problemas”, pontuou.

Por fim, o reitor disse que a nova Diretoria da Poli está assumindo um grande desafio. “Decisões difíceis deverão ser tomadas para definir nosso futuro”, alertou. Uma delas se relaciona ao tipo de profissional que a Poli quer formar no médio e longo prazos para atuar em um mercado, no qual a tecnologia muda em velocidade acelerada e não se sabe qual será o cenário profissional no qual esse engenheiro irá atuar. “Para lidar com esse desafio, os líderes da Escola precisam estar preparados para enfrentar quem quer manter a situação como está”, disse. Ele lembrou que, quando diretor da Poli, foi criticado por causa do programa de internacionalização, sendo acusado de estar ‘exportando cérebros’ brasileiros para o exterior e estar ‘tirando vaga de estudantes brasileiros’ ao receber alunos estrangeiros na Poli. “Coisas que hoje parecem fáceis, eram complicadas e não aceitas na época. Isso vai ocorrer de novo”, completou.

Ele reafirmou sua crença no sucesso da nova gestão. “A Diretoria da Poli tem uma vantagem: a Escola tem um corpo docente privilegiado, funcionários fantásticos e uma qualidade do alunado assombrosa. Com esse conjunto, tenho certeza de que o futuro reitor que irá empossar os sucessores dos professores Liedi e Reinaldo vai encontrar uma Poli melhor ainda”, concluiu.

Repercussão – Entre as autoridades presentes estavam dois representantes do governo estadual de São Paulo que também são politécnicos: o secretário de Energia e Mineração, João Carlos Meirelles, e a secretária adjunta da Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos, Mônica Porto, docente licenciada do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental (PHA) da Poli.

O secretário Meirelles classificou como “absolutamente importante” a eleição de uma mulher para a diretoria da Poli. “A Escola representa sempre o que há de mais moderno e não há nada de mais moderno do que ter uma mulher como diretora. Nosso símbolo é uma mulher, a Minerva. Depois de 124 anos consolidamos essa modernidade com a condução de alguém de altíssimo padrão como a professora Liedi na liderança da nossa Escola”, comentou.

Já a secretária Mônica Porto se disse orgulhosa em ver uma mulher na direção da Poli. “Toda discussão de gênero pode se resumir em duas palavras: respeito e liberdade. Todos devem ter a liberdade de ser, de se decidir por uma profissão, de atuar, de escolher sua vida, e os outros devem respeitar essa escolha”, disse.

Ela lembrou que é mais velha do que a professora Bernucci, portanto de uma época em que tinha menos mulheres ainda na Poli, e que conseguiu desenvolver uma carreira como docente, pesquisadora e, agora, gestora pública. “A diversidade traz uma riqueza enorme. Todos nós pensamos de forma diferente, então esse aumento da participação feminina é enriquecedor”, finalizou.

Confira no canal da Poli no Youtube a íntegra da cerimônia de posse da nova diretoria e no Flickr da Escola as fotos do evento.